Brasil de Bolsonaro: desemprego, informalidade e retirada de direitos
“Os dados da realidade estão contestando a retórica neoliberal, que promoveu a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária”, afirma Marcio Pochmann sobre IBGE
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Defensor do neoliberalismo, Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito com a promessa de retomar o crescimento econômico no país. Entretanto, em menos de um ano já é possível perceber o quão ineficiente tem sido a política econômica do atual governo. Junto com o ministro da Economia Paulo Guedes, Bolsonaro insiste em retirar os direitos dos trabalhadores brasileiros que cada vez mais se submetem à condições precárias de emprego.
Novo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta quinta-feira (31) indica que a informalidade no mercado de trabalho continua batendo recorde. Já são mais de 38 milhões de trabalhadores nessas condições. De acordo com o IBGE, 11,8 milhões de pessoas estão sem carteira assinada no setor privado, um aumento de 2,9% relativo ao último trimestre. Já os trabalhadores por conta própria somam 24,4 milhões de pessoas, alta de 1,2%.
Para o economista Marcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo (FPA), a estagnação do mercado de trabalho evidencia o fracasso da ideologia neoliberal, base para as reformas absurdas adotadas nos últimos anos: “Os dados da realidade estão contestando a retórica neoliberal, que promoveu a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária. O argumento utilizado era de que o custo de contratação, recorrente à legislação trabalhista e da aposentadoria, desfavorecia a abertura de empregos formais. Como estamos percebendo, isso é uma inverdade”, declarou à Agência PT.
“Política econômica para poucos”
Na avaliação de Pochmann, o aumento da informalidade, as reformas aprovadas e a inércia do atual governo contribuem para uma maior desigualdade social no país: “Embora exista uma pressão para que a economia volte a crescer, ela está praticamente paralisada. Com essas mudanças no mundo do trabalho, 90% da população mais pobre perdeu renda, enquanto os 10% mais ricos aumentaram sua participação na renda. No último ano, o 1% mais rico elevou seus rendimentos em 10%. É uma política econômica para poucos”.
Dos 93,8 milhões de brasileiros que estão trabalhando, 38,8 milhões são informais, o que representa mais de 40% do total. Somente 33,1 milhões de trabalhadores têm carteira assinada. Enquanto isso, o número de desempregados continua crítico, acima dos 12 milhões.
No último ano, o 1% mais rico elevou seus rendimentos em 10%. É uma política econômica para poucos, disse Pochmann
A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta nacional do PT, destacou os diferentes cenários econômicos existentes no país, onde o governo se preocupa em beneficiar sempre os mais ricos:
Duas notícias discrepantes: lucro do Bradesco foi de R$ 6,5 bilhões no 3º trim, alta de 19,6%; do outro lado, desemprego persiste atingindo 12,5 milhões de pessoas, com destaque para criação de vagas precárias – 41,4% dos trabalhadores ocupados estão na informalidade
— Gleisi Lula Hoffmann (@gleisi) October 31, 2019
O alto número de desempregados, praticamente inalterado, e o crescimento constante da informalidade indicam um panorama preocupante para o trabalhador brasileiro: “O mercado de trabalho brasileiro está passando por uma desestruturação, com redução dos empregos assalariados. Estamos vendo um movimento de destruição da sociedade salarial, com o aumento da informalidade. Ou seja, o emprego formal está perdendo importância no país”, avalia Pochmann.
Da Redação da Agência PT de Notícias