Campanha da Fraternidade por moradia digna alerta para realidade de excluídos
Tema dialoga com políticas públicas de habitação e a retomada do Minha Casa, Minha Vida. Governo Lula quer encerrar 2026 com contratação de 3 milhões de moradias
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou, na Quarta-feira de Cinzas (18), a Campanha da Fraternidade 2026, com o lema “Ele veio morar entre nós”, uma citação do evangelho de João (1,14). O tema, uma sugestão da Pastoral da Moradia e Favelas, chama a atenção para a realidade de milhões de brasileiras e brasileiros que ainda não têm acesso a habitação.
A senadora Teresa Leitão (PT/PE) destacou que a campanha “nos chama a reconhecer o Cristo presente nas periferias e nas realidades marcadas pelo sofrimento e pela exclusão”. Para ela, o tema dialoga diretamente com o compromisso histórico do Partido dos Trabalhadores com a redução das desigualdades e a promoção de políticas públicas estruturantes.
Sintonia com o Minha Casa, Minha Vida
Após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, a política habitacional sofreu forte desestruturação. Os recursos destinados ao Minha Casa, Minha Vida foram drasticamente reduzidos e o perfil de financiamento passou a privilegiar faixas de renda mais altas, enfraquecendo o alcance social do programa. A retomada do investimento público no setor representa um compromisso político com o direito à cidade e à dignidade.
A reconstrução das políticas públicas de habitação tem sido central para o governo do presidente Lula. Desde 2023, o programa Minha Casa Minha Vida foi ampliado e já contratou mais de 1,9 milhão de unidades, com investimento público superior a R$ 300 bilhões. A meta atual é alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o fim de 2026, o que representa 50% acima da meta original.
O Ministério das Cidades informa que, entre 2022 e 2023, houve recuo de 3,8% no número de famílias sem imóvel próprio, reduzindo o déficit habitacional absoluto de 6,21 milhões para 5,97 milhões de domicílios no período.
Em pronunciamento no plenário da Câmara, o deputado federal João Daniel (PT/SE) afirmou que é preciso intensificar uma política de moradia integrada. “Pensar em moradia digna significa garantir infraestrutura, segurança, acesso a serviços públicos e integração social. Sem lar, não há saúde, educação ou trabalho que se sustentem. A luta por habitação é, portanto, luta por justiça social. A Campanha da Fraternidade nos recorda que cada pessoa merece um lugar onde possa viver com dignidade e construir sua vida plenamente”, declarou.
Uma demanda histórica da Igreja Católica
A Campanha da Fraternidade deste ano recupera a memória histórica da própria Igreja. Em 1993, o tema já havia sido abordado com o lema “Fraternidade e Moradia”, sob a presidência de Dom Luciano Mendes de Almeida.
Agora, sob a presidência do cardeal Dom Jaime Spengler, a CNBB reforça que a moradia digna é um direito humano previsto no Artigo 6º da Constituição Federal.
Da Rede PT de Comunicação, com informações das Lideranças do PT na Câmara e no Senado.