‘A elite brasileira nunca quis que vocês estudassem’, diz Lula a bolsistas e cotistas
Presidente celebrou 21 anos do Prouni e os 14 anos da Lei de Cotas e ressaltou o acerto de seu governo e do PT em apostar na educação como investimento
Publicado em
O presidente Lula celebrou os avanços históricos da educação no Brasil alcançados por políticas implantadas pelos governos do PT. Em cerimônia realizada em São Paulo, nesta terça, 31, Lula e integrantes do governo comemoraram os 21 anos do Prouni (Programa Universidade para Todos) e 14 anos da Lei de Cotas(Lei nº 12.711/2012), que abriu caminhos para a entrada de estudantes negros no ensino superior. As duas políticas alteraram a demografia das universidades brasileiras.
“A elite brasileira não queria que vocês estudassem (…) era coisa de gente fina”, afirmou o presidente, com um discurso incisivo sobre a dívida histórica do Estado brasileiro com a educação. Diante de um público de 15 mil pessoas, na Arena Anhembi, em São Paulo, Lula relembrou o passado de exclusão e enfatizou o acerto do PT em tratar a educação como investimento, e não como gasto público. “Valeu a pena a gente acreditar na educação. Isso tudo é resultado de uma decisão política.”
Lula enfatizou que o Brasil carrega quase 400 anos de atraso por negligenciar o acesso à educação como motor do desenvolvimento. “O Brasil foi o último país da América do Sul a ter uma universidade federal. O Brasil foi o último a ter a independência, o último a abolir a escravidão, um dos últimos a ter o voto de mulher (…) Cabral chegou aqui em 1500 e a nossa universidade só foi feita em 1920″, afirmou.
Durante a cerimônia, Lula conversou com quatro pessoas que entraram para a universidade a partir do Prouni e da política de cotas e pediu que dessem depoimentos que encorajassem os jovens a acreditar na importância da educação. Ao enfatizar que “não é comum” que pessoas pobres e da periferia tenham acesso à educação e uma carreira, Lula mencionou novamente sua própria história, um filho de pais analfabetos, torneiro mecânico, que virou presidente.
“Quando a gente tem um governo que abre as portas, (…) qualquer um desse país pode chegar aonde quiser”, disse o presidente, enfatizando a importância de o Estado criar políticas públicas que permitam o acesso das pessoas e criem oportunidades de ascensão social.
Lula afirmou que seu governo tomou uma decisão política que mudou a história do país. “A gente decidiu que educação não poderia entrar na rubrica de gasto. Educação tem que entrar na rubrica de investimento, porque é o investimento mais extraordinário que você faz (…) Não existe na história da humanidade nenhum país que evoluiu sem antes investir na educação”, afirmou o presidente.
É a principal porta de acesso dos jovens, afirma Haddad
O ex-ministro da Fazenda, ex-ministro da Educação e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, lembrou que educação se faz com vontade política e celebrou a visão estratégica do presidente Lula: “O senhor realizou o maior SISU da história desse país. Em 2026, nós fizemos o maior Prouni da história, 594 mil bolsas, é a maior da história de todo o país. E é a principal porta de acesso aos jovens à universidade”.
Foi Haddad que, à frente do Ministério da Educação, implementou o Prouni. Ele lembrou o surgimento do programa, em São Paulo, e enfatizou que foi uma ideia de Ana Estela, sua companheira e então funcionária do Ministério da Educação. Ele chamou Ana Estela ao palco para referendá-la como a ‘mãe do Prouni’.
O Prouni, criado em 2005, consolidou-se ao registrar mais de 27,1 milhões de inscritos ao longo de sua história. Das 7,7 milhões de bolsas ofertadas, cerca de 3,6 milhões foram efetivamente ocupadas, resultando em mais de 1,5 milhão de diplomados até o ano de 2025.
Já o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) serviu como a principal porta de entrada para a política de cotas nas instituições federais. Desde 2013, quase 800 mil estudantes cotistas ingressaram no ensino superior público, sendo que mais de um terço desse total ocorreu na gestão atual, entre 2023 e 2026, evidenciando uma aceleração no processo de inclusão.
Cursinhos Populares e Escola de Hip Hop
Além dos balanços históricos, o governo anunciou novas medidas práticas para ampliar o acesso ao conhecimento. Foi assinada a ampliação do edital para a Rede de Cursinhos Populares, que receberá um investimento de R$ 290 milhões para apoiar mais de 800 iniciativas em todo o território nacional.
No campo da cultura e cidadania, o governo instituiu a Escola Nacional de Hip Hop H2E, integrando a cultura pop ao calendário escolar das redes públicas de ensino. O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) também foi destacado pela criação do Fies Social, que reserva metade de suas vagas para inscritos no CadÚnico com financiamento de 100% do curso, garantindo que a barreira financeira não impeça o sonho do diploma universitário para as camadas mais vulneráveis da sociedade.
Participaram ainda da cerimônia o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Educação, Camilo Santana, e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Da Rede PT de Comunicação.

