Lula destaca reconstrução de arcabouço ambiental destruído por Bolsonaro
Presidente afirma aos países que participam da COP15, no Brasil, que não existe prosperidade sem proteção da biodiversidade
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Começa hoje, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). No domingo, 22, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na sessão de Alto Nível da COP15 e relembrou como a imagem internacional do Brasil havia sido arranhada pelo governo anterior, de Jair Bolsonaro, pela falta de comprometimento com as questões ambientais, o que trouxe impacto econômico e comercial ao país.
“Desde 2023, escolhemos trilhar um novo caminho, guiados pela convicção de que conservar e produzir de forma sustentável não apenas é possível, mas necessário. Reconstruímos o arcabouço institucional e as políticas ambientais que haviam sido desmontadas”, afirmou Lula.
Durante a COP15, que vai de hoje ao dia 29, os 133 governos e países signatárias vão discutir a situação das espécies migratórias num quadro de emergência climática, definindo ações e investimentos necessários para preservação e evitar a perda da biodiversidade.
O presidente destacou que seu governo tem como objetivo alcançar, até 2030, a meta de “garantir 30% de proteção da área oceânica, conforme prevê a Convenção sobre Diversidade Biológica”.“Esperamos que as discussões desta COP15 contribuam positivamente para a criação de um Santuário de Baleias no Atlântico Sul e da Área Marinha Protegida na Antártica”, disse Lula.
O presidente também destacou resultados significativos das ações de seu governo na área ambiental: “O desmatamento na Amazônia caiu pela metade. No Cerrado, a queda foi de mais de 30%. Reduzimos as queimadas no Pantanal em mais de 90%. Recolocamos o Brasil no mapa dos esforços multilaterais para o meio ambiente. Presidimos e sediamos a COP30 do Clima. Lançamos o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a Coalizão de Mercados de Carbono. Como anfitriões nas cúpulas do G20 e dos BRICS em 2025, colocamos o desenvolvimento justo e sustentável no centro das discussões”, observou.
Lula reiterou, ainda, que o Brasil apresentou a candidatura para que a região de Abrolhos seja considerada Patrimônio Mundial da Unesco e que seu governo também trabalha para criar áreas de proteção dos montes submarinos nas regiões de Fernando de Noronha e Atol das Rocas.
Durante a COP15, o Governo Lula adotou três novas medidas:
– 1) Criação de uma nova unidade de conservação, a reserva Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com uma área de 41 mil hectares;
– 2) Ampliação da área do Parque Nacional do Pantanal em 47 mil hectares, elevando a área total protegida para 183 mil hectares;
– 3) Ampliação da área da Estação Ecológica de Taiamã, também aqui no vizinho estado de Mato Grosso, em 57 mil hectares, elevando a área total protegida para 68 mil hectares.
Lula voltou a pontuar o momento de tensão geopolítica e os atentados à soberania dos países, com o início de guerras sem consentimento do Conselho de Segurança da ONU. “Ações unilaterais, atentados à soberania e execuções sumárias estão se tornando a regra. Nos seus oitenta anos, a ONU teve atuação importante nos processos de descolonização, na proibição de armas químicas e biológicas, na recomposição da camada de ozônio, na erradicação da varíola, na afirmação dos direitos humanos e no amparo aos refugiados e imigrantes. Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, lamentou o presidente.
No mundo atual, reforçou Lula, “qualquer um pode ser a próxima vítima”. “A história da humanidade também é uma história de migrações, deslocamentos, vínculos e conexões. No lugar de muros e discursos de ódio, precisamos de políticas de acolhimento e de um multilateralismo forte e renovado”, pregou o presidente.
Da Rede PT de Comunicação.
