Nota de Solidariedade ao Povo Muçulmano que Vive no Brasil
Ressaltamos a importância da boa convivência entre os povos, religiões e culturas, especialmente em um país plural como o Brasil, marcado pela diversidade e pelo respeito às diferenças
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O Setorial Inter-religioso vem a público manifestar nota de repúdio diante do grave episódio de racismo religioso e intolerância ocorrido em shopping na cidade de Foz do Iguaçu, no Estado do Paraná, onde duas mulheres muçulmanas foram agredidas física e verbalmente em razão do uso do hijab — vestimenta religiosa que expressa fé, identidade e liberdade de crença.
Nos solidarizamos profundamente com as duas mulheres vítimas dessa violência absurda, reafirmando nosso compromisso permanente com a defesa da dignidade humana, da liberdade religiosa e do direito de cada pessoa viver e manifestar sua fé sem medo, constrangimento ou violência.
O hijab — por vezes grafado popularmente como “jihade” — é muito mais que um adorno ou peça de vestuário. Trata-se de um símbolo de profunda importância espiritual, cultural e identitária para muitas mulheres muçulmanas, relacionado à sua vivência de fé, valores, pertencimento comunitário e autonomia religiosa. Seu uso é amparado pelo direito constitucional à liberdade de crença e de expressão religiosa, devendo ser respeitado em todos os espaços públicos e privados. Atacar o hijab é, portanto, atacar diretamente a dignidade, a identidade e os direitos fundamentais dessas mulheres.
Destacamos ainda que este episódio escancara não apenas o racismo religioso e a intolerância, mas também a violência dirigida contra as mulheres. É impossível não questionar: se fossem homens, haveria agressão? O machismo caminha de mãos dadas com a intolerância e o racismo religioso, revelando como o ódio se manifesta de forma ainda mais cruel quando recai sobre corpos femininos.
Quando mulheres são atacadas devido à sua fé, a intolerância religiosa ecoa também as estruturas do patriarcado, que historicamente tentam controlar, silenciar e violentar suas expressões de identidade, cultura e espiritualidade. Por isso, denunciar este crime é também afirmar a luta permanente contra toda forma de violência de gênero.
Ressaltamos a importância da boa convivência entre os povos, religiões e culturas, especialmente em um país plural como o Brasil, marcado pela diversidade e pelo respeito às diferenças. Episódios como esse não podem ser naturalizados e exigem resposta firme das instituições.
Confiamos no trabalho das autoridades responsáveis pela investigação do caso, já em curso, e reforçamos a expectativa de que a apuração siga com rigor, garantindo a devida responsabilização e punição do agressor, conforme prevê a legislação brasileira para crimes de racismo religioso e intolerância.
Vivemos um momento em que o Brasil celebra sua cultura, sua alegria e sua diversidade, inclusive no período carnavalesco — expressão máxima da convivência plural do nosso povo. Por isso mesmo, é fundamental reafirmar que não há espaço para o ódio, o preconceito e a violência.
O Setorial Inter-religioso se coloca à disposição na luta contra toda e qualquer prática de racismo religioso, intolerância e violência contra as mulheres, somando esforços na construção de uma sociedade de paz, respeito e justiça, onde todas as expressões de fé possam coexistir com liberdade e dignidade.
Racismo religioso é crime.
Intolerância não pode ser tolerada.
A violência contra as mulheres não será silenciada.
Coletivo Nacional Inter-religioso do PT
Coletivo Estadual do Setorial Inter-religioso do PT Paraná