PELO DESARMAENTO E EM FAVOR DA PAZ

Leia a nota do Coletivo Católico do Setorial Inter-religioso do PT

SNIR/PT

Em um mundo marcado por disputas geopolíticas, corrida armamentista, interesses econômicos e estratégias de poder que colocam povos inteiros em situação de sofrimento, reafirmar a paz tornou-se uma exigência ética, política e espiritual. Diante da escalada da violência, especialmente no Oriente Médio, não é mais possível tratar a guerra como recurso legítimo de mediação dos conflitos. Todo combate armado revela o fracasso da política, o esvaziamento do diálogo e a incapacidade das nações de reconhecer, na dignidade humana, o fundamento mais alto da convivência entre os povos. Por isso, orar pela paz, hoje, é também assumir uma posição moral diante da história.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em sintonia com o Papa Leão XIV, convocou os fiéis para um momento especial de oração no dia 19 de março, Solenidade de São José, unindo-se à iniciativa “Oração com o Papa pelo desarmamento e pela paz”. Essa convocação reafirma que a Igreja compreende a paz como fruto do diálogo, da justiça e do compromisso com o bem comum, e não como resultado da força das armas ou da lógica da intimidação.

Diante da normalização da guerra em discursos políticos fruto de interesses geoestratégicos e disputas de poder, é preciso recuperar a coragem de se posicionar, com firmeza moral e profética, que matar inocentes é um ato que contraria todos os princípios éticos. Toda guerra representa, antes de tudo, a falência da política, o colapso da razão e a mutilação da esperança. Enquanto os promotores dos ataques armados calculam vantagens, povos inteiros choram seus mortos, famílias são destroçadas, crianças perdem o direito ao futuro e que sem encontram em condições de vulnerabilidade pagam, mais uma vez, o preço mais alto da brutalidade humana. A paz, portanto, não é ingenuidade: é exigência de consciência. É a recusa radical de aceitar como inevitável aquilo que é, na verdade, fruto de escolhas humanas.

Por isso, orar pela paz hoje é também resistir à indiferença. É recusar a anestesia moral que transforma tragédias em rotina e mortes em estatística. É lembrar que cada vida ferida pela guerra tem nome, história, rosto, vínculos, sonhos e dignidade que lhe são inerentes. Quando a Igreja convoca os cristãos ao desarmamento e à reconciliação, ela não está propondo passividade, mas uma forma superior de compromisso com a história: a defesa inegociável da vida.

Celebrar São José neste contexto é profundamente simbólico. José é símbolo do cuidado e da proteção da vida ameaçada. Numa época em que tantos exaltam a força destrutiva, São José recorda a grandeza discreta de quem guarda, protege e sustenta.  pela paz sob sua intercessão é afirmar que o mundo não será salvo pelos senhores da guerra, mas por aqueles que escolhem proteger a vida, defender os frágeis e cultivar a justiça.

Não naturalizemos a barbárie. Não deixemos que a guerra vença também dentro de nós, pela indiferença, pelo ódio ou pela omissão. Onde a violência semeia medo, a fé é chamada a plantar a esperança.

Coletivo Católico do Setorial Inter-religioso do PT