Lindbergh aciona Banco Central para investigar quem lucrou com tarifaço de Trump

Em outra frente de atuação, a Advocacia-Geral da União (AGU) pede que o Supremo investigue a suspeita de uso de informações privilegiadas no mercado cambial brasileiro para lucrar com a taxação anunciada pelos Estados Unidos

Gustavo Bezerra

No documento enviado ao Banco Central, Lindbergh solicita que sejam identificados os autores das transações, detalhe as operações realizadas horas antes da taxação ser anunciada

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, ingressou com um pedido no Banco Central para que o órgão apure quem lucrou com a taxação imposta por Donald Trump ao Brasil. Horas antes da informação ser anunciada, uma transação de câmbio “com valor igual ou superior a R$ 500.000,00” ocorreu no mercado, levando lucro exponencial para quem realizou a operação.

No documento enviado ao Banco Central, Lindbergh solicita que sejam identificados os autores das transações, detalhe as operações realizadas, incluindo valores, horários, instituições intermediárias e beneficiários finais, análise padrões atípicos e encaminhe os dados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao COAF, à Procuradoria-Geral da República e ao STF.

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Lindbergh cita a suspeita de que o lucro ou uso de informações privilegiadas tenham ligação com fatos apurados pelo Supremo no inquérito que investiga Eduardo Bolsonaro pelo crime de lesa pátria. Deputado federal e filho de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos em uma campanha contra o próprio país. Em postagens realizadas nas redes sociais, ele afirma que pressiona autoridades norte-americanas para sancionar o Brasil, o que envolve também a taxação de 50% que já foi anunciada por Donald Trump.

No Supremo

Em outra frente de atuação, a Advocacia-Geral da União (AGU) peticionou uma notícia de fato no Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do Inquérito 4995/DF, solicitando que sejam investigadas possíveis correlações entre os elementos em apuração no inquérito e o uso indevido de informações privilegiadas no mercado cambial brasileiro envolvendo o anúncio oficial de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, no dia 9 de julho.

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A petição é feita após reportagens veiculadas pelo G1 e pela TV Globo na sexta-feira (18) noticiarem que ocorreram transações de câmbio  em volume significativo antes e depois do anúncio oficial de novas tarifas comerciais impostas, o que sugere possível utilização de informações privilegiadas (insider trading) por pessoas físicas ou jurídicas, supostamente com acesso prévio e indevido a decisões ou dados econômicos de alto impacto. 

A AGU enfatiza que o inquérito,  instaurado a pedido da Procuradoria-Geral da República para apurar a conduta delitiva do Deputado Federal licenciado, Eduardo Nantes Bolsonaro, decorre do uso de instrumentos comerciais internacionais como mecanismo de coação premeditada contra a Justiça brasileira.

Pontua que a Procuradoria-Geral da República descreve no inquérito, conforme se tornou público, que  “a atuação coordenada entre Jair Messias Bolsonaro e seu filho Eduardo Bolsonaro, para intimidar autoridades brasileiras e obstruir o curso da ação penal em referência, é ainda verificada em anúncio recente de que “haverá severas sanções financeiras” contra o Ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. 

Da Redação,com informações de PT Câmara e AGU

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