“A COP é um momento muito especial para todos os povos indígenas”, diz Tani Rose
Coordenadora do Setorial Nacional de Assuntos Indígenas do partido, Tani Rose, concedeu entrevista ao Café PT, da TvPT
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O programa Café PT da TvPT desta quarta-feira (12) recebeu a coordenadora do Setorial Nacional de Assuntos Indígenas do partido, Tani Rose, que falou sobre os grandes avanços no governo Lula para os povos indígenas – como a criação do Ministério Indígena e a implantação do primeiro hospital indígena do mundo – e também sobre as articulações e principais pautas apresentadas por populações indígenas na COP30 que está acontecendo em Belém (PA).
“A COP é um momento muito especial para todos os povos indígenas. Várias etnias estão presentes, como os povos Terena e Guarani Kaiowa do Mato Grosso do Sul. É fundamental para nós discutir as mudanças climáticas, o futuro do planeta, e falar sobre o nosso direito principal que é a vida”, afirmou Tani, assinalando que as pautas indígenas estão bem representadas pelas ministras do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, além do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.
Tani considera que é muito estratégico para o Brasil ter a presença de grandes lideranças mundiais de 160 países, ONGs, cientistas e povos de várias representações, principalmente depois de mais de 30 anos da Rio 92.
“Ser referência nesse momento é muito importante porque o Brasil quer retomar as questões ambientais, depois dos momentos difíceis que passamos com o governo Bolsonaro. Importante retomar esse espaço porque sempre lutamos pela preservação ambiental”, assinalou, ao acrescentar que o Brasil é grande exemplo na matriz energética com produção de mais de 90% de energia limpa.
Temas importantes na COP
Sobre as principais temáticas, a coordenadora aponta que as mudanças climáticas afetam diretamente vários ciclos naturais, principalmente a pesca e a agricultura. “Outra questão fundamental é a segurança alimentar dos nossos povos, além da questão hídrica que é fundamental”, disse ao citar o garimpo que contamina as águas; as invasões, os latifundiários e parte do agronegócio que usam demasiadamente a água, mudam curso de rios, contaminam com agrotóxicos e desmatam.
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Tani considera que a COP é um momento de troca e difusão de novas tecnologias sustentáveis e oportunidade de geração de empregos. O Brasil, segundo ela, pode ser fornecedor de produtos sustentáveis para o mundo.
Vitória de Lula foi divisor de águas para indígenas
A coordenadora falou com alegria das importantes conquistas com a vitória do presidente Lula em 2022. A primeira ação importante do governo do presidente Lula foi socorrer o povo yanomami e em seguida ela listou avanços como a criação do Ministério dos Povos Indígenas, a volta da Política Nacional Territorial dos Povos Indígenas (PNTPI), o Samu indígena, o PAA indígena e a realização da primeira Conferência Nacional das Mulheres Indígenas e da Marcha das Mulheres Indígenas.
“Passamos momentos difíceis com o governo Bolsonaro. A volta do presidente Lula foi fundamental para as condições de vida dos nossos povos indígenas, principalmente do nosso povo yanomami que a gente sabe que estava sofrendo muito”, salientou.
A criação do Ministério dos Povos Indígenas foi fruto de proposta de reuniões do setorial que foi encaminhada para o plano de governo do presidente Lula. “Estivemos presentes na transição, pautamos a questão dos povos indígenas que vivem em contexto urbano, tivemos a presença de um yanomami na transição para expor toda a problemática do garimpo, da saúde, da fragilidade da questão sanitária, as nossas crianças desnutridas, a falta de ajuda médica”, listou.
Avanços na demarcação
Sobre a PNTPI, Tani ressaltou sua importância no fomento do modo de produção dos povos indígenas e também o PAA indígena, programa do Ministério do Desenvolvimento Social, avaliado como uma grande conquista. A retomada da demarcação das terras foi apontado como um ponto que precisa de avanços.
“Temos muitas áreas hoje que estão sob conflitos com o combate ao garimpo ilegal, principalmente nas áreas do povo yanomami. Foi bom a volta (do presidente Lula) porque no desgoverno a gente não tinha diálogo, não tinha nenhuma atenção, éramos maltratados. Agora estamos avançando e agradecemos ao governo pelas conquistas, pautas de 500 anos”, assinalou.
Maior hospital indígena do mundo
Em setembro o governo Lula inaugurou o primeiro centro de referência de saúde yanomami. “É uma obra gigante, ficou fantástica! Testemunhei uma aeronave de grande porte do Exército vindo aqui e levando um paciente e um curumim, uma criança. É o primeiro país do mundo que tem um hospital indígena num território isolado, com heliporto e energia solar”, ressaltou, ao apontar que antes eram 500 funcionários e agora são mais de dois mil com o presidente Lula.
“Importante registrar que é uma decisão política construir o maior hospital indígena do mundo lá na floresta. É questão de respeito, de direito e isso é muito importante porque no desgoverno Bolsonaro vimos muitas mortes que poderiam ser evitadas justamente por falta de acesso a medicamentos, a alimentos e o garimpo que tinha contaminado toda a água”, lamentou.
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A luta contra o garimpo em terras indígenas continua, mas Tani assinala que o governo do presidente Lula destacou a Força Nacional para fazer a retirada dos garimpeiros. “A gente sabe que 90% da situação foi resolvida. A luta continua”, reforçou, ao elogiar o SAMU indígena, com respeito à cultura dos povos indígenas com profissionais bilíngues.
Carta pela vida
A Quarta Marcha das Mulheres Indígenas teve a presença de cinco mil mulheres em Brasília em agosto, junto com a primeira Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, que foi precedida de sete pré-conferências regionais para escolha das delegadas. A maior delegação foi da Bahia, estado cujo setorial tem o projeto Filhas da Ancestralidade.
“Foi uma representação muito grande de todo o país. A importância da Carta pela Vida e pelos Corpos e Territórios é um documento muito importante que vem fortalecer necessidade das nossas políticas públicas em defesa dos nossos direitos e autonomia. A carta reafirma a união das nossas mulheres em defesa dos corpos e dos nossos territórios sagrados”, destacou.
Tani falou ainda do Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília com 1.400 pessoas representando 33 povos e também em Salvador. Sobre as ações do setorial do Paraná, ela informou sobre o plantio de árvores nas matas e nas cabeceiras. “O Paraná enfrenta a falta de água, inclusive nas terras indígenas, a maioria tem poços artesianos”, disse ela, ao lembrar que haverá eleição de breve para novas coordenações do setorial.
Da Redação
