Conflito no Oriente Médio ameaça paz e segurança internacional, diz Lula
Petista recebeu o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, e ambos manifestaram preocupação com impacto humanitário e econômico do ataque dos EUA e Israel ao Irã
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O presidente Lula recebeu a visita oficial do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, nesta segunda-feira, 9, para um encontro bilateral. Os mandatários firmaram acordos para expandir o comércio e o turismo entre os países. Em pronunciamento à imprensa, no Palácio do Planalto, Lula e Ramaphosa manifestaram apreensão com a deterioração da segurança internacional devido ao conflito no Irã. O petista voltou a defender o multilateralismo.
“África do Sul e Brasil compartilham a convicção de que o ‘Sul Global’ deve ter voz ativa na grandes decisões internacionais”, afirmou Lula. “Expus ao presidente Ramaphosa minha profunda preocupação com a escalada do conflito no Oriente Médio, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacional, com impacto humanitário e econômico de amplo alcance”, lamentou, em seguida.
Lula lembrou que o diálogo e a diplomacia constituem caminho único para a paz. O petista também alertou para o encarecimento do barril do petróleo, já que os iranianos estão entre os maiores produtores da commodity. “É importante lembrar que, por conta da guerra no Irã, o preço do combustível já está subindo em quase todo mundo. E deve subir em todos os países do mundo”, observou.
Uma grande honra receber o presidente @CyrilRamaphosa para esta visita de Estado. Seja bem-vindo ao Brasil, companheiro 🇧🇷🤝🇿🇦
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— Lula (@LulaOficial) March 9, 2026
Acordos bilaterais
Ainda falando a jornalistas, Lula comemorou os acordos fechados com Ramaphosa, o aprofundamento das relações Brasil-África do Sul e o consequente aumento do fluxo comercial, que deve saltar de US$ 2 bilhões para US$ 10 bilhões ao ano.
“Nossos países assinam hoje dois instrumentos que fortalecerão nossos elos econômicos, comerciais e políticos. Renovamos por quatro anos, o Plano de Ação para o setor de turismo, com o objetivo de ampliar as viagens de lazer e negócios entre nossos países. Respondendo diretamente aos anseios dos empresários brasileiros e sul-africanos, concluímos acordo sobre comércio e investimentos entre a Apex Brasil e o Departamento de Comércio Industrial e Competitividade da África do Sul”, elencou.
Ramaphosa, por sua vez, fez questão elogiar a recepção do governo brasileiro. O presidente sul-africano destacou a parceria estratégica com o Brasil e os objetivos em comum, como a redução das desigualdades socioeconômicas e a erradicação da fome.
“Nós vemos o Brasil como parceiro estratégico de muitas formas. Valorizamos a sua cooperação e sua colaboração em uma série de áreas. A África do Sul e o Brasil compartilham compromissos para igualdade, crescimento econômico e a erradicação da pobreza. Esses valores compartilhados fornecem uma base fortalecida para continuar a construir iniciativas de benefício mútuo que vão avançar os nossos desenvolvimentos e as nossas prioridades”, elogiou Ramaphosa.
Relações Brasil-África do Sul
Membros-fundadores dos Brics, Brasil e África do Sul estabeleceram relações diplomáticas em 1948, quando foi aberta legação diplomática brasileira em Pretória, sendo que, desde 1918, o Brasil já contava com consulado na Cidade do Cabo. A África do Sul abriu legação no Brasil em 1948, transformada em escritório de representação, em 1952, e, posteriormente, convertido em embaixada, em 1971.
Os países mantêm abertos os canais de diálogo em foros multilaterais e se apoiam mutuamente nas candidaturas em organismos internacionais. Além do Brics, são membros dos grupos Ibas, Basic, G20 financeiro e G20 comercial. A agenda bilateral foi alçada, em 2010, ao nível de Parceria Estratégica. Na pauta, temas como defesa e segurança, energia nuclear, investimentos, cooperação e acesso a mercados.
Em 2024, as exportações para África do Sul alcançaram US$ 1,4 bilhão, e as importações, US$ 657 milhões. O Brasil exporta aos sul-africanos, principalmente, carnes de aves frescas, congeladas ou refrigeradas (14%), açúcares e melaços (8,1%) e veículos rodoviários (14%). As importações são constituídas por prata e outros metais do grupo da platina (34%), alumínio (6,5%) e outros minérios concentrados dos metais de base (6,2%).
Da Rede PT de Comunicação, com informações de Canal Gov, MRE e MDIC.
