Banco Master: ex-diretores do BC na gestão Campos Neto são alvo da CGU

Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, são apontados como “assessores informais” de Vorcaro

Kenzo Sukuki

Fachada da Controladoria-Geral da União, em Brasília.

A Controladoria-Geral da União (CGU) instaurou, segunda-feira, 23, uma investigação interna para avaliar as condutas de dois servidores do Banco Central (BC) suspeitos de serem “assessores informais” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O período apurado pela CGU vai de 2019 a 2023, época em que a presidência do BC era presidida pelo bolsonarista Roberto Campos Neto.

Os nomes dos servidores investigados são Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização da autarquia, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Eles foram afastados de suas funções por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Paulo Sérgio é suspeito de manipular informações sobre a atuação do Banco Master durante a presidência de Campos Neto. Entre 2022 e 2023, ele estava encarregado de checar as carteiras de crédito de empresas e fundos ligados ao banco de Vorcaro, mas não acusou nenhuma irregularidade.

Já Santana teria relação com supostos crimes na prestação de consultoria privada ao advogado Leonardo Palhares, um dos alvos da Operação Compliance Zero e sócio de Vorcaro.

De acordo com a PF, Paulo Sérgio e Santana tinham interlocução direta e regular com o dono do Master, “passando a atuar informalmente em favor dos interesses da instituição financeira submetida à supervisão da própria autarquia com a qual mantinha vínculo funcional”.

Os processos têm prazo de 60 dias para serem concluídos e foram instaurados após sindicância interna feita pelo Banco Central. O objetivo da investigação é averiguar a conduta administrativa dos suspeitos, pois, na esfera criminal, eles já são investigados.

Em nota à Rede PT de Comunicação, a CGU afirmou que “não comenta a abertura nem o andamento de processos administrativos disciplinares, que são conduzidos de forma sigilosa”.

Da Rede PT de Comunicação.

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