Governo Lula dialoga com caminhoneiros para evitar greve

Diversas medidas já foram tomadas para conter o aumento do preço do diesel. Reunião com a categoria reforça compromisso do presidente Lula para garantir abastecimento

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Depois de uma semana de diálogo e articulações, o Governo Federal conseguiu afastar a possibilidade de uma greve imediata dos caminhoneiros. De acordo com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), Guilherme Boulos, os caminhoneiros receberam positivamente a publicação da Medida Provisória (MP) nº 1.343/2026, que reforça o cumprimento do piso mínimo do frete e estabelece multas de até R$ 10 milhões por operação irregular.

“Conseguimos convencer os caminhoneiros que não era momento para ter uma greve, uma paralisação. Isso poderia ter um prejuízo brutal para o povo brasileiro e para o abastecimento. Muitas empresas não pagam o básico para os caminhoneiros. Tem que pagar. É lei. Então nós vamos endurecer a fiscalização”, disse Boulos, após reunião com a categoria.

A SGPR completou que, na quinta, 19, os caminhoneiros decidiram, em assembleia, manter as atividades normalmente e continuar com o diálogo aberto. “Ao longo desta semana, o Governo já ouviu e atendeu pleitos dos caminhoneiros de todo o Brasil diante do grave quadro internacional em relação aos combustíveis. Entre as medidas, estão a isenção do PIS/Cofins do óleo diesel; o endurecimento das regras para cumprimento do valor mínimo do frete; e a intensificação da fiscalização em todo o Brasil”, afirmou, em nota à imprensa.

O ministro Guilherme Boulos volta a se reunir com a categoria dos caminhoneiros na próxima quarta-feira, 25.

Medidas tomadas no Governo Lula

Por conta das oscilações no preço do petróleo e da escalada da guerra no Oriente Médio, o Governo Lula adotou um pacote de medidas para conter a alta dos preços e proteger o bolso dos trabalhadores. Confira:

Isenção de ICMS: O Governo apresentou aos governadores uma proposta para zerar temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel. O impacto para os estados será uma renúncia aproximada de R$ 3 bilhões por mês e a União se compromete a compensar 50% dessa perda.

Isenção federal (PIS/Cofins): O presidente Lula assinou o decreto nº 12.875, que zera temporariamente as alíquotas federais de PIS e Cofins sobre o óleo diesel;

Subvenção econômicaA MP nº 1.340, editada por Lula, institui subvenção temporária de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel;

Imposto sobre exportação de petróleo: A MP 1.340 também estabelece um imposto de 12% sobre a exportação de óleo bruto para financiar a subvenção.

Combate a preços abusivos: A MP 1.340 ainda amplia os poderes de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Piso mínimo do frete: Publicada na quinta, 19, a MP 1.343 endurece a fiscalização e as punições às empresas que desrespeitarem a tabela do valor mínimo do frete.

A guerra no Irã e a extrema direita 

Nesta sexta, 20, em entrevista à Rádio Nacional, Boulos contou como foram as conversas com os representantes dos caminhoneiros. O ministro dirigiu críticas aos governadores pela indisposição em baixar o ICMS sobre o diesel e ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo ataque ao Irã.  “Primeiro, tem essa guerra absurda, irracional. O Trump acha que é dono do mundo, sai atacando todo mundo (…) E é a gente que paga a conta“, afirmou.

“Segundo, você tem os governadores de estado apostando no ‘quanto pior, melhor’. Eu quero saber o seu Tarcísio de Freitas, seu Cláudio Castro, seu Romeu Zema e companhia, que adoram dizer ‘ah, porque o Lula é que bota imposto’. O Lula zerou o PIS/Cofins sobre o óleo diesel e sobre o petróleo e eles se recusaram a zerar o ICMS (…) As pessoas estão vendo e essas máscaras estão caindo”, disse Boulos.

Punições a empresas que cometerem abusos

Nas redes sociais, Boulos publicou um vídeo esclarecendo as novas punições previstas às companhias que não cumprirem o piso mínimo do frete. “A empresa vai poder ter o seu registro de operação cassado se não cumprir a tabela. A fiscalização vai apertar”, avisa.

O ministro da SGPR mencionou também a fiscalização federal a postos de combustíveis que estão cobrando preços abusivos dos consumidores sob a justificativa da guerra no Irã.

“As distribuidoras e vários postos de gasolina, pela sua ganância, estão cometendo crime contra a economia popular. Isso é inaceitável. Por isso, Lula já acionou a Polícia Federal, os Procons do Brasil inteiro, o 0800 da ANP, Agência Nacional do Petróleo. Só de ontem para hoje, a Polícia Federal já pegou mais de 400 postos de gasolina em operação, várias distribuidoras de combustível e vamos apertar isso ainda mais. Chega!”, completa Boulos.

Da Rede PT de Comunicação, com informações da SGPR e da Rádio Nacional

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