Fim da escala 6×1: PT confia na aprovação da proposta
Deputado Reginaldo Lopes, um dos autores da PEC, espera que comissão especial para avaliar tema seja criada em abril. Presidente da Câmara prevê votação no plenário em maio
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O Governo Federal e o Partido dos Trabalhadores (PT) acompanham de perto o trâmite, na Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda Constitucional sobre o fim da escala 6×1. Autor de uma das principais propostas de redução da jornada de trabalho em debate no momento, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) conversou com a Rede PT de Comunicação sobre os caminhos da votação da proposta. Ele trabalha com a perspectiva de o texto ser votado nas duas Casas, Câmara e Senado, até o fim do primeiro semestre.
“Acredito que, até meados de abril, nós vamos estar constituindo a comissão especial para levar essa matéria ao plenário da Câmara dos Deputados, em dois turnos. E também levar essa matéria ao Senado, em dois turnos. E aí, sim, a promulgação pelo Congresso Nacional dessa modernização trabalhista no Brasil, garantindo ao povo brasileiro mais descanso, mais tempo de qualidade e mais oportunidade com a sua família“, avaliou o deputado do PT.
Reginaldo se diz otimista com a tramitação e a aprovação da PEC, ainda mais depois da última sessão da CCJ, dia 24, quando centrais sindicais debateram o fim da escala 6×1 e defenderam a diminuição da jornada sem corte salarial e a definição das escalas por negociação coletiva.
“Todas as centrais, em audiência pública, aqui na tramitação da admissibilidade da nossa emenda constitucional, defenderam redução para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1, com a escala 5×2”, comemorou o parlamentar.
Durante a sessão de terça, 24, o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Neto, argumentou à CCJ que o país deve acompanhar as mudanças tecnológicas e aliviar na exploração dos trabalhadores. “Se a tecnologia aumentou a produtividade, esse ganho precisa ser dividido. Não faz sentido manter jornadas exaustivas enquanto a economia evolui”, observou.
Já o secretário-geral da Força Sindical, Francisco Pereira da Silva, disse que a redução da jornada pode contribuir para que mais vagas de emprego sejam abertas: “A jornada atual provoca adoecimento, estresse e afastamentos. Reduzir a carga horária é melhorar a vida das pessoas e também a produtividade das empresas”.
Apoio da maioria
O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou na semana passada ter a expectativa de votar a PEC da redução da jornada de trabalho até maio no plenário. A presidência da Câmara e os parlamentares da extrema direita – em que partidos como o PL e o União Brasil disseram ser contra a proposta – têm sido pressionados pela ampla maioria da população a aprovar o fim da jornada 6×1.
O fim da escala 6×1 é apoiado por 71% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha. Restam mais duas audiências públicas sobre o tema na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para que depois a PEC seja submetida ao debate na comissão especial.
“A expectativa é que possamos concluir na CCJ a admissibilidade até o início do mês de abril. Em seguida, criaremos a comissão especial e, a partir do trabalho da comissão especial, nós temos a expectativa de levar ao plenário até o mês de maio, que é o mês do trabalhador”, afirmou Motta, em evento em João Pessoa (PB).
A PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo, foi apensada a outra proposta, a PEC 8/2025, da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). As duas propostas têm como foco a diminuição da jornada de trabalho sem corte salarial, mas diferem principalmente no prazo e no modelo. Enquanto a PEC 221/2019 sugere uma transição gradual de 10 anos para redução da jornada, a PEC 8/2025 foca no fim da escala 6×1, instituindo a jornada 4×3.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Câmara.
