Vazamento ilegal de dados de Vorcaro expõe origem do esquema no governo Bolsonaro

Documentos revelam conexões entre o escândalo do INSS e o esquema BolsoMaster, mas não demonstram elos com integrantes do governo Lula

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o vazamento ilegal dos dados do banqueiro Daniel Vorcaro desmonta a tentativa da oposição de vincular o atual governo ao escândalo envolvendo descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o parlamentar, as informações reveladas comprovam que não há qualquer integrante do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas conversas e tratativas do banqueiro.

De acordo com Pimenta, as transcrições reforçam que as articulações ocorreram durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e envolvem personagens que ocupavam posições estratégicas naquele período. “Tudo o que apareceu até agora só confirma aquilo que sempre dissemos: não tem ninguém do PT e não tem ninguém do governo Lula nos contatos de Daniel Vorcaro. Todas as tratativas são com pessoas que estavam em posições de comando no governo Bolsonaro”, afirmou.

O deputado destacou que os registros mostram diálogos sobre a estruturação de operações financeiras e sobre o processo que levou o antigo Banco Máxima a se transformar no Banco Master. Segundo ele, as negociações ocorreram entre 2018 e 2019, dentro da gestão Bolsonaro, com interlocução com pessoas ligadas ao Banco Central do Brasil.

Para Pimenta, os documentos também levantam suspeitas sobre a criação de um modelo de crédito associativo citado por Vorcaro em conversas privadas. O parlamentar questiona se essa estrutura pode ter servido de base para o mecanismo de descontos associativos que atingiu aposentados e pensionistas do INSS.

“Ele fala claramente de uma operação de mercado inovadora baseada em crédito associativo e menciona entidades que poderiam fazer parte desse sistema. Precisamos saber que entidades são essas, porque isso pode estar diretamente ligado ao caminho que permitiu a fraude contra aposentados”, disse.

Segundo o deputado, uma das conversas menciona uma associação com cerca de 60 mil filiados pagando mensalidades de R$ 84, o que representaria uma arrecadação anual próxima de R$ 60 milhões. Para Pimenta, esse modelo coincide com o funcionamento das entidades que posteriormente passaram a realizar descontos em benefícios previdenciários.

O parlamentar afirma que os indícios revelam uma conexão entre o escândalo do INSS e a ascensão do Banco Master no esquema BolsoMaster. “Estamos diante de uma engrenagem que envolve interesses financeiros, operadores políticos e decisões tomadas dentro do governo Bolsonaro para viabilizar esses esquemas”, afirmou.

Pimenta também citou a proximidade entre Vorcaro e figuras influentes do governo anterior, como o senador Ciro Nogueira, e defendeu que as investigações avancem para esclarecer se relações políticas resultaram em medidas que beneficiaram o banco ou estruturas associativas ligadas ao esquema.

Segundo o deputado, decisões administrativas do governo Bolsonaro — incluindo portarias e decretos editados por ministros da área econômica e política — podem ter criado as condições para o funcionamento dessas operações.

“Tudo indica que o roubo do INSS e o escândalo do Banco Master nasceram no mesmo ambiente político e regulatório. Esse conjunto de evidências aponta para o que estamos chamando de esquema BolsoMaster”, concluiu.

Pimenta defendeu que a Polícia Federal do Brasil e a CPMI do INSS aprofundem as investigações para identificar todos os responsáveis e esclarecer as conexões entre os operadores financeiros, as entidades associativas e os agentes políticos envolvidos.

Da Rede PT de Comunicação 

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