PGR pede prisão preventiva de Carla Zambelli após fuga

Paulo Gonet pediu ainda o bloqueio de bens da deputada e inclusão de seu nome na “difusão vermelha da Interpol”

Joedson Alves - Agência Brasil / Site do PT

Lindbergh alerta que a fuga de Zambelli "representa risco concreto à aplicação da lei penal"

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta terça-feira (3) a prisão preventiva e a inclusão na lista da Interpol da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A determinação ocorreu após o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), apresenta à PGR uma representação pedindo a decretação da prisão preventiva da deputada. Zambelli atualmente está fora do país. Segundo Lindbergh, a medida é necessária pois a parlamentar “representa risco concreto à aplicação da lei penal, à ordem pública e à integridade das instituições democráticas brasileiras”.

“Não se trata de antecipação do cumprimento da pena aplicada à ré, mas de imposição de prisão cautelar, de natureza distinta da prisão definitiva, com o fim de assegurar a devida aplicação da lei penal”, diz o texto da PGR, segundo a Rede Globo, que teve acesso ao documento.

“Há necessidade, além disso, para eficácia da medida requerida e igualmente assegurar a aplicação da lei penal, de inclusão do nome da parlamentar requerida na difusão vermelha da INTERPOL, com a suspensão de seu passaporte e imediata comunicação aos países”, destacou o procurador-geral Paulo Gonet. Ele também pediu o bloqueio dos bens de Zambelli.

10 anos de reclusão

Conforme aponta a representação, “logo após a condenação, a representada evadiu-se do território nacional, sem comunicação ao STF, e passou a ser mantida fora do alcance da jurisdição penal”. Além disso, reportagens revelaram que Zambelli arrecadou R$ 285 mil em doações via Pix, quantia utilizada para financiar sua estadia no exterior, o que configura tentativa deliberada de frustrar a execução da pena.

O documento destaca ainda que Zambelli “repete o modus operandi de Eduardo Bolsonaro, buscando apoio de autoridades estrangeiras contra ministros do Supremo, no contexto de uma trama golpista continuada, agora reconfigurada em forma de ataque transnacional à soberania nacional e à legitimidade do sistema de justiça brasileiro”.

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Na peça, Lindbergh Farias solicita à PGR que:

Promova o pedido de prisão preventiva junto ao STF;

Solicite a inclusão do nome de Zambelli na difusão vermelha da Interpol;

Inicie o procedimento de extradição, com base nos tratados internacionais vigentes;

Determine o bloqueio dos valores recebidos por Pix e apure indícios de estelionato, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal;

E oficie ao Ministério das Relações Exteriores para revogação do passaporte diplomático da deputada.

Por fim, a representação sustenta que “a conduta de Zambelli configura ameaça grave e reiterada à soberania nacional e à ordem constitucional, exigindo resposta imediata do Estado para restaurar a autoridade da jurisdição penal e impedir que redes antidemocráticas instrumentalizem estruturas externas para garantir impunidade”.

Da Redação, com G1

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