‘Temos que nos aproximar de quem está na ponta, construindo o PT no dia a dia’
Julia Köpf, secretária nacional de Juventude do PT, fala do desafio de modificar a visão da política entre os jovens e de como é importante apostar em vereadores e deputados
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DaDFilha de professores, a política sempre permeou a vida de Julia Köpf, secretária nacional de Juventude do Partido dos Trabalhadores. “Em casa, acho que eles sempre se preocuparam muito com o que a educação ensina de maneira política, num sentido de educação cidadã, emancipadora”, disse ela em entrevista à Rede PT de Comunicação. Desde muito cedo ela acompanhava os programas eleitorais pela TV. Em 2013, aluna do ensino médio em São Paulo, viveu de perto as jornadas de junho e o debate que começou com o protagonismo jovem pela redução do preço das passagens e terminou com pautas capturadas pela direita.
A vida na universidade começou em 2016, “um momento tenso e conturbado do país”, com o golpe parlamentar que tirou a presidenta Dilma Rousseff do governo. “Isso foi algo que marcou muito.” No ambiente universitário, surgiram as lutas pela política de cotas e a defesa da entrada para a graduação via Sistema de Seleção Unificada, o Sisu. A filiação ao PT ocorreu só dois anos depois, com a prisão de Lula, quando uma campanha nacional de filiação a fisgou. “Ver a prisão do Lula naquele momento, ver como tudo parecia de cabeça para baixo e extremamente injusto, e o PT era o que de fato nos dava esperança, sabe?”, justifica
No posto de Secretária Nacional de Juventude do PT, Julia enxerga como um enorme desafio melhorar, entre os jovens, a visão da política. “Muita gente com quem convivemos da nossa família, do nosso trabalho, do lugar onde a gente estuda, entende a política como algo distante, e têm uma impressão ruim. Quando eu falo para as pessoas que eu trabalho com política, as pessoas falam: Nossa, mas você gosta disso? Não é muita roubalheira? Não é uma coisa ruim? A política tradicional tem uma imagem muito ruim. Se a gente olha para o Congresso Nacional, se a gente olha pelo abuso de emendas parlamentares, o orçamento secreto, o que foi esse governo Bolsonaro que a gente passou, o que foi o governo Temer… isso está muito na mente das pessoas e a política como algo ruim”, reflete a secretária.
Mas é essa visão que precisa ser transformada, na opinião de Julia. “O nosso papel enquanto juventude organizada, que se preocupa com mudar, transformar a vida das pessoas, é de aproximar, de ter esse contato e de apresentar como também é através da política que a gente consegue transformar a vida da nossa comunidade, a vida da nossa família.”
A descrença com a política gera o absenteísmo nas eleições, algo que preocupa, admite a secretária da Juventude. “É uma juventude que não tem esperança de que o seu posicionamento pode transformar, que a sua ação pode ser mobilizadora e que pode fazer a diferença.” Para convencer os jovens da importância da participação política, diz Julia, o caminho é encontrar pautas que se conectam com a juventude, como a tarifa zero para transporte público e o fim da escala 6×1. “Lógico que se o patrão fosse legal e as condições de trabalho fossem boas, a juventude não ia querer sair do mercado de trabalho e tentando outras alternativas. Tudo isso são coisas que a gente precisa dialogar e refletir”, aponta a secretária.
“O PT precisa se conectar também com essa juventude”, diz ela, que é múltipla e está em diferentes lugares. “Nossa juventude é periférica, é ribeirinha, é do campo… E a gente precisa conseguir organizar, ter muita escuta para que essa juventude ela tenha voz dentro do partido.”
Identificar as pautas de interesse dos jovens é um primeiro passo. Ela cita, por exemplo, a questão ambiental, algo que foi destruído pelo governo do extremista de direita Jair Bolsonaro. Mas apenas definir as pautas não basta. “Nosso papel também é decifrar o que que está pegando pra turma no momento para conseguir transformar essa dificuldade, transformar o incômodo em luta… A gente precisa apostar na linguagem, em métodos, em jeitos de organizar.” Ela cita, como exemplo, os mutirões da prefeitura de Luíza Erundina em São Paulo, em que os jovens se envolviam na vida da comunidade. “Acho que isso deve ser resgatado”, sugere.
E se as juventudes do Brasil precisam ser ouvidas, o que fazer, e como? “Acho que a gente precisa primeiro se aproximar de quem está na ponta construindo o PT no dia a dia, seja na escola, seja no bairro, ver o que que a galera que está no dia a dia do trabalho de base do nosso partido entende que são os desafios, as dificuldades e as alternativas.” Esse trabalho da ponta precisa envolver os jovens vereadores e deputados, defende Julia, animada com o Encontro de Parlamentares Jovens do Partido dos Trabalhadores, iniciado nesta segunda-feira, 16.
O trabalho, enfatiza a secretária, precisa ser coletivo. “Todo mundo mora numa cidade, afinal, e o vereador está ali debatendo o que é a pauta do município, a concepção de cidade, mas também defendendo o governo Lula, defendendo o que é o nosso projeto. Então acho que a gente olhar para os vereadores jovens, e conseguir dialogar com essa turma”, prega.
Ao mesmo tempo em que o PT busca maneiras de conexão com a juventude, o partido aposta nos jovens políticos da legenda para iniciar a transição geracional, com estímulo à formação de novas lideranças. A reeleição de Lula em 2026, diz Julia, é “mais uma vez a eleição das nossas vidas, temos que ir atrás do tetra do Lula, o hexa do PT para seguir transformando o nosso país”.
Julia aposta, também, numa grande campanha de filiação da juventude para alavancar a campanha de Lula. “Militar dentro do PT é militar para transformar o Brasil num país mais justo, num país soberano. É estratégico também a gente conseguir fortalecer o PT nesse momento.”
Juventude e desinformação
Mesmo sendo nativos digitais, os jovens não são especialistas em redes sociais, diz Julia. “Eu muitas vezes olho um vídeo de IA e tenho dúvida se aquilo é real, se aquilo não é. E acho que isso é uma coisa que a gente precisa ficar muito atento hoje porque é muito doido: coisas que são inacreditáveis às vezes são reais e a gente não acredita, e coisas que são IAs muito bem feitas e que são mentira. Eu não conheço nenhuma receita de bolo ainda para a gente conseguir enfrentar isso”, admite.
Porém, é com as redes que a capacidade de comunicação se multiplica e fascina a juventude, diz ela. “A gente também precisa conseguir se comunicar na rede social. Não precisa ser um grande influenciador com 20 mil seguidores, com 10 mil, 5 mil seguidores.” É possível simplesmente dialogar e ocupar espaço falando sobre o dia a dia, atesta.
“A juventude do PT vai organizar muita coisa nesse próximo período. A gente precisa transformar nosso país. E o PT é o lugar”, promete a jovem petista.
Assista aos principais momentos da entrevista:
Da Rede PT de Comunicação.
