Mundo do trabalho mudou e é hora de pensar no bem-estar das pessoas, diz Lula
Na Coreia do Sul, presidente reforça importância de investimento em educação e tecnologia e defende fim da jornada 6×1. Os dois países estreitam laços comerciais
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O crescimento da economia e a geração de oportunidades de trabalho são condições essenciais para melhorar a qualidade de vida das pessoas, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao discursar, nesta segunda-feira, 23, em Seul, no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul. Um dos objetivos centrais na visita oficial de Lula ao país é intensificar as relações comerciais entre os dois países.
Num evento com representantes políticos e empresariais dos dois país, Lula ressaltou as transformações ocorridas no mundo do trabalho nos últimos séculos e disse ser simbólico que os presidentes dos dois países, ele e Lee Jae-myung, sejam “oriundos da classe operária”.
“O diálogo permanente entre governantes, trabalhadores e empregadores é o principal pilar de uma economia forte e inclusiva. O mundo do trabalho está em transformação. O filósofo [sul] coreano Byung Chul Han diz que vivemos em uma “sociedade do cansaço”, em que a pressão pelo desempenho afeta o equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional”, afirmou o presidente.
Lula enfatizou que o Brasil discute, no Congresso Nacional, “o fim da chamada jornada 6×1, para assegurar que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal”. O presidente observou que o avanço tecnológico permitiu que fossem atingidos “níveis inimagináveis de produtividade”. O aumento da produtividade, na visão do governo e do PT, justificam uma revisão da nova jornada de trabalho, sem perdas salariais.
“É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, afirmou.
Lula ressaltou que vê uma parceria positiva entre os dois países e que o Brasil “tem muito a aprender com a República da Coreia”, já que o país, em seis décadas, viu seu PIB per capita crescer e hoje ser três vezes maior que o do Brasil.
“Nos anos noventa, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos. Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas. A experiência coreana prova que elevar a escolaridade da população é um investimento valioso”, analisou o presidente..
Lula defendeu, mais uma vez, o multilateralismo e uma economia variada e diversificada para que o país possa absorver mão de obra qualificada.
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Multilateralismo é o caminho
“Eu acredito muito que não é possível, no primeiro quarto do século 21, a gente entender que o multilateralismo não tem mais sentido.” Lula afirmou, ainda, que o protecionismo é um obstáculo para o crescimento dos países e disse não ver justificativa para esse tipo de atitude. “Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor será para o Brasil. E melhor será para o mundo. O que nós estamos precisando é fazer com que as economias cresçam, gerar oportunidade de trabalho para poder melhorar a qualidade de vida das pessoas que nós representamos. Não existe outro jeito de fazer as coisas acontecerem se não tiver desenvolvimento nos países”, sentenciou.
Em declaração conjunta, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Lee Jae-myung, da Coreia do Sul, anunciaram, nesta segunda-feira (23), em Seul, acordos nas áreas da agricultura, tecnologia, medicamentos e um incremento no intercâmbio cultural e educacional. Eles reforçaram o comprometimento dos dois países em ampliar o comércio bilateral.
O presidente da Coreia do Sul anunciou, ainda, que pretende retomar as conversas sobre a negociação comercial de seu país com o bloco do Mercosul.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Brasil.
