Lula critica os que usam a saúde como moeda eleitoral: ‘É caso de cadeia’

No Rio, presidente diz que políticos se apropriaram politicamente de hospitais; Padilha cita os Bolsonaro, lembra mortes na covid e afirma que SUS é do povo

Ricardo Stuckert/PR

Lula participou da inauguração do Hospital Federal Cardoso Fontes, no Rio.

Com uma política de investimento em hospitais federais de todo o país e de fortalecimento do SUS em seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste domingo, 15, no Rio de Janeiro, os políticos que usam a saúde como moeda de troca eleitoral e privam a população brasileira de ter acesso, com dignidade e respeito, a um direito constitucional. “Os hospitais do Rio de Janeiro sempre foram utilizados como peça de troca em campanha eleitoral. Colocava um deputado pra tomar conta de uma coisa, outro pra tomar conta de outra… Aqui,  até pra tomar conta do estacionamento. Isso é um caso de cadeia. Isso se chama exploração, espoliação”, afirmou Lula. 

O presidente participou da cerimônia de inauguração do novo Centro de Emergência 24h para crianças e adultos do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, no Rio. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, estavam presentes. A reestruturação do hospital foi possível devido a uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, firmada em dezembro de 2024. 

“É motivo de orgulho saber que a gente está fazendo aquilo que outros deveriam ter feito em outros momentos da história”, disse o presidente. Lula relembrou que, desde 2003, quando tomou posse em seu primeiro mandato, solicitava ao então ministro da Saúde, Humberto Costa, que os hospitais universitários de todo o país se transformassem em centros de referência e modelo, com investimentos federais. 

Lula relembrou o seu período como deputado constituinte e que votou a favor da criação do Sistema Único de Saúde, o SUS. “Que orgulho eu tenho do SUS. O SUS durante muitos anos foi atacado, pessoas que nunca usaram esculhambaram o SUS”, afirmou. Na pandemia de covid-19, observou, ficou evidente a importância do sistema público para o país. “A covid deu ao SUS a oportunidade de falar que não existe, no mundo inteiro, nenhum país, com mais de 100 milhões habitantes, que tenha um sistema de saúde integral como o nosso”, disse Lula. 

Os investimentos no SUS e a reestruturação de unidades de saúde, pontuou Lula, não são “favores”, mas um sinal de respeito do governo com a população. “Não é favor, é compreensão de que um governo existe para garantir a todas as pessoas, independente da origem social, o direito de, quando precisar, ter um médico que vai lhe tratar, ter os remédios e as máquinas [para exames]”, afirmou o presidente Lula.

Dono do SUS é o povo, diz ministro

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que a rede de hospitais federais do Rio de Janeiro está sendo devolvida a seu verdadeiro dono, “o povo da cidade do Rio e do estado do Rio”. 

“A gente não aceita mais ninguém, muito menos uma família, os Bolsonaro, que foram responsáveis por quase 700 mil mortes neste pais [na pandemia de covid-19], acharem que são donos de uma rede federal, de um hospital do SUS”, criticou o ministro. 

Padilha informou que o governo federal investiu R$ 1,4 bilhão na unidade e que o volume de cirurgias eletivas no Rio cresceu 40% – 14,7 milhões de cirurgias –, um recorde histórico possível, também, pela parceria com as santas casas.

O Governo do Brasil investiu R$ 100 milhões no Hospital Federal Cardoso Fontes, que ficou anos sucateado, com o serviço de emergências e salas cirúrgicas fechadas, leitos bloqueados e enfermaria paralisada por falta de pessoal e equipamentos.

Além dos 40 leitos reabertos, do CTI pediátrico reativado com 10 leitos, da ampliação das salas cirúrgicas e de 57% a mais de profissionais, passam a funcionar no Centro de Emergência oito novos consultórios e seis salas de classificação de risco. A unidade também amplia a oferta de exames de ultrassonografia, eletrocardiograma e análises laboratoriais.

O Ministério da Saúde, em parceria com entidades como a Ebserh, o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), a Fiocruz e universidades federais, investe na recuperação da rede federal do Rio de Janeiro para superar problemas históricos, como emergências fechadas, leitos bloqueados e déficit de profissionais.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Gov.

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