Trump mente: Escritório Comercial dos EUA confirma déficit do Brasil na balança

Jornal Correio da Manhã acessou informações que comprovam robusto superávit de US$ 29,9 bilhões mantido pelos EUA com Brasil em 2024, confirmando dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Serviços

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Dados do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês) desmentem as justificativas do presidente estadunidense, Donald Trump, para o tarifaço de 50% sobre parte dos produtos brasileiros. O jornal Correio da Manhã acessou informações contidas no próprio site do USTR que provam que os EUA não mantiveram déficit comercial com o Brasil em 2024, mas sim um robusto superávit de US$ 29,9 bilhões, considerando bens e serviços.

As exportações de bens dos EUA para o Brasil chegaram a US$ 49,1 bilhões no ano passado, resultando em superávit de US$ 6,8 bilhões para os estadunidenses. No setor de serviços, a balança foi ainda mais favorável, com exportações de US$ 29,6 bilhões e superávit de US$ 23,1 bilhões no período. Os números são confirmados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que aponta déficit brasileiro de mais de US$ 28 bilhões.

Apesar das estatísticas incontestáveis, o USTR leva adiante uma investigação unilateral sob a alegação de práticas desleais por parte do Brasil, baseado na Seção 301 da legislação comercial dos EUA e com acusações infundadas sobre o Pix, proteção de propriedade intelectual e desmatamento.

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Alegações improcedentes

Na segunda-feira (18), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) enviou ao USTR um conjunto de respostas para rebater a investigação. Em vasta e detalhada argumentação, o governo brasileiro sustenta que cumpre as normas bilaterais e demonstra que as reclamações dos EUA são improcedentes.

O documento reafirma que as políticas brasileiras investigadas são transparentes, não discriminatórias, e que estão em plena conformidade com as melhores práticas internacionais e com as obrigações do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC).

“O Brasil insta o USTR a reconsiderar o início desta investigação e a iniciar um diálogo construtivo. Medidas unilaterais previstas na Seção 301 podem comprometer o sistema multilateral de comércio e ter consequências adversas para as relações bilaterais”, aponta o governo brasileiro.

“Não há prejuízo às empresas norte-americanas em comparação com companhias de outros países”, acrescenta.

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A respeito do Pix, o MRE destacou que as regras de operação almejam a segurança, a estabilidade e a proteção do consumidor. Ressalta também que não há restrições discriminatórias a empresas estrangeiras e que a nova forma de pagamento ampliou a participação dos brasileiros no sistema bancário e ganhou elogios de entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em defesa da soberania nacional

Desde que Trump decidiu investir contra a economia do Brasil, tanto para pilhar riquezas nacionais quanto para tentar evitar que Jair Bolsonaro seja condenado e preso por tentativa de golpe de Estado, o governo Lula tem-se manifestado em favor da soberania nacional. O presidente censurou as condutas caudatárias do clã-Bolsonaro em conluio com a Casa Branca para sabotar o país e anunciou um pacote de socorro aos exportadores.

Há pouco mais de uma semana, o Brasil solicitou consultas à OMC sobre o tarifaço. O Itamaraty afirma que as medidas desproporcionais determinadas por Trump são inconsistentes com as obrigações dos EUA sob diversas disposições do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, sigla em inglês) e do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU, sigla em inglês).

“O Brasil aguarda uma resposta dos Estados Unidos a este pedido e a definição de uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”, afirma.

Nesta terça (19), representantes de Washington na OMC se limitaram a dizer que o tarifaço é “questão de segurança nacional”.

Da Redação, com informações do Correio da Manhã

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