CPMI: bancada do PT relaciona ascensão do ‘Careca do INSS’ ao governo Bolsonaro
Nesta quinta (25), Comissão Parlamentar Mista de Inquérito ouviu Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, suspeito de ser um dos principais operadores do esquema que lesou aposentados
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS recebeu, nesta quinta-feira (25), o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes. Preso desde 12 de setembro, ele recebeu a alcunha de “Careca do INSS” por ser apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema fraudulento que lesou aposentados e pensionistas.
Antunes permaneceu em silêncio durante os questionamentos do relator, deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil), sob a alegação de que já estaria condenado aos olhos do parlamentar. Na sessão desta quinta, Gaspar chegou a classificá-lo de “o autor do maior roubo da história do país”. A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) no Congresso também não deixou de pressionar o depoente.
Dono de uma frota de carros de luxo e de 22 empresas, Antunes é lobista discreto em Brasília. Ex-superintendente de marketing de uma gigante do ramo da saúde, o empresário detém procurações para atuar em nome de entidades que cobram mensalidades associativas de aposentados.
O primeiro petista a interpelá-lo foi o deputado federal Paulo Pimenta (RS). “Quem fechou a parceria do senhor com a Ambec?”, questionou, referindo-se a uma das entidades envolvidas nos descontos indevidos. “Quem representava a Ambec na tratativa feita com o senhor?”
“Porque, veja bem, é criado um ACT [Acordo de Cooperação Técnica] para uma instituição com três associados, uma coisa muito curiosa. Essa empresa do Maurício Camisotti e do Nelson Willians prestava serviço para a Geap [Saúde]. Saem da Geap e criam uma instituição que o pai do ex-presidente da Geap era um dos três associados. Ganha o ATC, final de 2021”, suspeitou Pimenta.
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Em seguida, dadas as evidências que pesam contra o “Careca do INSS” e a cronologia dos fatos, o deputado do PT relacionou os descontos indevidos que lesaram os aposentados à permissividade do governo Bolsonaro. “As ACTs, esse modelo de prestação de serviço”, indicou. “Quando foi criado isso? 2021, 2022.”
CPMI É PRA SER LEVADA A SÉRIO!
O deputado @Pimenta13Br denuncia que bolsonaristas tentam tirar o foco da #CPMIdoINSS para fazer disputa política, pois a Comissão tem mostrado que as fraudes começaram no governo bolsonaro, que abriu as portas para a ação de uma organização… pic.twitter.com/7jWADKpaph
— PT na Câmara (@PTnaCamara) September 25, 2025
Pimenta ainda levantou a hipótese de Antunes estar sendo assessorado e apoiado por partidos políticos.
Militante bolsonarista
O deputado federal, Rogério Correia (MG), por sua vez, expôs a linha das investigações antes de fazer perguntas ao “Careca do INSS”. O parlamentar trouxe dados das entidades fraudulentas.
“Eu sou obrigado a perguntar ao senhor. O senhor doou R$ 1 para a campanha de Jair Bolsonaro [em 2022]. Esse R$ 1 teve um significado para o senhor, de ser um militante da campanha? Mostrar, olha, eu milito, sou bolsonarista e, por isso, doei R$ 1?”, indagou Correia.
“Porque muitos fizeram exatamente dessa forma. E eu lhe vinculo isso, porque o recebimento, depois, dessas entidades, foi muito grandioso, então, havia uma expectativa, com certeza, em relação isso”, ponderou.
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Correia mostrou uma série de imagens de integrantes do governo Bolsonaro com peritos médicos do INSS, em 2018, à época da transição. Entre eles, aparecem o ex-ministro do Trabalho e Previdência Onyx Lorenzoni (PP) e o deputado federal negacionista Osmar Terra (PL).
“Um mês depois dessa reunião, isso está na página da Associação Nacional de Médicos Peritos [ANMP], eles se encontraram com o ex-presidente Jair Bolsonaro […]. Olha o que eles colocaram: ‘O presidente reforçou a importância de nosso trabalho e ficou surpreso com os números apresentados pela ANMP sobre desvios, fraudes e irregularidades com o dinheiro público dentro do INSS'”, afirmou o deputado do PT, ao exibir um slide à comissão.
“O presidente da República ficou surpreso. Foi contado a ele que tinha isso”, ironizou. “Bolsonaro tudo sabia.”
Correia encerrou anunciando a apresentação de requerimento para convocar os médicos peritos que estiveram com o capitão da extrema direita em 2018. O deputado pediu, igualmente, a prisão do advogado Nelson Willians, um dos últimos suspeitos ouvidos na CPMI.
🚨 PRISÃO DE WILLIANS APROVADA
Não basta devolver o dinheiro aos aposentados, como fez o PRESIDENTE LULA. É preciso responsabilizar quem fraudou o INSS! Por isso, apresentei e a CPMI aprovou meu requerimento pela PRISÃO do advogado Nelson Wilians. Vamos até o fim! #CPMIdoINSS pic.twitter.com/2VdmXialy6
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) September 25, 2025
Valores vultosos
Já o senador Fabiano Contarato (ES) questionou o “Careca do INSS” a respeito de uma procuração da Ambec, de março de 2022, concedendo poderes a ele para representar a entidade junto ao INSS, inclusive para firmar ACTs. O depoente reconheceu o documento.
“Olha que coincidência: em março de 2022, o senhor recebe a procuração da Ambec, para celebrar ACT. E aí, aquela Ambec que tinha um rendimento de R$ 135 no início do ano passa a ter R$ 16 milhões de rendimento. Foi isso que aconteceu”, notou o senador.
Contarato ainda lembrou que uma das empresas de Antunes recebeu valores vultosos da associação: “A Ambec transferiu, está aqui nos autos da apuração, R$ 11 milhões para a Prospect”.
Da Redação
