Brasil e Vietnã aprofundam relações diplomáticas

Países assinaram Plano de Ação para Implementação de Parceria Estratégica 2025-2030, documento que reúne prioridades bilaterais dos próximos cinco anos. “Nos ajudará a avançar em diversas áreas”, comemorou presidente Lula

Ricardo Stuckert

“Meu governo tem interesse em reconhecer o Vietnã como economia de mercado", disse Lula, em Hanói

Depois de visitar a cidade de Tóquio, onde costurou 10 acordos de cooperação internacional sensíveis ao Brasil, o presidente Lula chegou a Hanói, capital do Vietnã, para adensar relações diplomáticas com o país asiático. Nesta sexta-feira (28), Lula e o presidente vietnamita, Luong Cuong, assinaram o chamado Plano de Ação para Implementação de Parceria Estratégica 2025-2030. O documento consolida as prioridades bilaterais durante os próximos cinco anos: defesa, economia, comércio, investimentos, agricultura, segurança alimentar, ciência, tecnologia, sustentabilidade, transição energética, assuntos consulares, entre outros.

Lula desembarcou no Aeroporto Internacional de Noi Bai, em Hanói, ainda na quinta (27). Hoje de manhã, hora local, o petista foi recebido pelo presidente do Vietnã e cumpriu agenda cerimonial em homenagem aos mártires e heróis da Revolução Vietnamita. Depois de reunião e de assinatura de atos, ele falou à imprensa e elogiou os resultados do encontro. “Adotamos um plano de ação abrangente para o período 2025-2030, que nos ajudará a avançar em diversas áreas”, comemorou Lula.

Nas relações Brasil-Vietnã, a Parceria Estratégica 2025-2030 almeja aprofundar o diálogo político, reforçar a cooperação econômica, intensificar o fluxo de comércio e os investimentos e fortalecer a coordenação nos foros multilaterais. “Meu governo tem interesse em reconhecer o Vietnã como economia de mercado. Essas e outras medidas vão nos permitir ampliar os fluxos de comércio e de investimentos entre nossos países”, destacou Lula.

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Acordos e memorandos

O presidente assinou ainda dois acordos e dois memorandos. Os primeiros versam sobre o exercício de atividade remunerada por parte de dependentes de missões diplomáticas, repartições consulares e missões permanentes junto a organismos internacionais, além da troca e proteção mútua de informações classificadas. Já os memorandos tratam da cooperação comercial e industrial entre os países e parcerias ligadas ao futebol.

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Um dos objetivos do governo federal é abrir o mercado vietnamita à carne bovina brasileira, assim como foi feito no Japão dias antes. Lula falou em fazer do Vietnã “uma plataforma de exportação para o Sudeste Asiático”, com “investimentos de frigoríficos do Brasil”.

Mas o petista sinalizou que os produtos brasileiros de valor agregado também podem ser vendidos para o Vietnã. “Espero que a Vietnam Airlines avalie positivamente a oferta da Embraer para jatos da família E-Jets, ideais para a conectividade regional”, indicou.

Café resiliente

Sobre o café, especificamente, Lula disse que ambos os países, enquanto dois dos maiores produtores mundiais, precisam se unir para tornar o grão mais resistente às emergências climáticas. Recentemente, Brasil e Vietnã tiveram suas safras atingidas pelas consequências do aquecimento global, o que inflou os preços da commodity nas prateleiras dos supermercados.

“Estamos determinados a ampliar nosso intercâmbio técnico para fortalecer a resiliência da cultura do café. O Vietnã pode se beneficiar do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, proposto pelo Brasil, e ser remunerado por seu esforço de preservação ambiental”, propôs o presidente.

O governo brasileiro formalizou convite para que o Vietnã participe do encontro do Brics em julho, no Rio de Janeiro, e da COP30, em novembro, na cidade de Belém. “Para cumprirmos o Acordo de Paris, todos os países deverão adotar o mais alto grau de ambição possível dentro de suas circunstâncias de desenvolvimento”, pediu Lula.

Recepção em Hanói

Fora a cerimônia de boas-vindas, liderada pelo presidente vietnamita, a agenda do petista em Hanói foi marcada por encontros com os chefes dos outros três pilares do sistema político do país: o primeiro-ministro, Pham Minh Chính; o presidente da Assembleia Nacional, Tran Thanh Man; e o secretário-geral do Partido Comunista, Tô Lâm.

Lula participou da aposição de flores no Monumento aos Heróis e Mártires e visitou o Mausoléu de Ho Chi Minh, principal líder revolucionário da história do Vietnã, onde também depositou flores. A cerimônia de boas-vindas, no Palácio Imperial, teve a execução do hino brasileiro, revista às tropas e homenagens do governo socialista.

Relações Brasil-Vietnã

Brasil e Vietnã estabeleceram relações diplomáticas 35 anos atrás. Em 17 de novembro de 2024, a amizade foi elevada à condição de Parceria Estratégica, durante encontro de Lula com o primeiro-ministro vietnamita à margem da Cúpula do G20 ocorrida no Rio de Janeiro, quando o petista foi convidado a visitar Hanói.

Desde que assumiu a Presidência da República para um terceiro mandato, Lula já se reuniu três vezes com o premiê Pham Minh Chính: em Hiroshima, na Cúpula do G7 (2023); em Brasília, durante visita oficial (2023); e no Rio de Janeiro, na Cúpula do G20 (2024).

Entre os objetivos da atual visita de Lula ao Vietnã, destaca-se ainda a busca pelo fortalecimento da presença brasileira na região e das relações com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), bloco mais dinâmico do mundo em termos de crescimento econômico.

Comércio bilateral

O comércio entre o Brasil e o Vietnã só fez crescer nos últimos anos, saltando de US$ 534 milhões, em 2008, para US$ 7,7 bilhões, em 2024, um recorde da série histórica, com saldo positivo brasileiro de US$ 405 milhões. A meta conjunta é chegar a US$ 15 bilhões em transações comerciais até 2030.

O Vietnã é hoje a principal origem das importações nacionais oriundas da Asean, além de ser o 14º fornecedor mundial de produtos para o mercado brasileiro. O Brasil exporta mais para o país asiático do que para Portugal, Reino Unido, França ou Paraguai, por exemplo.

Em termos de agronegócio brasileiro, o Vietnã ocupa a quinta posição entre os países de destino. O Brasil fornece cerca de 70% da soja importada pelo mercado vietnamita, além de ser o principal abastecedor de carne suína (cerca de 37%) e o segundo maior de carne de frango e de algodão.

O Produto Interno Bruto (PIB) vietnamita cresceu 5,66% no ano passado.

Da Redação

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