‘O dinheiro do crime organizado está dentro do sistema financeiro’
Presidente do PT, Edinho Silva, diz que asfixiar o dinheiro das facções criminosas é o primeiro passo para uma política de segurança pública que leve em conta interesses do país
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O enfrentamento ao avanço da criminalidade no Brasil passa pela asfixia financeira das facções criminosas – o que tem sido a linha de atuação da Polícia Federal –, reiterou nesta quinta-feira, 12, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em entrevista à BandNews.
Ao ser questionado sobre o drama da segurança pública no país, que desponta entre as maiores preocupações da população brasileira, Edinho Silva destacou duas ações centrais para desmantelar o crime organizado: a primeira é fechar a torneira por onde eles conseguem movimentar recursos financeiros para compra de armas e drogas; a segunda é promover a integração entre Polícia Federal, polícias estaduais (militar e civil) e guardas municipais, o caminho proposto pelo Governo Lula com a PEC da Segurança. As conexões do crime organizado com o sistema financeiro precisam ser enfrentadas, pontuou Edinho Silva.
O presidente nacional do PT afirmou, ainda, que em sua visão a redução da maioridade penal não solucionará o problema da segurança no país. Segundo ele, se o Brasil não resolver as causas que levam um jovem ou adolescente a ser cooptado pelo crime organizado, o problema será perpetuado. “O problema é que o traficante não pode tomar conta da comunidade; o Estado tem que ter presença na comunidade, não o crime. O crime não pode ser mais forte que o Estado e que os governos. Esse é o debate central, na minha avaliação.”
Edinho Silva reforçou que qualquer adolescente que comete um crime precisa responder “pagar por isso” e ser punido. “A legislação permite que ele pague, que seja recluso”, observou o presidente do PT.
O Brasil precisa discutir, acrescentou Edinho Silva, os efeitos da “municipalização da segurança pública”. “Há um crescimento vertiginoso de Guardas Municipais e a redução do número de policiais militares e civis, uma diminuição do contingente da política técnica”, apontou.
As lideranças políticas devem debater saídas considerando esse novo modelo de segurança que se instalou, na visão do presidente do PT, que já foi por quatro vezes prefeito de Araraquara.
Polarização trava agenda de interesse nacional
O presidente nacional do PT disse que nesta conjuntura de polarização do Brasil, com duas torcidas surdas e incapazes de dialogar, tem sido um obstáculo pensar numa agenda de interesse do país dentro do Congresso.
“Em vez de levar a polarização para dentro do Congresso, deveríamos estar discutindo uma agenda de Brasil. Essa agenda não fica de pé pelo ambiente de polarização no Congresso Nacional”, lamentou.
Edinho disse que, a despeito de questões político-partidárias, a única liderança que, hoje, teria condições de debater uma agenda de futuro para o Brasil é Lula. “Lula tem experiência, tem a tranquilidade necessária para que a gente possa construir uma agenda de futuro”, disse.
O presidente do PT disse esperar que as lideranças políticas do país compreendam a gravidade histórica e o momento geopolítico atual para não apequenar o Brasil e colocarem ele “no lugar que precisa estar”.
Da Rede PT de Comunicação.
