A empresários, Edinho diz que Lula refez estabilidade política e econômica do país

Presidente do PT defende amplo diálogo com toda a sociedade sobre o fim da escala 6×1, considerando a realidade atual do mundo do trabalho

Evandro Macedo/Lide-Divulgação

Edinho Silva recebe homenagem de Luiz Furlan e João Doria, em almoço com empresários, por seu compromisso com a democracia.

Convidado a participar de almoço com representantes do Grupo Líderes Empresariais (Lide), em São Paulo, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, ressaltou que a disputa eleitoral de 2026 se dará sob um cenário de “cristalização de posições” ideológicas e forte insatisfação com a democracia representativa, o que, segundo ele, alimenta ainda mais a polarização e impede o diálogo civilizatório. 

“Gostem ou não de Lula”, disse o presidente nacional do PT, é inegável que o seu governo “reorganiza políticas públicas, restabelece o pacto federativo e cria um ambiente de estabilização institucional”. 

É inegável também, observou, que houve crescimento sustentável do PIB e recordes na Bolsa de Valores sob Lula, além da queda de desemprego e recorde de distribuição de renda, ainda que o cenário esteja longe do ideal. 

Diálogo pelo fim da escala 6×1

O empresariado manifestou preocupações com impactos do fim da jornada 6×1, uma bandeira do Partido dos Trabalhadores e uma das prioridades do Governo Lula, e questionou o presidente do PT sobre o tema. Edinho Silva reiterou o discurso do presidente Lula de que é preciso promover um amplo debate sobre o assunto. “O Congresso é o local mais apropriado para que o tema seja debatido, porque reflete a sociedade”, defendeu o presidente do PT.

Ao ponderar que “nenhuma medida precisa ser feita no afogadilho”, Edinho Silva alertou que o empresariado não pode mais negar os impactos da robótica e do avanço da Inteligência Artificial no setor produtivo. “Essa é uma questão, em tese, pra gente refletir: aumento da capacidade produtiva com diminuição da utilização da força de trabalho. É um fato”, pontuou. 

A agenda sobre a redução da jornada reflete mudanças contemporâneas no mundo do trabalho, observou o presidente do PT, e não é um debate circunscrito ao Brasil. É global. “Como uma sociedade que vai aumentar a capacidade produtiva e diminuir a mão de obra vai se organizar?”, indagou Edinho Silva. Ele também enfatizou a necessidade de regulamentação de novas profissões que surgiram com aplicativos, como moto-entregadores e motoristas. Muitos profissionais, defendeu Edinho, já não trabalham com a jornada 6×1. E os setores de trabalhadores por aplicativos, defendeu, precisam ser regulamentados para que funcionem bem.

Ao fim do almoço com empresários, Edinho Silva voltou a ser questionado, por jornalistas, sobre o fim da escala 6×1 e se esse será um debate eleitoral. “Não tenho nenhuma dúvida que no Brasil esse tema será central. Ele será central porque ele diz respeito à realidade do povo brasileiro. Ele diz respeito àquilo que o povo brasileiro está vivenciando, como a reforma da renda.” 

Edinho repetiu a reflexão que apresentou aos empresários: entre as 20 maiores economias do mundo, o Brasil foi a que mais reduziu a desigualdade de renda. Porém, ainda assim, frisou, “entre as 20 maiores economias do mundo é o país que ainda tem a maior concentração de renda; 1% da população brasileira detém 25% da renda”. Portanto, concluiu, esse será um debate central se quisermos falar de crescimento econômico com aumento de distribuição de renda e da capacidade de consumo.

Racionalidade e maturidade política

Após dar exemplos de políticas públicas que foram desmontadas no governo anterior e reorganizadas, Edinho Silva reconheceu que a polarização política do país é um entrave a debates maduros e racionais. “Por mais que nós tenhamos entregas [no Governo Lula 3], é evidente que essa polarização política impede a reflexão racional e o Brasil continua como se nós tivéssemos em um grande estádio de futebol, com duas torcidas. Cada torcida vendo quem grita mais alto, para ver quem é mais ouvido. Onde todo mundo grita, ninguém conversa”, disse o presidente do PT.

Edinho Silva afirmou aos empresários que o Governo Lula 3 investiu aproximadamente R$ 1 trilhão nas obras do PAC e só o programa Minha Casa, Minha Vida terminará o ano de 2026 com 3 milhões de casas entregues, contratadas ou assinadas.

“O Bolsa Família voltou a ser um programa de porta de entrada e porta de saída. Só no último período, 1,7 milhão de famílias saíram do Bolsa Família”, afirmou o presidente do PT.

O Brasil, afirmou o presidente do PT, precisa ter “maturidade política” para enfrentar o atual cenário global, independentemente de posições partidárias divergentes.

“É natural que num país democrático as brasileiras e os brasileiros possam defender suas posições políticas, mas nós temos que pensar o momento que nós estamos vivendo, o papel do Brasil nessa desorganização mundial (…) Deveríamos ter maturidade política para construir uma agenda para o Brasil. Uma agenda que enfrentasse, por exemplo, o debate das nossas reservas de terras áreas. Nós vamos continuar sendo só exportadores de metais raros?”, perguntou ao empresariado.

A reorganização industrial, o financiamento do SUS e um debate sério sobre educação integral, finalizou, são temas dessa agenda de país que devem envolver a todos, políticos e empresários.

Da Rede PT de Comunicação.

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