‘A cabeça só pensa onde os pés pisam’: PT aposta na criação de núcleos populares

Com grupos formados a partir de cinco pessoas, proposta liderada pela Secretaria de Nucleação busca fortalecer debate político nas comunidades e movimentos sociais em todo o país

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Fazer política olhando no olho, vivenciando o território, escutando as pessoas e incorporando lutas coletivas. Esse é o mote principal de atuação da Secretaria Nacional de Nucleação do PT, coordenada por Claudinha Lima. “Não tem como a gente falar da realidade se a gente não vivencia a realidade”, diz a secretária, se referindo à necessidade de estar mais perto das pessoas. Ela reconhece que atualmente é imperativo fortalecer o diálogo e promover espaços de participação popular.

“Tem um debate muito profundo nos próprios movimentos sociais da atualidade de que o PT se afastou das bases. Todos nós moramos em algum território, nós estamos na periferia, nós estamos nos centros urbanos, nós estamos no quilombo, nas comunidades rurais. Porém, nós hoje temos dificuldade de dialogar com esse território, mesmo estando lá. Nós temos dificuldade de dialogar com a realidade das pessoas que lá vivem”, atesta a secretária. 

É compreendendo esse desafio que a Secretaria de Nucleação do PT convida a militância e os simpatizantes do partido, em todo o país, para criar, fortalecer e reativar núcleos ou comitês populares. O partido quer consolidar, em todos os estados, e com a participação de todas as instâncias, o Sistema Nacional de Nucleação.

“O nosso grande desafio é deixar de falar para o povo e falar com o povo. Porque isso tem uma grande diferença. Quando a gente fala com o povo, a gente consegue identificar as vivências reais. Quando a gente só fala com eles, a gente passa o que a gente pensa para eles. Não necessariamente a gente está entendendo o que eles estão pensando. E a gente acaba não ouvindo. É um processo mútuo de escuta”, explica. 

A secretária acrescenta que os núcleos podem ser formados por filiados e não filiados, a partir da reunião mínima de cinco pessoas. O fundador do núcleo, porém, precisa ter filiação. Com a intenção de resgatar o relacionamento com as ruas, reativando ações de formação política, a campanha da nucleação estimula que a população forme grupos nas comunidades, nas igrejas, nas escolas, nas universidades, nas próprias casas, em associações e movimentos sociais, envolvendo todas as idades. 

“A gente conversa sobre tudo, mas que tal a gente se juntar para conversar sobre política? É uma tentativa de trazer para o presencial o debate da política. Sair um pouco dessa coisa de todo mundo achar que está fazendo política porque está na internet. É sair da política abstrata para a política real”, reflete.

A ideia é que destes pequenos grupos saiam propostas de ações públicas conectadas às rotinas e necessidades das pessoas. O formato de funcionamento dos núcleos ainda está sendo elaborado. A expectativa é que durante o Congresso Nacional do PT, que acontece em abril em Brasília, seja apresentada uma proposta de alteração do estatuto do PT para inserir o Sistema de Nucleação na estrutura partidária.

“Queremos que os núcleos tenham participação nos encontros estaduais, nos encontros municipais, que possam também tirar delegados, tirar delegadas”, explica.

A secretária diz, ainda, que a expectativa é constituir cerca de 2.500 núcleos em todo o país até o final do ano. Estados como Pará, Rio de Janeiro e São Paulo já estão se organizando para lançar as campanhas. 

“A nucleação é a base da nossa sustentação política. Nós não queremos transformar o mundo, mas nós achamos que se a gente conseguir estar mais enraizado no território, se a gente conseguir dialogar mais com as pessoas, a gente vai conseguir fortalecer o PT  pelos próximos 46 anos”, conclui . 

Da Rede PT de Comunicação.

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