‘Essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir’, afirma Lula sobre a extrema direita

Presidente critica a submissão de opositores a interesses estrangeiros, defende soberania sobre terras raras e reitera segurança absoluta das urnas eletrônicas

A falta de comprometimento de pré-candidatos da extrema direita à Presidência da República com a soberania e a defesa do Brasil foi alvo de críticas contundentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao portal ICL, nesta quarta-feira, 8, Lula citou especificamente a subserviência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Durante a conversa, o presidente expressou preocupação com a vulnerabilidade do país diante de posturas políticas que priorizam interesses externos. Segundo Lula, o Brasil é uma nação de potencial extraordinário que não pode se sujeitar a decisões individuais ou impulsivas tomadas em redes sociais. O mandatário destacou que a proteção dos ativos nacionais é um dever imediato. 

A Estratégia das Terras Raras 

Um dos pontos centrais da entrevista foi a importância das terras raras, essenciais para a tecnologia global. Lula explicou que esses recursos são o alicerce de toda a indústria digital contemporânea e ressaltou que, embora o Brasil ainda tenha apenas 30% de seu território pesquisada, já detém a segunda maior jazida do planeta.

Lula traçou uma distinção clara entre a postura da Europa e a de setores da direita brasileira aliados aos Estados Unidos. O presidente criticou a disposição de políticos como Flávio Bolsonaro e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD-GO), em entregar esses recursos sem contrapartidas nacionais.

“A Europa é mais democrática, eles falam: ‘A gente quer compartilhar com o Brasil, mas a gente quer transformar dentro do Brasil. Industrializar o Brasil’. Ele (Flávio Bolsonaro) quer vender para os Estados Unidos, sabe, uma coisa que é tão importante para o Brasil.  É uma vergonha, inclusive, o que o Caiado fez em Goiás. O Caiado fez um acordo com empresas americanas, fazendo concessão de coisa que ele não pode fazer, porque é da União”, afirmou. 

O presidente também alertou para o risco de um novo ciclo de exploração predatória das riquezas brasileiras, criticando o que chamou de “complexo de vira-lata” de brasileiros que buscam intervenção estrangeira. Para ele, é inadmissível que, após séculos de extração de minérios e devastação florestal, ainda existam lideranças dispostas a oferecer o patrimônio nacional a figuras como Donald Trump.

“Então, se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir, sabe, que depois de levar o nosso ouro, depois de levar a nossa prata, depois de levar o nosso diamante, depois de levar a nossa floresta, tudo, o que que eles querem mais?”.

A insegurança geopolítica global e a necessidade de investir na indústria de defesa nacional também foram pauta das reflexões de Lula. 

“Um país do tamanho do Brasil não pode ficar desprovido de segurança. Qualquer dia alguém resolve invadir a gente. Nós temos um cidadão no mundo que acha que é imperador”.

Defesa do sistema eleitoral

Por fim, o presidente rechaçou qualquer tentativa externa ou interna de questionar a integridade das urnas eletrônicas e do processo eleitoral brasileiro. Citando seu próprio histórico político e o de seus aliados, Lula argumentou que a alternância de poder e as vitórias democráticas são a maior prova da lisura do sistema.  

“Olha, eu pelo que eu tenho visto do Trump nesses anos, nada com ele é impossível. O dado concreto é que nenhum país do mundo tem o direito de levantar qualquer suspeita sobre o processo eleitoral brasileiro. Se fosse possível roubar com a urna eletrônica, o Lula não seria três vezes presidente da república desse país. Então, ninguém, nem Trump, nem Macron, nem Xi Jinping, ninguém nesse mundo tem o direito de colocar sob suspeita o processo eleitoral brasileiro”, concluiu. 

Rede PT de Comunicação. 

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