Liderança de Lula chancelada: Nobelistas apoiam frente global pela democracia

Na véspera da Assembleia da ONU, 43 laureados se unem à ação “Democracia Sempre” do Brasil, e da Espanha, fortalecendo o multilateralismo em contraponto ao extremismo de Trump

Ricardo Stuckert

O presidente Lula, durante o evento “Em defesa da democracia, combatendo os extremismos”, na ONU

Desde que o presidente dos Estados Unidos Donald Trump colocou em prática uma política externa unilateral de sanções comerciais ao Brasil e outros países do Sul Global, o presidente Lula vem ampliando o apoio global à agenda da diplomacia brasileira de diálogo e respeito ao princípio universal da autodeterminação dos povos. Nesta segunda-feira (22), às vésperas da abertura da Assembleia Geral da ONU, programada para terça (23), Lula  ganha aliados de peso na defesa da democracia de um mundo mais multipolar. Reportagem da Folha de S. Paulo desta segunda-feira (22) informa que 43 vencedores do Nobel assinaram uma carta de apoio à cúpula Democracia Sempre, iniciativa lançada por Brasil e Espanha no ano passado, em paralelo à reunião das Nações Unidas em Nova York.

No documento, os laureados reforçam a defesa da democracia, do multilateralismo, da liberdade acadêmica, de expressão e de imprensa, em contraponto direto ao extremismo de Trump, que resultou na perseguição a pesquisadores de inúmeras universidades nos Estados Unidos.

“Como laureados com o Prêmio Nobel, elogiamos os líderes que participam da iniciativa Democracia Sempre por seu firme compromisso com a razão e por entenderem que, apesar das diferentes visões de mundo de seus membros, os fatos não podem ser inventados. Também respeitamos seu firme compromisso com a paz, com o respeito ao direito internacional e ao direito internacional humanitário”, dizem os signatários, em apuração da Folha.

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O economista Joseph Stiglitz, que já cumprimentou o presidente Lula por sua postura altiva diante das sanções econômicas de Trump ao Brasil, é um dos signatários da carta. Também assinam o documento Maria Ressa, Oscar Arias, Shirin Ebadi, Wole Soyinka, J. M. Coetzee, Annie Ernaux, Daron Acemoglu, entre outros.

O manifesto ocorre no momento em que o Brasil se prepara para liderar o segundo encontro da cúpula, marcada para quarta-feira (24). Neste ano a cúpula não contará com os Estados Unidos. Entre os 30 países convidados, estão Uruguai, Colômbia, Chile, Alemanha, Canadá, França, México, Noruega, Quênia, Senegal e Timor Leste.

“Vivemos em tempos sombrios, com a liberdade acadêmica e de imprensa sob ataque e o Estado de Direito sendo solapado em muitos lugares do mundo”, alertou Joseph Stiglitz, em declaração à Folha de S. Paulo. “A iniciativa Democracia Sempre demonstra comprometimento com o que é necessário para apoiar nossas democracias, como a luta contra a desigualdade e a defesa de um ecossistema online de informação de qualidade”.

No ano passado, na primeira edição da cúpula, o presidente Lula defendeu a participação social como o melhor caminho para o fortalecimento da democracia entre as nações. “A democracia não é um pacto de silêncio”, destacou o presidente. “Precisamos ouvir movimentos sociais, estudantes, mulheres, trabalhadores, empreendedores, minorias raciais, étnicas e religiosas”, observou Lula, na ocasião.

“A experiência brasileira mostra que o equilíbrio entre os poderes constituídos e a resiliência e o fortalecimento das instituições são cruciais na proteção desses princípios”, afirmou o presidente, mostrando, mais uma vez, que a escuta e o diálogo com o povo são os únicos antídotos para frear a tirania e o extremismo alarmantes em figuras como Donald Trump.

Da Redação, com Folha de S. Paulo

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