Deyvid Bacelar festeja lucro da Petrobras e defende retomada de investimentos

Em entrevista ao site do PT, coordenador-geral da FUP elogia recuperação da refinaria Abreu e Lima: “Ampliar a capacidade de refino vai reduzir a importação de diesel que ainda temos e os preços cairão ainda mais”, celebra

Reprodução/TvPT

Bacelar: a ampliação da capacidade de investimento da Petrobras deve à redução de percentuais pagos a acionistas

O segundo maior lucro líquido da Petrobras em seus mais de 70 anos de história, R$ 124,6 bilhões contabilizados em 2023, foi alcançado sob a reorientação estratégica da empresa, colocada em prática pelo governo Lula em consonância com a Constituição Federal, que determina que a estatal cumpra sua função social. “Esse não foi um lucro forjado por privatizações nem pela sangria do povo brasileiro, pagando combustíveis caros, como nós pagamos”, exalta Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Criada em 1953, pelo ex-presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de desenvolver e industrializar o Brasil, a Petrobras foi a segunda estatal petrolífera mais lucrativa do setor no ano passado, perdendo apenas para a Saudi Aramco, a maior empresa de petróleo do mundo. “O lucro de 2023 foi obtido por meio de resultados operacionais fabulosos que a empresa fez, tanto na área de processos industriais, estamos falando, principalmente, do refino, quanto na área de exploração, produção e comercialização de petróleo e de seus derivados”, acrescenta o coordenador-geral da FUP.

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Desde domingo (31), quando foi divulgado lucro líquido somado de R$ 182 bilhões das principais estatais brasileiras em 2023, os resultados positivos são tratados com desdém pela imprensa e pelo mercado, principalmente os números da Petrobras. Para Bacelar, a insatisfação é infundada. “Na verdade, a gente vem percebendo, a cada grito da imprensa e do mercado, que há oscilações na Bolsa de Valores. Existe uma compreensão, de nossa parte, de que há alguém brincando com o mercado de capitais e ganhando muito dinheiro nessa movimentação das ações da Petrobras, na bolsa de São Paulo e na de Nova York.”

Além do alívio de cerca de 20% nos preços dos combustíveis, sentido no bolso pelos brasileiros, a nova política da Petrobras amplia a capacidade de investimentos da estatal no próprio país, como a retomada das obras na refinaria Abreu e Lima. “A gente tem dois pontos positivos: o primeiro, de imediato, é a geração de emprego e renda, para terminar a construção e para operar a refinaria. Isso gera um impacto na região Nordeste, especialmente para o estado de Pernambuco”, defende o coordenador da FUP.

De acordo com Bacelar, o Brasil ainda importa entre 15% e 20% de óleo diesel para abastecer sua demanda interna e a finalização das obras na refinaria pernambucana permitirá ao país reduzir esse índice. “Além disso, você amplia a capacidade de refino, o que vai, consequentemente, reduzir a importação de diesel que ainda temos e os preços cairão ainda mais”, comemora.

Lucros e dividendos

A nova direção da Petrobras alterou também a política de distribuição de lucros e dividendos extraordinários. Bacelar explica que a ampliação da capacidade da companhia de investir no Brasil se deve, exatamente, à redução do percentual pago a acionistas. Apesar disso, a estatal continua sendo uma das empresas no mundo que mais enriquece seus sócios.

“A gente teve agora uma distribuição de dividendos, sem o lucro extraordinário, de R$ 72,4 bilhões. A Petrobras é uma das maiores pagadoras de dividendos do mundo, atrás somente de uma outra petrolífera e de outras duas empresas que não são do segmento do petróleo, a Microsoft e a Apple”, completa. Bacelar considera necessário uma redução maior dos lucros pagos a acionistas para que a companhia obtenha resultados econômicos ainda melhores.

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Transição energética

Desde o início do governo Lula, a Petrobras está engajada na transição energética do Brasil, uma das bandeiras do presidente durante a campanha. O coordenador-geral da FUP aprova os novos investimentos feitos em energia limpa até agora. “Foi, sim, um avanço a criação da Diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade”, reconhece Bacelar. “Os investimentos que eram feitos lá atrás em energias renováveis significavam menos de 1% de todos os investimentos que a Petrobras fazia”, compara.

De 2024 a 2028, a estatal estima que de 9% a 15% de seus investimentos serão destinados a projetos de energia limpa. A descarbonização de suas atividades é uma das medidas que a Petrobras vem conduzindo com sucesso. “A transição energética é justa, dialogada com trabalhadoras e trabalhadores e com comunidades que são impactadas por tecnologias novas. A nossa crítica construtiva é que essas medidas precisam avançar mais. Nós precisamos de grandes projetos na área de transição energética”, conclui.

Da Redação

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