‘O PT precisa responder aos desafios atuais’
Vice-presidente do PT e secretário-executivo do 8º Congresso Nacional, Jilmar Tatto explica os objetivos do encontro que será realizado nos dias 23 a 26 de abril
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Por cinco dias, no fim de abril, os dirigentes e militantes do Partido dos Trabalhadores se reúnem no 8º Congresso Nacional do partido, em Brasília. Além de fazer uma avaliação da conjuntura política e traçar a tática eleitoral, o PT vai se debruçar sobre o programa de governo que pretende apresentar ao presidente Lula. O Congresso deste ano expressará, ainda, o anseio de reconstrução de diretrizes do programa do partido, considerando a evolução e as mudanças do mundo nos últimos 46 anos de existência do PT.
“Estamos com 46 anos de vida. Há um desafio e a proposta é trabalhar para atualizar o nosso programa. Quando o PT nasceu, o mundo era outro. O mercado de trabalho era outro. A direita não era tão organizada assim. Não era tão desavergonhada”, explica o deputado federal Jilmar Tatto (SP), vice-presidente nacional do PT e secretário-executivo do 8º Congresso Nacional Clara Charf – uma homenagem do partido à ativista dos direitos das mulheres que foi companheira de Carlos Marighela. Filiada ao PT, Clara Charf morreu em novembro de 2025, aos 100 anos.
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, Jilmar Tatto explicou quais são os cinco grandes temas de debate no Congresso. Parte deles está ligada ao pleito deste ano: conjuntura e tática eleitoral e programa de governo. “Tem a ver, portanto, com a eleição deste ano, a eleição do presidente Lula. E as diretrizes do programa de governo. O PT, em todas as campanhas presidenciais, sempre apresentou sugestões para a candidatura de Lula ou da Dilma”, disse Tatto. O deputado reitera que a formação dos palanques estaduais exige uma negociação complexa com os partidos de centro, progressistas e democráticos. Já a segunda parte dos debates no Congresso, acrescenta, terá relação mais direta com a história e a vida do PT.
O PT vai atualizar o seu programa e seu estatuto. “Um partido que tem três milhões de filiados, segunda maior bancada, deputadas federais, deputadas estaduais, vereadores, prefeitos. Uma relação forte com o movimento sindical, com o movimento popular, o movimento sem terra… Para manter, para ser um partido desse tamanho, é porque tem muito debate interno. Mas também tem que estar sempre conectado às novas pautas que estão surgindo. Novas pautas, as secretarias existentes, mulheres, combate ao racismo, os setoriais. Então, é essa organização, a gente tem que trabalhar com cuidado. Principalmente para manter a nossa unidade e garantir a nossa democracia interna”, explicou Tatto.
Veja a íntegra da entrevista abaixou ou diretamente no Canal do PT no YouTube:
Novo mundo do trabalho
Segundo Jilmar Tatto, o PT precisa se aprofundar sobre os desafios contemporâneos e defender propostas e políticas públicas conectadas a esse novo mundo do trabalho. Por isso, enfatiza o parlamentar, o debate do fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras do partido.
O secretário-executivo do 8º Congresso cita, ainda, a discussão sobre a tarifa zero, um direito constitucional – de ir e vir –, garantido pela Constituição, e ao qual as pessoas não têm acesso.
A precarização do mundo do trabalho, os trabalhos por aplicativos, a ausência de regulamentação, o novo perfil do empreendedorismo, os desafios da segurança pública, diz Jilmar, são temas que merecem uma análise cuidadosa do partido. ”O PT, quando nasceu, a classe trabalhadora tinha outro perfil. A organização do mundo do trabalho era outra. O modo de produção era outro.” A regulamentação das big techs, destaca Jilmar, é fundamental pelo fato de interferirem abertamente nas democracias, assim como a criação de regras que possam minimizar a situação precária de trabalhadores por aplicativos.
O PT, acrescentou o deputado, precisa criar novas conexões com os movimentos sociais, as igrejas, o movimento sindical que foi enfraquecido ao longo das décadas, e também novas classes trabalhadoras.
“O PT, como partido político de esquerda, democrático, precisa responder a esses desafios. É para isso que serve um partido político. Para isso, tem que envolver as universidades, a fundação, a militância, a envolver todo mundo que quer um país soberano, democrático, que cada vez mais diminua a desigualdade. Então, é um desafio que tem o governo, que está no caminho certo, e, ao mesmo tempo, o PT tem que ter uma perspectiva também de médio e longo prazo. Porque o governo passa, mas o partido fica, fica no sentido de continuar fazendo disputa política”, disse Tatto.
Quem quiser enviar contribuições aos subgrupos temáticos do 8º Congresso, pode acessar o site criado para a coleta de contribuições: “Você pode mandar sugestões diretamente para lá, até dia 5 de abril. E depois nós vamos organizar isso, até dia 12 de abril, de tal maneira que os congressistas, os delegados, no dia 23, abertura, aí nós vamos debater, deliberar sobre todos os assunto. A gente vai analisar com cuidado, verificar todas as contribuições”, garantiu Jilmar Tatto.
Da Rede PT de Comunicação.
