Resistência ancestral: bancada do PT apoia revogação de decreto das hidrovias

Presidente Lula escuta o clamor do movimento indígena e revoga norma de concessão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins ao setor privado

Gustavo Bezerra

A deputada federal Juliana Cardoso, indígena, disse que Lula soube ouvir os povos originários.

O Governo Lula ouviu os clamores e argumentos do movimento indígena e nesta terça-feira, 24, foi publicada do Diário Oficial da União a revogação do decreto que incluía as hidrovias dos rios Tajajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização. O anúncio da revogação foi feito pelo ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ao lado da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara.

Indígenas das regiões do Baixo e Médio Tapajós permaneceram 33 dias fazendo protestos, bloqueando vias de acesso ao porto da Cargill em Santarém. A “privatização dos rios” para o projeto de hidrovias, segundo o movimento indígena, terá impacto extremamente negativo para as comunidades e a natureza. Os indígenas também exigem que a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) seja observada, permitindo a consulta livre, prévia e informada de todas as comunidades potencialmente afetadas.

Parlamentares da Bancada do PT na Câmara dos Deputados comemoraram a decisão do Governo Lula.“O Brasil inteiro entendeu que precisava enxergar os povos indígenas com a revogação do decreto”, afirmou a deputada Juliana Cardoso (PT-SP), presidente da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais. A revogação do decreto, afirmou a deputada, emocionada, é fruto da resistência e da capacidade de diálogo do governo.

“O presidente Lula sempre está na escuta daquilo que o povo precisa. Forças e interesses são muito grandes, principalmente na relação financeira, mas a mobilização do Brasil inteiro fez com que os ministros sentassem junto ao governo para revogar esse projeto”, celebrou Juliana Cardoso.

A deputada classificou o momento como uma vitória da ancestralidade contra a lógica do lucro. “Quem não ouve as pessoas que têm essa expertise, que estão lá, não ouvem a nossa ancestralidade, acaba pecando para o lucro. E o Presidente Lula não é isso. A luta sempre vale a pena”, completou.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da Liderança do PT na Câmara.

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