O Brasil terá, nestas eleições de 2026, o maior eleitorado de pessoas idosas da sua história. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que 37,5 milhões de brasileiras e brasileiros aptos a votar têm 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 23% do eleitorado nacional. O crescimento acompanha a mudança demográfica do país e reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao envelhecimento e participação social.
Em pouco mais de uma década, a presença desse segmento nas urnas aumentou significativamente. Em 2010, pessoas com 60 anos ou mais representavam 15,3% do eleitorado. Hoje, já ultrapassam 23%, um crescimento de quase oito pontos percentuais. Apenas na faixa entre 60 e 69 anos são quase 20 milhões de eleitoras e eleitores. Outros 16,6 milhões têm mais de 70 anos.
Segundo a coordenadora do setorial nacional da Pessoa Idosa do Partido dos Trabalhadores (PT), Maria Guido, a revolução da transição demográfica brasileira, que vai fazer com que o século 21 seja o século da pessoa idosa, está colocando a população idosa como protagonista. Assim como o presidente Lula afirmou de colocar o pobre no orçamento, “ele [Lula] agora vai colocar a pessoa idosa no orçamento, porque a gente que estuda, que faz pesquisa sobre envelhecimento, o que a gente constata é que os planos anuais, as leis diretrizes orçamentárias, plano diretor, nada disso contempla políticas para a pessoa idosa”, disse.
O envelhecimento da população brasileira também altera o centro do debate político. Temas como fortalecimento do SUS, acesso à saúde, previdência, assistência social, combate à violência contra a pessoa idosa e políticas de cuidado passam a ocupar espaço cada vez maior nas prioridades da sociedade.
De acordo com o professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB), José Donizeth, no Brasil o envelhecimento da população é claramente perceptível e, por isso, é importante “um reposicionamento da esquerda” para que “os partidos levem em conta esta nova realidade”. “O partido tem que encontrar bandeiras para atrair essas pessoas, questões específicas como a segurança, mobilidade, saúde e cultura para a participação desse segmento”, pontua o professor.
Na convenção realizada no domingo passado, 2, em São Paulo, o presidente Lula se comprometeu em trabalhar para melhorar a vida das pessoas idosas, com políticas públicas direcionadas para esse segmento da população.
“Eu sou presidente pela quarta vez porque eu quero pagar uma dívida com os idosos desse país. É preciso que a gente saiba que a nossa população envelheceu”,disse.
O presidente Lula disse que há muitas pessoas idosas abandonadas e é preciso ter um olhar para elas. “Essa é uma coisa que eu sonho e eu vou fazer. Nós precisamos criar um programa para o idoso, não para ele ficar trancado. Queremos que ele tenha um lugar em que ele possa nadar, possa dançar, possa ler, possa ter filme, possa caminhar, possa fazer o que ele quiser até namorar se ele encontrar uma parceira”, afirmou.
O voto é facultativo para pessoas acima de 70 anos, mas milhões de idosas e idosos participam ativamente da vida política do país e das eleições, reafirmando seu compromisso com a democracia. A Constituição Federal garante esse direito sem impor a obrigatoriedade, preservando a autonomia dessa parcela da população.
Outro dado que chama atenção é a presença feminina entre a população idosa. Segundo o TSE, as mulheres são maioria em todas as faixas acima dos 60 anos, chegando a representar mais de dois terços entre as pessoas com 90 anos ou mais.
Presença ativa da terceira idade
A coordenadora do PT, Maria Guido, afirma que existe ainda na nossa sociedade o preconceito do idadismo estrutural (a discriminação que as pessoas sofrem com base na idade, especialmente com a pessoa idosa) que não foi superada pela sociedade. “E essa é uma batalha nossa dos militantes, dos acadêmicos, dos pesquisadores e de todos nós que defendemos os direitos da pessoa idosa”, comenta.
A população idosa no Brasil na atualidade demonstra um compromisso com o destino do Brasil. Mesmo entre os cidadãos com mais de 70 anos, aos quais a legislação garante o voto facultativo como um direito e sem penalidades, o comparecimento tem se mantido firme.
A abstenção na faixa etária acima dos 60 anos vem caindo sucessivamente nas últimas eleições gerais, provando que o idoso brasileiro faz questão de usar a sua voz e a sua experiência para defender o desenvolvimento social, a saúde pública, a previdência forte e o custo de vida controlado.
A lembrança do primeiro voto em Lula, depois da ditadura
O aposentado Valdir Vasconcelos, 77 anos, relembra que ele não pôde votar quando fez 18 anos, em 1967, pois o país estava em plena ditadura, portanto, não havia eleições diretas. “Então, a primeira eleição direta em que votei para presidente aconteceu em 1989. Votei no Lula, por seu histórico como sindicalista no ABC paulista”, conta.
Para Valdir, o voto facultativo não o impediu “de cumprir o seu dever cívico”. “Não perdi a esperança de, através das urnas, contribuir para que o Brasil alcance uma situação de igualdade social, em que todos usufruam de boa educação, saúde e segurança”, declara.
Ao mesmo tempo, a representatividade da terceira idade também cresce dentro da própria política: nas últimas eleições, o número de candidatos com 60 anos ou mais bateu recordes históricos no TSE, superando 15% do total de postulantes aos cargos públicos.
A coordenadora do setorial petista relata que as pessoas idosas têm uma tradição de exercer o direito de voto. “A gente reconhece que o voto é um instrumento de manutenção da democracia”, diz ela, apostando que a grande maioria dos idosos vai comparecer para votar.
Governo Lula fortalece políticas de cuidado
O presidente Lula, com os seus 80 anos, faz parte desse grupo e tem um cuidado particular com as pessoas idosas. Para responder às necessidades desse segmento da população cada vez mais expressivo, o terceiro mandato do presidente Lula colocou a atenção à pessoa idosa no centro da agenda de reconstrução nacional.
Apesar de os governos anteriores terem retirado direitos e desmontado políticas públicas de proteção social, o Governo Lula trabalha para que o envelhecimento no Brasil ocorra com dignidade, autonomia e amparo público.
Segundo Maria Guido, a política de cuidados é um eixo fundamental do Governo Lula. “O SUS tem também a política das especialidades, tem a política da Farmácia Popular, que é uma política pública super importante para a população idosa”, relata.
Dentre as principais iniciativas do governo Lula tem-se o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil), lançado pelo Ministério da Saúde para levar atendimento multiprofissional diretamente às residências de pessoas com 60 anos ou mais que apresentam limitações funcionais ou dificuldades de locomoção. A estratégia fortalece a Atenção Primária do SUS, amplia o acompanhamento em casa e oferece suporte também às famílias e aos cuidadores.
Outra ação estruturante é o Melhor em Casa, desenvolvido no âmbito do Plano Nacional de Cuidados. O programa integra as redes do Sistema Único de Saúde (SUS) e da assistência social para garantir atendimento domiciliar às pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, ao mesmo tempo em que oferece apoio aos familiares responsáveis pelos cuidados diários. A iniciativa representa um novo modelo de proteção social voltado ao envelhecimento da população brasileira.
As políticas se somam ao fortalecimento do SUS, à valorização da aposentadoria, à política permanente de reajuste do salário mínimo e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) fundamentais para milhões de aposentados e pensionistas que garantem a proteção social e a promoção da qualidade de vida da população idosa.
Uma importante retomada do governo Lula foi também o programa Farmácia Popular. Com a expansão do programa, milhões de idosos voltaram a ter gratuidade de 95% dos medicamentos e insumos essenciais para o controle de hipertensão, diabetes, colesterol, entre outros.
De acordo com os dados do Ministério da Saúde, o governo Lula prevê investimentos de R$ 31 bilhões até o final de 2026 para o programa Farmácia Popular.
Em um Brasil que envelhece cada vez mais, garantir direitos, ampliar o acesso à saúde, fortalecer a rede de cuidados e assegurar condições para uma vida digna deixa de ser apenas uma política pública e passa a ser um compromisso democrático.