Fim da escala 6×1 ‘é factível e sustentável’, afirma ministro do Trabalho

Luiz Marinho disse, na Câmara, que a redução da jornada para 40 horas, semanais sem corte de salários, é viável e que impactos financeiros já foram absorvidos ao longo dos anos

Gustavo Bezerra/PT na Câmara

Ministro Luiz Marinho afirma, na Câmara, que impactos financeiros não podem ser obstáculos para Brasil discutir o tema.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT-SP), defendeu a redução da jornada de trabalho no Brasil de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salários, e o avanço do debate sobre o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso. Durante audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Marinho afirmou que o país reúne condições para avançar nessa mudança, que é “factível e sustentável do ponto de vista econômico e social”.

“O governo defende que a jornada de 40 horas é factível e que os impactos financeiros já foram absorvidos ao longo dos anos. A redução da jornada também produz um ambiente de trabalho mais saudável, levando a um aumento de produtividade e evitando custos com afastamentos por acidentes de trabalho e doenças psíquicas”, disse Marinho.

O ministro reforçou a necessidade de se pensar em um equilíbrio entre saúde e trabalho e lembrou que sempre que há alguma medida para beneficiar o trabalhador há um movimento contrário por parte do empresariado.

“Não negamos que possa existir algum custo para a implantação das medidas, mas não podemos entrar na neura de que esse custo é proibitivo a ponto de inviabilizar um ponto de equilíbrio. Sempre que se fala em melhorar as condições de vida dos trabalhadores surge a grita de que isso pode estrangular a economia. Isso acontece desde quando se cogitou acabar com a escravidão”, observou.

Marinho também ressaltou que a discussão sobre redução da jornada não ocorre apenas no Brasil. Segundo ele, diversos países já adotam cargas horárias menores que 40 horas semanais.

Na Europa, nações como França, Alemanha, Portugal e Espanha trabalham com jornadas inferiores a esse limite. Na América Latina, o ministro mencionou o Chile, que aprovou uma transição para 40 horas semanais até 2028; o Equador, onde essa carga já está prevista em lei; e o México, cujo Senado aprovou proposta para reduzir a jornada de 48 para 40 horas semanais.

“Essa é uma tendência global. Todos os países do G-7 têm cargas horárias girando em torno de 36 horas semanais”, apontou Marinho.

Da Rede PT de Comunicação, com informações do PT na Câmara.

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