Em 8º Congresso, PT repensará rumos e seu papel no futuro
Está em curso a preparação de um novo programa partidário e de um programa de governo que será apresentado ao presidente Lula para a disputa de 2026
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Que papel transformador o PT deve ter para levar o Brasil a continuar avançando? O que é e quais são os limites do capitalismo brasileiro e como ele se implementa hoje? Que reformas estruturais o PT se propõe a fazer no mundo atual em que vivemos? As perguntas apresentadas pelo ex-ministro José Dirceu, em encontro para celebrar os 46 anos do PT, vão balizar o Grupo de Trabalho, liderado por ele, que vai elaborar o programa partidário que será apresentado no 8º Congresso Nacional do partido, que será realizado entre os dias 23 a 26 de abril deste ano.
O Congresso será o momento oficial de lançamento da pré-candidatura do presidente Lula à reeleição e o marco para definir os caminhos que o partido precisa e quer trilhar nos próximos anos. O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o PT precisa compreender que é necessário “um outro partido” que responda aos desafios da agenda do século 21.
“Temos clareza do tamanho dos nossos desafios. Vivemos um período de profunda transformação dos meios de produção, da adoção das novas tecnologias, o que tem feito com que algumas profissões sejam extintas e novas surjam, uma nova classe trabalhadora está sendo configurada”, ressaltou. O presidente do PT listou a profunda crise do capitalismo, que gera impacto na construção política e na nova geopolítica mundial e a crise da democracia representativa, que caracteriza um sentimento antissistema, como pontos essenciais para uma análise profunda do partido. “Temos que interpretar os desejos da sociedade e construir um partido que seja capaz de formular pragmaticamente as transformações que a sociedade deseja.”
Edinho Silva afirmou que visitou as 27 unidades da federação e que em todos eles encontrou um partido dividido e fragmentado. “Esse partido não ganha 2026 e não derrota o fascismo.” A unidade do PT precisa ser política e programática, enfatizou Edinho. “Se queremos construir um PT forte, um PT que reeleja o presidente Lula, esse processo terá que ter início no 8º Congresso”, complementou.
Como pontuou o vice-presidente do PT, Jilmar Tatto, coordenador do Congresso, será também o momento de se discutir “o que será o PT sem Lula”, considerando que o presidente, se reeleito, não poderá disputar outro mandato após 2030.
Pactos rompidos
José Dirceu observou que a elite brasileira rompeu com o pacto nacional, o pacto político e o pacto social. Segundo o dirigente petista, a direita brasileira, sobretudo no governo Bolsonaro, desmontou os instrumentos que permitem ao país crescer com igualdade: os bancos públicos, as estatais, a capacidade de investimento do Estado. A estrutura política está esfacelada e é preciso que o PT defina como quer se colocar. “Não basta programa de reforma política. O PT precisa se autotransformar, se reorganizar para ganhar impulso e força politica para essa disputa de futuro político”, disse o ex-ministro.
Em relação ao pacto social, que foi estabelecido na Constituição de 88, Dirceu salientou que cabe ao PT discutir os caminhos atuais para elevar o padrão de vida da população brasileira, considerando os novos perfis da classe trabalhadora. “Nosso desafio é discutir isso e construir o programa do PT pelo menos nos próximos 10 anos”, finalizou o ex-ministro.
Tática eleitoral
Um passo importante para a disputa de 2026 é a estruturação da tática eleitoral. Sob a responsabilidade de Anne Moura, membro do Diretório Nacional do PT, o Grupo de Trabalho sobre Conjuntura e Tática Eleitoral do partido vai apresentar, em 26 de março, a minuta de texto e vai coletar contribuições de todos até 7 de abril. Em encontro na sexta-feira, 6, Anne explicou que o GT quer levar em conta também as realidades regionais na elaboração do texto. Segundo ela, a comissão vai se concentrar na análise da conjuntura nacional e internacional, análise de correlação de forças políticas, mapeamento de desafios estratégicos e diretrizes de tática eleitoral alinhadas ao projeto do PT.
“Nossa tática e nossa capacidade de olhar a conjuntura, ouvindo sempre o partido, nos permitiu termos vitórias muito importantes, com Lula e Dilma, e agora com Lula novamente”, observou Anne.
O PT e a ousadia no programa de governo
É uma característica do Partido dos Trabalhadores apresentar a cada campanha nacional e a cada governo um programa que guia as políticas públicas e o caminho político.
O deputado estadual por Minas Gerais, Cristiano Silveira, é o coordenador do grupo de trabalho que vai construir o programa de governo do PT para a campanha de 2026. A proposta, ele ressalta, é que “seja um processo horizontal, com amplo diálogo, que vai ouvir desde lideranças locais até as bancadas do partido”.
Cristiano, em sua apresentação, falou que o presidente Lula quer um programa que traga novos debates e que traduza o sentimento da sociedade. “O Presidente Lula deseja que o próximo governo e a próxima campanha tenham a característica de ousadia. Por isso, vamos falar com especialistas sobre agricultura, meio ambiente, mulheres, LGBT, sindical, tecnologia, entre outros temas. Já estamos ouvindo representantes das secretarias nacionais e setoriais do partido, mas a intenção é também conhecer experiências de inovação locais. Muitos programas nacionais surgiram a partir dessas iniciativas”, diz.
As contribuições para o programa de governo poderão ser enviadas pelo site do partido. A perspectiva é que ao final do percurso, um relatório seja consolidado em parceria com a Fundação Perseu Abramo.
Um partido antissistêmico
Responsável pela construção do novo Estatuto do PT, Valter Pomar, dirigente nacional, afirmou que é necessário promover uma reforma no partido para adequá-lo aos novos desafios globais, como o surgimento de uma nova classe trabalhadora.
Ele pontuou que, como foi frisado nas comemorações dos 46 anos, o partido vai claramente se posicionar contra o sistema vigente. “O PT é um partido antissistêmico. Isso envolve uma cultura e uma prática política bastante diferente da que tem se insinuado entre nós”, criticou. Segundo ele, o partido deve enfrentar a influência de “métodos e práticas que vão na contramão deste desejo de sermos um partido efetivamente transformador”.
Da Rede PT de Comunicação.
