Brasil dá lição de democracia ao mundo, afirma Henrique Fontana

Em entrevista ao Café PT, secretário-geral do partido critica projeto de anistia, denuncia ameaça à democracia e defende mobilização popular e regulação das redes sociais

Anderson Barbosa

Secretário Nacional Geral do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT), Henrique Fontana, em entrevista na TvPT

O secretário Nacional Geral do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT), Henrique Fontana, classificou como “gravíssima” a aprovação da urgência do projeto de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. Em entrevista ao Café PT nesta sexta-feira (19), Fontana alertou para o que considera um movimento coordenado para apagar os crimes cometidos por Bolsonaro e seus comparsas.

“Quando o julgamento consolida 27 anos de cadeia para o Bolsonaro, uma semana depois o presidente da Câmara pauta a urgência da anistia. Essa votação não significa que vamos vivenciar um cenário de perdão. Se a anistia ocorresse, teríamos um retrocesso histórico na democracia brasileira”, afirmou.

Fontana ressaltou que a condenação dos réus pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é uma resposta fundamental para garantir o funcionamento da democracia.

“Se queremos um país com regras justas, onde quem tem mais votos governa, não podemos permitir anistia a uma organização criminosa que tentou reinstalar uma ditadura”, disse.

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Mobilização do povo

O secretário destacou que a maioria da população é contrária ao perdão. “Quem quer perdão para Bolsonaro, generais e esses criminosos graves é uma minoria. Talvez 30%, 25%. Os outros 70% têm que ir para a rua.”

Ele citou o início de mobilizações, contra a PEC da Blindagem, para o próximo domingo e considerou que a pressão das ruas será essencial para barrar a tentativa de anistia.

“Essa história de que anistia é para pacificar o Brasil é um cinismo absurdo. Para pacificar, tem que punir quem cometeu o crime. A democracia é para sempre, como diz o presidente Lula.”

Fontana também apontou que o debate sobre a anistia vai atravessar o calendário até as eleições de 2026.

“O candidato dessa extrema-direita vai prometer que vai tirar o Bolsonaro da prisão. Felizmente, na minha avaliação, não será eleito.”

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Lula lidera nas pesquisas

Durante a conversa, Henrique Fontana comentou os dados de uma nova pesquisa que mostram Lula vencendo todos os candidatos da extrema-direita no segundo turno.

“A diferença varia de 7 até 18 pontos. Isso deve ser comemorado como uma vitória da democracia. O povo está compreendendo que Lula é quem pode garantir um projeto de desenvolvimento nacional com justiça social.”

Ele elogiou o papel do presidente na condução do país. “Muito dificilmente o Brasil encontraria uma pessoa tão preparada como Lula para atravessar esta turbulência. Ele mantém generosidade, altivez e firmeza diante dos ataques da extrema-direita.”

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PEC da Blindagem

Fontana também fez duras críticas à chamada PEC da Blindagem, que pretende dificultar investigações contra parlamentares.

“É um retrocesso absurdo. A proposta tornaria praticamente impossível investigar um deputado ou senador. A bancada do PT votará unida contra e acredito que ela não será aprovada no Senado.”

Ele alertou para os riscos da medida. “O caso da Carla Zambelli é emblemático. Saiu com um revólver na mão para tentar matar alguém por divergência de opinião. Se a PEC passar, casos assim jamais seriam julgados.”

“A lei deve valer para todos da mesma forma. Proteger prerrogativas parlamentares é uma coisa. Mas cometer crime é outra. Nós não defendemos dois pesos e duas medidas.”

O secretário valorizou a força da mobilização popular nas ruas, citando o 7 de setembro como exemplo. “Foram manifestações muito positivas em defesa da soberania nacional. Partidos, sindicatos, movimentos populares, todos juntos. Isso é fundamental.”

Fontana defendeu uma atuação conjunta entre mobilização física e digital. “Não temos que escolher entre ruas ou redes. Precisamos estar em ambos. E precisamos acolher quem ainda está confuso, sem cair na lógica do ódio e da intolerância imposta pela extrema-direita.”

Ele também falou sobre o trabalho de reorganização da militância partidária. “Estamos revitalizando os núcleos do PT. Criamos a Secretaria de Nucleação e estamos ampliando nossa capacidade de mobilização.”

Ouça a íntegra da entrevista:

Guerra híbrida

Henrique Fontana alertou para o uso das redes sociais por grupos de extrema-direita como ferramenta de desinformação e ataque à democracia.

“Tudo isso que falamos aqui só existe porque há uma máquina de mentiras funcionando. E essas big techs atuam com aliados políticos para dominar o poder global.”

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Ele também defendeu a regulação das plataformas digitais. “A liberdade de expressão não pode ser usada para cometer crimes. Se não regularmos, a democracia será engolida. Não importa o candidato. Quem defende a democracia precisa defender a regulação das redes.”

Fontana citou ainda o caso da adultização nas redes como exemplo de vitória da sociedade civil. “Aquele vídeo do Felca ajudou a mobilizar a opinião pública e resultou em avanços. Isso mostra que regulação não é censura. É proteção.”

“Precisamos que as pessoas compartilhem os conteúdos verdadeiros que produzimos. Isso constrói hegemonia política. Nossa comunicação é honesta. Mas precisa furar bolhas.”

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Democracia para transformar o Brasil

No encerramento da entrevista, Henrique Fontana ressaltou a missão do PT, que vai além da defesa formal da democracia.

“Queremos essa democracia para combater a desigualdade, cobrar impostos justos dos milionários e garantir condições dignas de vida para todos.”

Ele também fez um apelo à militância e à sociedade. “Não vamos achar que todos que votaram em Bolsonaro são fascistas. Muitas pessoas foram capturadas por mentiras nas redes. Com inteligência e acolhimento, podemos reconquistar essas pessoas. O lado da democracia é o lado que nós estamos.”

Ao final, agradeceu à equipe da Rádio PT e da TVPT. “Hoje mais do que nunca, vivemos na era da comunicação. E nosso papel é garantir que a população tenha acesso à verdade e consiga formar sua consciência política com base em fatos.”

Veja a entrevista completa:

 Da Redação

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