Edinho Silva: “Trump se tornou hoje o maior líder fascista do século 21”

Em entrevista ao jornal O Povo, presidente eleito do PT afirma não ter dúvidas que taxação sobre o Brasil é uma reação ao Brics

reprodução/O Povo/Op News

Na entrevista, Edinho falou do desafio de dialogar com a nova classe trabalhadora

O presidente eleito do Partido dos Trabalhadores, Edinho Silva, fez a defesa contundente da reeleição do presidente Lula em 2026 – segundo ele o maior desafio de sua gestão no comando do partido – para que o país consolide a democracia e avance no processo de reconstrução.

Em entrevista nesta quarta-feira (9) ao jornal O Povo, Edinho foi veemente na condenação do “maior fascista do século 21”, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por taxar as exportações brasileiras em 50%.

“Eu não tenho dúvida que os últimos posicionamentos do Trump são em decorrência da reunião dos Brics no Brasil”, disparou o presidente do partido que falou também dos outros desafios do PT, da importância da proposta de taxação dos super ricos e da necessidade de um ponto de equilíbrio diante da evidente descaracterização do presidencialismo no Brasil.

“Digo sem nenhum temor que o Trump se tornou hoje o maior líder fascista do século 21. Não podemos dobrar os nossos joelhos a um governo autoritário como o do Trump. O Brasil é um país que tem autonomia, democrático, o povo escolhe os governantes e os rumos da nação”, ressaltou, ao reforçar que o Brasil não pode se curvar.

Autonomia e soberania

“Não podemos, de forma alguma, abdicar de sermos um país, de sermos uma nação, e de termos a nossa autonomia e a nossa soberania. Nenhum país tem o direito de desrespeitar a soberania da nação brasileira. O Brasil não pode ajoelhar e se submeter aos interesses do governo do Trump”, sentenciou Edinho, ao observar que as escolhas de Trump atropelam o Judiciário brasileiro.

“Ele faz uma escolha política, não respeita o Supremo Tribunal Federal, e na carta ele disse que está taxando o Brasil em 50%. É uma medida autoritária, de um governo autoritário, de um governo que não respeita os demais países”, salientou, ao lembrar que o Brasil sempre foi parceiro de todos os governos dos Estados Unidos.

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“A questão hoje é que os Estados Unidos são governados por um autoritário que não aceita a autonomia dos demais países, que quer ocupar países, que quer submeter os países aos seus interesses, persegue imigrantes, tem manifestações racistas. Temos que ter calma, moderação, mas o Brasil jamais tem que se dobrar e se submeter a essa forma de governar do Donald Trump”, completou.

Descaracterização do presidencialismo

Nos governos Temer e Bolsonaro, Edinho avaliou que boa parte das atribuições executivas foram apropriadas pelo Legislativo. “Quando o Congresso Nacional executa R$ 52 bilhões em emendas para parlamentares, claro que isso não é mais presidencialismo, é um semipresidencialismo. Precisamos dialogar para que a gente arrume um equilíbrio porque é evidente que está descaracterizado o presidencialismo”, apontou, ao avaliar que nessa toada o país deixa de discutir projetos importantes para o povo brasileiro.

Edinho defendeu que haja uma agenda de interesse da nação, que pense o Brasil a médio e longo prazos. “Hoje nós só estamos discutindo liberação de emendas. Para que superemos isso temos que ter capacidade de diálogo, criar uma agenda pro Brasil, debater projetos que preparam o Brasil para o futuro e que deixe um legado para as nossas gerações. Não podemos interditar o diálogo no Congresso Nacional”, assinalou.

Foco no quarto mandato do presidente Lula

Edinho falou do desafio de dialogar com a nova classe trabalhadora e de melhorar o funcionamento interno do partido e das instâncias. “É preciso criar condições de diálogo com a nossa base social, principalmente dialogarmos com a nova classe trabalhadora, emergente, diante das transformações do século 21. É um desafio grande mas o maior é a reeleição do presidente Lula em 2026 que significa dar continuidade a esse projeto de reconstrução do nosso país”, ressaltou.

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O presidente Lula assumiu após Bolsonaro com as políticas públicas desorganizadas, déficit público e uma relação instável do ponto de vista institucional mas que, por meio do Novo PAC, o governo restabeleceu as obras estruturantes sem as quais nenhum país cresce, além do Minha Casa, Minha Vida “porque é impossível pensarmos um país justo sem ter uma política habitacional”, o Pé de Meia, dentre vários outros.

“Não queremos um país de privilégios”

Edinho avaliou que o presidente Lula mandou para o Congresso Nacional projetos importantes para a promoção da justiça tributária e defendeu a isenção para quem ganha até R$ 5 mil e a diminuição da carga tributária para quem ganha até R$ 7 mil.

“E, claro, começar a cobrar impostos no Brasil de quem não paga. Nós não queremos um país de privilégios, nós temos que enfrentar os privilégios, porque nós queremos um país de igualdade de oportunidades. Não podemos achar que é normal um país ter uma renúncia fiscal, deixar que setores da nossa sociedade deixem de pagar impostos, totalizando R$ 860 bilhões”, asseverou.

Edinho criticou o que chamou de “desonerações ad aeternum”, que deveriam ser por um período e nunca mais foram suspensas. “Quando alguém deixa de pagar, é porque a sociedade está pagando, então se tem gente que não está pagando é porque quem paga é quem compra o pãozinho, o quilo do arroz, do feijão está pagando”, disse, ao apontar que isso configura um país de privilegiados.

Defesa do diálogo

Ao ver a situação atual com tranquilidade, Edinho avaliou que o governo tentou fazer justiça tributária e dialogou com o Congresso para achar um ponto de equilíbrio em relação a proposta, além de propor a taxação de 3,5% contra os 6% no governo Bolsonaro. Diante da imposição da derrota ao governo pelo Congresso, que rompeu o diálogo, restou ao governo Lula explicar para a sociedade a sua proposta de acabar com os privilégios e diminuir a cobrança de quem ganha pouco.

“O governo abriu o processo de diálogo com a sociedade. Isso é legítimo, é uma reação do governo. O partido tem direito de apresentar suas propostas para a sociedade”, afirmou, ao enfatizar a necessidade de equilíbrio e maturidade para manter o diálogo com o Congresso Nacional.

“Até porque, é importante que se diga, que uma parte da pressão que o presidente (do Congresso) Hugo Motta sofreu foi por conta do governo não ter executado todas as emendas parlamentares, não ter executado o ritmo que o Congresso Nacional queria que se executasse. Então, esse descontentamento virou pressão sobre o presidente Hugo Motta, claro, por uns motivos certamente, acabou encaminhando essa derrota do governo”, analisou Edinho.

Da Redação

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