No Sudeste Asiático, Lula amplia comércio e avança na cooperação estratégica

Em visita à Indonésia e à Malásia, presidente fortalece laços com Sul Global ao inaugurar participação de um chefe de Estado brasileiro na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático

Ricardo Stuckert

Lula e Prabowo Subianto, durante visita do presidente indonésio ao Brasil

O governo Lula continua intensificando a estratégia de ampliação das exportações brasileiras pela abertura de novos mercados. Nesta terça-feira (21), o presidente embarcou para Joanesburgo, na África do Sul, de onde segue para o Sudeste Asiático. Entre os dias 23 e 28 de outubro, Lula cumpre agenda na Indonésia e na Malásia para integrar a cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e o encontro de líderes do Leste Asiático (EAS), além de agendas bilaterais.

Em um momento de recrudescimento do protecionismo comercial no mundo, personificado na figura de Donald Trump, a presença de Lula no Sudeste Asiático é estratégica para agenda multilateral do Brasil no Sul Global e a atração de novos investimentos ao país. O prestígio conferido à Lula na visita se traduz, primeiramente, pelo fato de que ele é o primeiro chefe de Estado brasileiro a participar da cúpula da ASEAN.

Além disso, o mercado asiático ganha peso crescente no comércio mundial. De acordo com o embaixador Everton Lucero, diretor do Departamento de Índia, Sul e Sudeste da Ásia do Ministério das Relações Exteriores, os países que integram a ASEAN representam um contingente de 680 milhões de habitantes, considerando-se o ingresso do Timor-Leste ao grupo de 10 nações que formam o bloco, programado para ocorrer durante a cúpula.

Trata-se de “um PIB agregado de cerca de US$ 4 trilhões. Em conjunto, formariam a quarta maior economia do mundo”, observa o embaixador. “O comércio do Brasil com os países da ASEAN já superou US$ 37 bilhões em 2024 e continua crescendo”.

Como estão previstas reuniões bilaterais com os chefes de Estado da Indonésia e da Malásia, além de líderes de países convidados, especula-se sobre um possível segundo encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Agenda na Malásia e Indonésia

Segundo Lacerda, na Indonésia e na Malásia, a agenda abrange acordos nas áreas de energia, ciência, tecnologia e inovação, entre outros setores estratégicos.

Nos dias 23 e 24, em Jacarta, capital da Indonésia, Lula será recebido pelo presidente Prabowo Subianto, que esteve no Brasil em julho. “A Indonésia é parceira estratégica do Brasil desde 2008 e é a terceira maior democracia do mundo, a quarta nação mais populosa e a principal economia da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático)”, pontua o embaixador Lacerda. “Os contatos de alto nível entre o Brasil e a Indonésia têm se intensificado nos últimos anos”, relata.

Lula participará também do Fórum Econômico Brasil-Indonésia, que reunirá lideranças do setor privado de ambos os países.

O plano é avançar em acordos já firmados na visita do presidente indonésio ao Brasil, em áreas como comércio e agricultura, segurança alimentar, bioenergia, desenvolvimento sustentável e defesa. Atualmente, o comércio entre os dois países segue em expansão, com superávit brasileiro.

Em Kuala Lumpu, na Malásia, Lula terá compromissos nos dias 24 e 28, entre os quais as cúpulas no Sudeste e Leste Asiáticos. “Somos parceiros comerciais da Malásia de longa data, mas nunca tínhamos chegado ao ponto de elevar essa parceria para um nível mais político, mais visível”, atestou Lacerda, ao detalhar a agenda de Lula a jornalistas, na segunda-feira (20). “A viagem à Malásia é uma afirmação de que o Brasil está ampliando sua presença, com voz ativa e interesses concretos num país que é central na dinâmica de crescimento da região”.

No início do ano, sob o comando do BRICS, o Brasil anunciou a entrada oficial da Indonésia no bloco. “A Indonésia partilha com os demais membros do grupo o apoio à reforma das instituições de governança global e contribui positivamente para o aprofundamento da cooperação do Sul Global, temas prioritários para a presidência brasileira do BRICS, que tem como lema Fortalecendo a Cooperação do Sul Global para uma Governança mais Inclusiva e Sustentável”, destaca documento do bloco de agosto de 2023, quando a adesão foi aprovada.

Fluxo comercial

Em setembro de 2025, o intercâmbio comercial entre Brasil e Indonésia atingiu a cifra de US$ 567,8 milhões. Desse montante, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 373,3 milhões, enquanto as importações alcançaram US$ 194,5 milhões. A Indonésia é o 19º principal destino das exportações do Brasil, que envia sobretudo farelo de soja, óleos brutos de petróleo, açúcares e melaço.

No mesmo período, o comércio bilateral com a Malásia totalizou US$ 487,2 milhões. As exportações brasileiras para a Malásia representaram US$ 346,4 milhões, e as importações atingiram US$ 140,9 milhões. O fluxo comercial entre as duas nações coloca a Malásia na 23ª posição entre os maiores destinos das exportações brasileiras.

Da Redação, com Site do Planalto

 

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