Jovens associam redução da jornada de trabalho a futuro mais sustentável
Jovens parlamentares do PT debateram escala 6×1 e mercado de trabalho. Juventude não recusa trabalho formal. Bandeiras do partido estão conectadas a esses anseios
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A juventude brasileira está longe de rejeitar o trabalho formal. O que ela questiona, cada vez mais, são as condições em que esse trabalho é oferecido. A defesa de uma rotina mais equilibrada, com tempo para a vida pessoal, saúde mental e convivência social vem ganhando força entre os jovens, que enxergam na diminuição da jornada de trabalho um passo essencial para um futuro mais sustentável. Essa discussão esteve no centro dos debates do 1º Encontro Nacional de Jovens Parlamentares do PT, realizado nos dias 16 e 17 de março, em Brasília.
Dados recentes reforçam essa mudança de visão. Ao contrário do estereótipo de desinteresse profissional, jovens até 29 anos demonstram forte preocupação com estabilidade e sucesso financeiro. Segundo levantamento da Organização Internacional de Juventude para a Iberoamérica (OIJ) em parceria com o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), 68,2% apontam o sucesso econômico como principal objetivo, enquanto 48,3% desejam ter uma profissão e 34,2% pretendem empreender.
Gabriel Medeiros, representante da OIJ, destacou à Rádio PT, que o foco dos jovens é a sobrevivência e estabilidade na fase adulta. “O fundamental pra juventude brasileira é o tema do trabalho e da renda, né? Esse tema tem estado no centro dessa vida dessa juventude.”
Nesse contexto, cresce o apoio ao fim da escala 6×1, vista como símbolo de um modelo considerado ultrapassado e prejudicial. Para muitos jovens, jornadas exaustivas estão diretamente ligadas ao adoecimento físico e mental, além de dificultarem o acesso à educação, ao lazer e ao convívio social.
A vereadora do PT de Recife, Kari Santos, destacou que a precarização é o que afasta e adoece os jovens. “A pauta do trabalho, a questão da saúde mental é algo que preocupa muito a juventude. Estamos buscando perspectiva e futuro. E de onde vem esse futuro? Ela vem da educação, ela vem do mercado de trabalho, ela vem da saúde mental, porque o trabalho precarizado, traz adoecimento”, afirmou a parlamentar.
A crítica central não é ao trabalho formal em si, explica Júlia Köpf, secretária nacional da Juventude do PT. Ela discorda da ideia de que o jovem rejeita o regime formal de contratação. “A gente tem aí muitas falsas sensações de que o jovem não quer mais trabalhar CLT, que o jovem não se importa com isso. Não é verdade. Acho que a gente tem que se questionar sobre qual é o tipo de CLT que tem sido oferecida hoje”.
Para os jovens, a redução da jornada é vista como porta de entrada para uma vida além das obrigações laborais. Bia Alcântara, vereadora do partido em Cascavel (PR), reforçou essa visão. “O fim da escala 6×1 atinge diretamente a juventude que quer, sim, estar no trabalho CLT, mas que quer estar num trabalho CLT com qualidade. Que tenha vida além do trabalho, que possa ter convívio com a família e com os amigos e ainda assim estar bem empregado”.
A percepção de injustiça também pesa nesse debate: 71,8% dos jovens consideram a distribuição de renda injusta ou muito injusta, o que reforça a demanda por mudanças estruturais no mundo do trabalho.
Da Rede PT de Comunicação e Rádio PT.
