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Cresce violência contra mulher com divulgação de pornografia de vingança

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha mostra aumento de relatos de abusos via internet, e que mais casos chegam à polícia

Dani Fi

Ato contra violência policial

Os casos de violência contra a mulher praticados na internet saltaram de 1,2% em 2017 para 8,2% este ano, segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o Datafolha. O levantamento entrevistou 1.092 mulheres. Segundo a consultora de projetos do fórum e uma das responsáveis pela pesquisa, Cristina Neme, a internet reproduz a insegurança das mulheres na sociedade.

“Podemos sinalizar que há uma ampliação do uso dessas ferramentas. Se antes não tínhamos tantas interações nesse ambiente, agora temos. O crescimento desse espaço virtual como espaço de interação vai reproduzir a vulnerabilidade da mulher à violência como ocorre no espaço público”, Cristina.

Outro tipo de ocorrência que aumentou, segundo a titular da Delegacia de Atendimento à Mulher de Duque de Caxias, Fernanda Fernandes, é o “estupro virtual”, quando a mulher é coagida a produzir conteúdo sexual sob ameaça de divulgação de fotos e vídeos. Ainda de acordo com a delegada,  o aumento no número de casos de violência virtual que chega à polícia é significativo, especialmente os relacionados a pornografia de vingança, quando o agressor divulga vídeos íntimos das vítimas.

“Depois de alterações na lei no ano passado, tipificando por exemplo a pornografia de vingança, os casos começaram a aparecer. Vivemos em uma sociedade machista, em muitos casos a vítima era culpabilizada. Por outro lado, o aspecto positivo é que, com as redes sociais, passamos a ter a materialidade do crime. A violência doméstica acontece entre quatro paredes e muitas vezes não tínhamos provas, com a internet é importante que as vítimas façam prints desses conteúdos e guardem esses registros”, explica a delegada.

Apesar dos avanços do Código Penal – com a tipificação do crime de importunação sexual, prática sem consentimento de ato libidinoso contra alguém e também a divulgação de cenas de sexo e pornografia contra a vontade – a lei ainda não protege totalmente as mulheres, segundo a advogada Tatiana Moreira Naumann.

“A legislação ainda é muito machista. A mulher tem uma vulnerabilidade muito grande, especialmente nas questões de família. Na disputa judicial, ela vai estar sempre desfavorecida”, aponta a jurista. Ouvida pelo O Globo, uma mulher relatou ter sofrido diversos tipos de violência na web, tendo um vídeo íntimo divulgado. As imagens foram divulgadas em 2010, mas até hoje ela não conseguiu retirar o conteúdo das plataformas pornográficas. Ela contou ao jornal ter sido dissuadida até por advogados de denunciar a agressão que sofreu.

“De tempos em tempos, alguém me avisa que viu o vídeo em algum site. A mulher, embora seja a vítima, sempre recebe a culpa. Afinal, por que eu fui tirar a roupa para um desconhecido? Tem ideia de quantas coisas eu deixei de fazer por medo de esse vídeo aparecer? Sou professora, e fico constantemente com medo de que esse vídeo venha à tona e eu não possa mais dar aula para crianças”, relatou.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do O Globo

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