Um partido em movimento: novas lideranças apontam os caminhos para o futuro
PT 46 anos: Parlamentares em primeiro mandato e jovens dirigentes contam o que pensam da política e o que esperam do PT
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Aos 46 anos, maior partido de esquerda da América Latina, o PT busca estar em sintonia com a transformação social do mundo e do país. “Nós temos que valorizar tudo aquilo que o PT construiu nos 46 anos da sua existência, mas temos que entender o que a sociedade espera de nós no século 21”, defende o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Estar atento à agenda do século 21 é também compreender que a transição geracional de lideranças é fundamental para que o Partido dos Trabalhadores siga se renovando. “Nós temos que fazer uma transição das nossas lideranças, porque o sucessor do presidente Lula tem que nascer desse processo”, enfatiza o presidente Edinho Silva. “Juventude não é apenas um recorte de idade. Juventude é inquietude, é vontade de mudança e de transformação. Juventude é um sentimento. E eu quero que o PT seja um partido muito jovem.”
Nas eleições municipais de 2024, o PT elegeu mais de 3.100 vereadores em todo o Brasil, incluindo 561 jovens com até 35 anos, reforçando a tendência de renovação nos quadros. A Redação do PT traz depoimentos das novas cabeças do partido, parlamentares e lideranças de diversas regiões do país, que apontam suas expectativas sobre o futuro.
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‘O PT reúne passado, presente e a construção de um futuro’
Maíra do MST, Vereadora do PT no Rio de Janeiro
“A política é parte fundamental da sociedade. A política organiza nosso trabalho, nossa vida, desde o preço do pão até os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Tudo é política! Se a gente não se engaja, não participa, alguém vai participar e decidir por nós. Por isso, é fundamental que nós, mulheres, jovens e da classe trabalhadora participemos para fazer valer os nossos interesses. Não entendo a política apenas pelo ponto de vista da representação institucional. A politica está nas mais diversas formas de organização: movimentos sociais do campo, como o MST, associações de moradores, coletivos de juventudes, movimento estudantil, grupos feministas, LGBTs, culturais, movimento negro… onde há sociedade, há política! Por isso eu escolhi o PT!
Pra mim, o PT é uma das maiores expressões de organização popular da classe trabalhadora do século. É um partido que reúne passado, presente e que vem representando a construção de um futuro longe do autoritarismo e do ódio de classe propagado pela extrema direita. O PT que eu quero para o futuro precisa estar conectado com os verdadeiros anseios e pautas dos trabalhadores. Um partido que esteja atento às demandas da juventude, como o acesso à educação, a tarifa zero; que entenda as urgências das mulheres trabalhadoras, que sofrem com o racismo e a misoginia. Acredito também num partido que defenda seus princípios, como a defesa dos direitos humanos. Eu, enquanto vereadora do Rio de Janeiro, um local que sofre com políticas de extermínio e com o discurso do “bandido bom é bandido morto”, acredito numa política de segurança pública pautada nos direitos sociais e na cultura nas favelas. Um PT que defenda a Reforma Agrária como parte central da política de combate à fome, de garantia da soberania e da segurança alimentar. O PT que eu quero para o futuro precisa aprofundar sua política de renovação, ampliando os espaços de formação, participação e decisão para a juventude. Um partido que reconheça o papel dos jovens parlamentares, militantes e lideranças sociais na construção de novas formas de fazer política, sem abrir mão de seus princípios históricos.”
‘Quero um PT que siga fiel à sua origem, sem medo de se atualizar’
Pedro Rousseff – Vereador – PT/Belo Horizonte (MG)
“A política é o único instrumento capaz de promover uma transformação social real e duradoura. A militância, a organização e a disputa de ideias são fundamentais, mas é quando essas lutas chegam aos espaços de poder que elas se transformam em políticas públicas concretas, capazes de mudar a vida das pessoas. Foi isso que o PT fez ao longo dos últimos anos: enfrentou desigualdades históricas, ampliou direitos, colocou o povo pobre no orçamento e permitiu que milhões de brasileiros e brasileiras tivessem acesso a oportunidades que antes eram negadas. Além disso, eu escolhi fazer essa luta pelo PT também por uma referência pessoal e política muito forte, que é a trajetória da minha tia, Dilma Rousseff. A Dilma representa, pra mim, a política feita com seriedade, compromisso público e coragem. Uma mulher que enfrentou a ditadura, dedicou a vida à construção do Estado brasileiro e que, mesmo diante de ataques injustos e de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, nunca abriu mão da defesa da democracia e do interesse nacional. Essa história não é só familiar, ela é parte da história do país, e é uma inspiração permanente pra seguir acreditando que vale a pena fazer política com princípios e responsabilidade.
Eu quero um PT que siga fiel à sua origem, mas que não tenha medo de se atualizar. Um partido que entenda que a juventude hoje vive sob precarização do trabalho, crise climática, violência, ansiedade e falta de perspectiva de futuro. Não basta falar para a juventude, é preciso construir com ela.O desafio não é só melhorar a comunicação, embora isso seja importante. É fortalecer a participação, disputar valores, estar presente nos territórios, nas escolas, nas universidades, nas periferias e também nas redes. O PT precisa seguir sendo um partido de base, mas preparado para enfrentar os desafios do século XXI: tecnologia, soberania digital, transição ecológica e democracia num mundo cada vez mais radicalizado. Conectar com as novas gerações é mostrar, na prática, que a política ainda é capaz de mudar a vida das pessoas.”
‘O PT precisa se abrir como um espaço de experimentação de novas ideias’
Eugenia Lima, vereadora do PT Olinda (PE)
“Acredito na política porque ela é, antes de tudo, a ferramenta coletiva de transformação da realidade. Eu poderia ter escolhido outros caminhos, mas nenhum tem o poder de mudar a vida de milhões de pessoas de forma estrutural como a política pode fazer. Minha geração cresceu vendo o que a política pode realizar. Com os governos do PT vimos o Brasil sair do mapa da fome, milhões acessarem a universidade, famílias conquistarem sua casa própria. Isso é projeto político. Lula e o PT foram a principal força motriz desses projetos. Fazer política pelo PT é herdar essa história de lutas. Meu mandato em Olinda resgata práticas que estão no DNA do PT. Nossas principais propostas nascem de reuniões de bairro, de escuta ativa feita nos segmentos sociais e culturais. Quero que as pessoas em Olinda voltem a acreditar que a política pode, sim, melhorar seu bairro, sua rua, sua vida.
O PT que eu quero e pelo qual luto é um partido que seja, ao mesmo tempo, fiel à sua história e ousado na sua reinvenção. Fiel aos princípios de defesa dos trabalhadores, da democracia e da justiça social. Ousado em seus métodos, em sua comunicação e em sua capacidade de dialogar com os anseios mais profundos da sociedade. Temos desafios pela frente. Nossa defesa intransigente dos direitos humanos precisa ser tão veemente na defesa do meio ambiente, da diversidade e do combate ao racismo, ao machismo e à violência digital quanto sempre foi na defesa do salário mínimo e melhores condições de trabalho. O PT precisa, também, se abrir como um espaço de formação política crítica, de experimentação de novas ideias e de protagonismo real. Precisamos de jovens não só filiados, mas formados para disputar ideias em todas as arenas. O PT deve ser a trincheira mais avançada da ética na política. Isso significa transparência radical, financiamento coletivo, mandatos compartilhados e uma prática cotidiana que mostre que somos diferentes. O PT que eu sonho é um partido que não tenha medo do novo, que dialogue com a consciência das ruas, que abrace a tecnologia para democratizar o debate e que, acima de tudo, continue sendo a principal ferramenta de construção de um mundo onde caibam todos. Essa é a esperança que me sustenta todos os dias.”
‘Quero um partido que mantenha seus pés fincados no barro, nas periferias’
Dandara Tonantzin, Deputada Federal, PT/Minas Gerais
“Eu não cheguei até aqui por um projeto individual, mas como fruto de uma construção coletiva, vinda das lutas estudantis, do movimento negro e da defesa da educação pública. Para uma mulher negra, jovem e vinda da periferia, ocupar esses espaços de poder é um ato de resistência e uma necessidade urgente de pautar quem sempre foi silenciado pela história oficial. Minha escolha pelo Partido dos Trabalhadores se dá por uma identificação profunda com a sua trajetória, que nasceu das mãos dos trabalhadores e que teve a coragem de implementar as maiores políticas de inclusão social deste país. Estar no PT é dar continuidade ao legado das cotas raciais, do Prouni e da valorização do salário mínimo, mas com o frescor de uma nova geração que sabe que precisamos avançar ainda mais no combate ao racismo estrutural, na defesa do meio ambiente e na garantia de que a juventude negra permaneça viva e com oportunidades.
O PT que eu projeto para o futuro é um partido que tenha a coragem de ser cada vez mais a cara do Brasil: negro, feminino, jovem e popular. Quero um partido que não apenas dialogue com as instituições, mas que mantenha seus pés profundamente fincados no barro, nas periferias e nos movimentos sociais, renovando sua capacidade de indignação e de esperança. O desafio de se conectar com as novas gerações passa por entender que a juventude de hoje vive novas formas de precarização, como a “uberização” do trabalho, e que ela busca respostas para a crise climática e para o genocídio da juventude negra. Para vencer esse desafio, o partido precisa dominar a linguagem da era digital sem perder a essência do olho no olho, combatendo as fake news com a verdade das nossas entregas. Precisamos ser o partido que pauta a tecnologia a serviço da vida, que defende uma educação pública conectada com os novos tempos e que aprofunda radicalmente a democracia interna, abrindo passagem para que novas lideranças: mulheres pretas, quilombolas, indígenas e LGBTs, não sejam apenas quadros de apoio, mas as protagonistas das decisões. O futuro do PT depende da nossa capacidade de mostrar que a política ainda é o melhor caminho para mudar o mundo, transformando a rebeldia da juventude em força transformadora dentro do projeto democrático e popular.”
‘Quero um PT que fale com a juventude a partir de suas vidas reais’
Ana Julia Pires , Deputada Estadual, PT/Paraná
“A gente está muito acostumado a ouvir as pessoas dizerem que a política não muda nada e que a política não importa. Na realidade, eu acredito na política porque eu sempre enxerguei que é a única ferramenta que os trabalhadores têm para conquistar os seus direitos. Nós não temos dinheiro, nós não temos influência, nós não temos capital social, cultural, financeiro ou qualquer uma dessas coisas que é importante para as elites. Tudo o que nós temos são as ferramentas para mobilizar a sociedade. Tudo que nós temos para mudar qualquer coisa que seja é através da disputa política, é disputando esses espaços e podendo, dessa forma, colocar o que nós precisamos melhorar na vida das pessoas. Escolhi o PT para fazer essa luta, porque na realidade o PT me escolheu antes. Eu sou filha de trabalhadores, neta de trabalhadores, conquistei tudo que tenho na minha vida, tudo que eu sei da minha vida vem através do fruto do suor do trabalho. A gente sabe que ainda está muito longe de viver uma sociedade justa, de viver uma sociedade igualitária, de viver uma sociedade que respeita as mulheres.
Quero um partido fiel à sua história de luta, ao projeto que elegeu o presidente Lula e reconstrói o Brasil, mas cada vez mais conectado com as novas gerações. Um PT que fale com a juventude a partir das suas vidas reais: educação pública forte, trabalho com direitos, saúde mental, igualdade para as mulheres e combate às desigualdades. O desafio é construir uma verdadeira transição geracional: atualizar caminhos sem perder raízes, somando a experiência de quem fez o partido nascer com a energia de quem está chegando agora. Disputar as redes com verdade, fortalecer a base e abrir espaço para mais jovens nos espaços de decisão. A nossa tarefa é unir gerações para que o PT siga sendo esperança concreta. Com diálogo, responsabilidade e coragem para transformar, mantendo o que nos trouxe até aqui e abrindo espaço para o Brasil que está nascendo agora.“
‘O PT do futuro precisa acolher a diversidade em sua plenitude’
Thainara Faria, Deputada Estadual , PT/São Paulo
“Eu sou de uma geração que colheu os frutos dos governos do PT, sou resultado das políticas públicas implementadas nos governos Lula e Dilma. Acredito na política como instrumento de mudança real na vida das pessoas e, sendo beneficiária de programas como o PROUNI, o Minha Casa, Minha Vida, não haveria outro partido que não fosse o PT para construir o modelo de país que acredito. Penso que os partidos de esquerda, como um todo, têm hoje um grande desafio: a aproximação real com a sociedade, em especial com a juventude. Falar a língua dos jovens exige, antes de tudo, saber ouvir o que eles têm a dizer, compreender suas demandas concretas e estabelecer canais de diálogo que não reproduzam uma comunicação vertical, de cima para baixo.
O PT é um partido em constante construção e precisa se reinventar diante das dinâmicas e dos modos de organização das novas gerações. Enquanto isso, a direita, com discursos superficiais e simplificadores, tem ocupado espaço, promovendo a alienação e a manipulação política. Romper com essa lógica do diálogo raso e avançar no aprofundamento dos temas passa, necessariamente, pela criação de espaços reais de escuta ativa, inclusive por meio do uso crítico e estratégico das novas tecnologias. Essa tarefa é urgente. O PT do futuro precisa, de fato, acolher a diversidade em sua plenitude, garantindo ambientes livres de qualquer forma de desigualdade de gênero e raça. A democracia que queremos construir e o partido que buscamos fortalecer devem ter esse compromisso como norte.”
‘O que quero para o futuro é um PT que se reinvente sem perder a essência’
Kaique Ara, Vereador do PT em Camaçari (BA)
“É pela política que a gente consegue reduzir as desigualdades sociais, reparar as questões históricas do nosso país. Não tenho dúvida que a política é o melhor caminho para que a gente possa proporcionar ao povo brasileiro qualidade de vida. Escolhi o Partido dos Trabalhadores por compreender que esse é um partido que dialoga com o que eu penso, é o que consegue me apresentar um programa para a sociedade, para as pessoas mais pobres desse país, para as pessoas que precisam melhorar de vida, melhorar suas condições de vida, e a população negra, a população LGBT, as mulheres, a nossa juventude periférica, tem neste partido uma perspectiva de futuro, sem dúvida o partido representa isso para a minha geração, para a geração de novos petistas que compreendem nesse partido a perspectiva de um futuro melhor para o Brasil. O PT que eu quero para o futuro é um PT que continue se atualizando, que tenha a capacidade de se reinventar, mas sem perder sua essência, sem perder suas origens, sem desconhecer suas raízes.
É óbvio que para as próximas gerações ter um partido que dialogue de forma tecnológica, de forma inovadora, compreendendo os desafios da sociedade contemporânea é fundamental. E eu enxergo isso no PT. Eu enxergo que a nossa juventude, as gerações que têm assumido papel de protagonismo, não só nos parlamentos do Brasil afora, mas também nas assembleias legislativas, na Câmara Federal, é quem vai fazer esse partido ter mais longevidade e poder proporcionar ao nosso povo a capacidade de enxergar a sua condição de mudança de vida para melhor. É esse partido que eu quero, é esse partido que eu construo todos os dias.”
‘Conectar o PT com essas novas gerações é falar de coragem, de ousadia’
Camila Moreno, direção executiva nacional do PT
“Só a política é capaz de transformar a sociedade. A gente precisa enfrentar as desigualdades, enfrentar as opressões, a gente precisa construir um mundo melhor e mais justo para todos e todas. É por isso que eu acredito no PT. Foi através do PT que eu vi a periferia chegar à universidade, vi as famílias terem direito a viajar de avião pela primeira vez, eu vi o salário ficar mais justo para as famílias trabalhadoras. A política tem que ser feita com compromisso popular, com compromisso de transformação. Nós não somos o maior partido de esquerda da América Latina à toa. A gente representa um compromisso real com a vida do povo. O PT é uma ideia de país que sobreviveu a muitos ataques. Disseram que a gente acabaria quando o PT foi fundado, disseram que a gente acabaria quando Lula perdeu a eleição em 89, que a gente acabaria no início do governo Lula, e que acabaria depois do golpe contra a presidenta Dilma. Foi no PT que eu aprendi que a gente precisa organizar a nossa raiva e a nossa indignação. Foi no PT que eu aprendi que ninguém muda o mundo sozinho.
Então, dizer que eu sou de uma nova geração que constrói o PT não significa negar o que veio antes. Mas, sem dúvida, todo instrumento precisa atualizar a sua forma de construção. É por isso que a gente precisa também acreditar que tem uma nova geração construindo o PT com as mesmas ideias que fundaram o nosso partido. A gente tem uma juventude pulsante na Camila Jara, na Dandara, nossas deputadas federais. Na Laura Sito, nossa deputada estadual. Temos, nas câmaras municipais, nomes como a Brisa em Natal, como a Tainá de Paula, no Rio de Janeiro. A gente tem que contaminar mais pessoas com a ideia de que é preciso construir o Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores.Se muito vale o que foi feito, mais vale o que será, já dizia Che Guevara. Precisamos falar do fim da escala 6×1, defender a tarifa zero, que as pessoas têm direito a viver bem e não apenas resistir e trabalhar. Conectar o PT com essas novas gerações é falar de coragem, de ousadia, é atuar em pautas concretas e falar de sonho. As ideias que fundaram o PT estão muito vivas e a gente ainda precisa transformar esse mundo.”
Germana Accioly e Ramíla Moura, para a Redação do PT.








