Unidas pela vida das mulheres: vítima de feminicídio lembra a dor em sessão solene
Em homenagem na Câmara por Dia Internacional da Mulher, deputadas e mulheres protestaram contra violências de gênero e política, desigualdade salarial e a escala 6×1
Publicado em
Apelos pelo fim da violência de gênero e política, do feminicídio e da escala 6×1 marcaram a sessão solene do Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira (4), na Câmara dos Deputados. Os alertas foram reforçados pelos números do Relatório Anual de 2025: o Brasil registrou 6.904 vítimas de feminicídio, entre casos consumados e tentados, no último ano.
A sessão contou com a presença de Bárbara Penna, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio e crime vicário em 2013. A ativista, que há mais de 12 anos teve 40% do corpo queimado e perdeu os dois filhos no crime, disse que as marcas da violência são permanentes. “Acordei sendo espancada, tive o corpo incendiado fui jogada ainda em chamas pela janela do terceiro andar. Meu algoz também matou nossos dois filhos pequenos. Meu filho Henrique, na época, tinha três meses, e a minha filha Isadora tinha 2 anos.”
Bárbara é hoje ativista pelo direito das mulheres e luta pelo endurecimento de penas dos criminosos. “Vivo diariamente com a dor no corpo por causa das queimaduras, e também com a dor do luto. Não há nada que eu faça, nenhum procedimento cirúrgico, capaz de amenizar a saudade que sinto”, desabafou.
A ativista continuou seu discurso pedindo políticas públicas eficientes e a atenção das autoridades durante todos os meses do ano, não apenas em março – marcado como o mês da mulher. “Antes de a tragédia acontecer em nossas vidas, eu fui até a delegacia efetivar a denúncia, e lá dentro fui desmotivada. Entrei naquela delegacia com medo e saí ainda mais amedrontada, sem conseguir encerrar o ciclo de violência”.
Ao encerrar, ela reforçou o apelo por uma mobilização que ultrapasse datas simbólicas. “Que não seja uma união só no Dia Internacional da Mulher [8 de março], que não seja só neste mês de março — e que possamos nos unir com um único propósito: o fim da violência contra as mulheres”, disse.
Os números da violência também dominaram os discursos. Segundo dados citados pela deputada Benedita da Silva (PT-RJ), foram 21 milhões de vítimas em 2025, com mais de 37% das mulheres brasileiras tendo sofrido algum tipo de violência no mesmo ano. O levantamento aponta ainda 1.470 feminicídios em 2025 — quatro mulheres assassinadas por dia pelo simples fato de serem mulheres. “Políticas que defendam a vida das mulheres e das crianças não podem ser consideradas gasto, mas investimento na garantia das nossas vidas”, concluiu a parlamentar.
Sub-representação e fim da 6×1
“As mulheres da bancada feminina representam hoje 44% da produção legislativa deste poder institucional. Estamos presidindo oito comissões, além de termos presença na mesa diretora”, destacou a Coordenadora-Geral da Secretaria da Mulher da Câmara, a deputada Jack Rocha (PT-ES).
A deputada Carol Dartora (PT-PR) também observou durante a sessão, que as mulheres representam menos de 20% na Casa, sendo que formam a maioria da população brasileira: 51,5%.
Erika Kokay (PT-DF) destacou que “uma das urgências que temos que estabelecer nesta Casa é a necessidade de eliminarmos a jornada 6×1 — que, para as mulheres, não é 6×1, mas 7 a 0, porque é uma construção de gênero que estabelece os espaços privados, os espaços domésticos e os cuidados domésticos como exclusividade das mulheres”.
Pacto Brasil Contra o Feminicídio
Durante a sessão, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou o lançamento do Pacto Brasil Contra o Feminicídio em fevereiro deste ano, e prosseguiu com a importância da união do Executivo, Legislativo e Judiciário para combater o problema em escala nacional. “A defesa da vida, da dignidade dos direitos das mulheres é uma agenda suprapartidária, é uma agenda da sociedade brasileira e uma agenda do futuro. Não se trata de uma pauta de um governo, trata-se de uma pauta da civilização.”
O Pacto Brasil Contra o Feminicídio é o compromisso dos três Poderes para atuar de maneira harmônica e cooperativa na adoção de ações de enfrentamento do feminicídio e para a garantia da vida das mulheres no país. Entre os objetivos listados estão fortalecer a rede de proteção e a eficácia das medidas protetivas, promover a responsabilização ágil de agressores e transformar a cultura institucional e social por meio da educação, do combate ao machismo estrutural e do enfrentamento à violência nos ambientes digitais.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da Liderança do PT na Câmara.
