Lula critica guerras e governantes: ‘Não teria fome se houvesse bom senso’
Em Conferência da FAO, presidente pede resposta da ONU sobre conflitos e que líderes de países do Conselho de Segurança imponham freio à corrida armamentista
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O presidente Lula condenou duramente, nesta quarta-feira (4), na abertura da 39ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Brasília, os gastos exorbitantes dos países desenvolvidos com guerras enquanto milhões de seres humanos encaram a fome e a miséria no mundo. “As pessoas importantes do planeta, que deveriam estar preocupadas com a fome, estão preocupadas com guerra”, apontou. O presidente pediu paz no mundo e que os líderes de todos os países integrantes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Inglaterra, França, Rússia e China) imponham freio à corrida armamentista, deixando de negligenciar a erradicação da fome.
“Eu fico muito emocionado de saber que a fome mexe muito pouco com o coração dos governantes do mundo. Mexe com muitos seres humanos, individualmente, mexe com ONGs, mexe com igrejas, mas não sensibiliza muito o coração dos governantes”, lamentou o petista.
Presidente Lula participa da 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe https://t.co/u7S3bwABk1
— Lula (@LulaOficial) March 4, 2026
“Porque as pessoas que passam fome, na maioria dos países do mundo, são tratadas como se fossem invisíveis. As pessoas não as querem enxergar”, prosseguiu.
Lula argumentou que se todo o orçamento militar dos países em 2025, cerca de US$ 2,7 trilhões, fosse distribuído aos mais de 630 milhões de indivíduos que passam fome no mundo, cada um receberia quase US$ 4,3 mil.
“Vocês percebem que não precisaria ter fome se houvesse o bom senso dos governantes?”, questionou.
O petista ainda foi aplaudido ao mencionar Cuba e ao pedir o fim do embargo desumano à ilha. “Pasmem: Cuba não está passando fome porque não sabe produzir, Cuba não está passando fome porque não sabe construir a sua energia, Cuba está passando fome porque não querem que Cuba tenha acesso às coisas que todo mundo deveria ter direito.”
Papel da ONU
Em um tom crítico e de lamento, Lula afirmou que “a ONU está ficando desacreditada” e não está cumprindo o seu papel como está previsto na Carta de 1945. “A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço pra os senhores da paz.” Sem citar especificamente o recente ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, Lula questionou por que a ONU ainda não convocou uma conferência global para discutir os conflitos recentes.
“Vocês acham normal o presidente [Donald] Trump todo dia ficar dizendo: eu tenho o maior navio do mundo, eu tenho o maior exército do mundo? Por que ele não fala: eu tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo?”, provocou o presidente Lula.
Ele mencionou a guerra da Rússia com a Ucrânia, que se arrasta por mais de quatro anos, mesmo que todos já saibam o seu desfecho. E os líderes seguem incapazes de negociar um acordo, reagiu o presidente.
América Latina: zona de paz
Lula pregou a união latino-americana e a libertação dos povos da região da constante exploração por parte dos mais ricos. Ele lembrou que a América Latina é uma ‘zona de paz’, em meio a ânimos acirrados e belicosos.
“Nós não queremos submissão. Nós não queremos viver de favor. Nós queremos, de forma soberana, dar alimentação para o nosso povo, e qualquer país da América Latina, do Caribe, pode dar alimentação ao nosso povo”, afirmou.
“Aqui no Brasil, nós fizemos a opção de não possuir armas nucleares na nossa Constituição. Porque, há muito tempo, a gente chegou à conclusão de que aquele ditado ‘quem quer paz se prepara para guerra’ é para quem quer fazer guerra. Nós queremos paz”, completou Lula.
Presente à 39ª Conferência Regional da FAO, o ministro de Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, por sua vez, ponderou que a América Latina é notabilizada pela produção de alimentos e que a erradicação da fome depende apenas de decisões políticas.
“Somos uma potência agroalimentar inovadora, profundamente conectada à terra, às águas e às florestas”, exaltou Vieira. “Somos a primeira região a assumir o compromisso coletivo de erradicar a fome, mas também sabemos, como nos ensinou o brasileiro Josué de Castro, que a fome não é um fenômeno natural, mas uma criação humana”, concluiu.
Heroína contra a fome
Durante a cerimônia da FAO, a primeira-dama, Janja, recebeu da organização o título de “Campeã Especial da Boa Vontade Contra a Fome” por suas ações em todo o Brasil. Ela reafirmou o compromisso de erradicação da fome, principalmente tendo como foco as mulheres e meninas em condição de vulnerabilidade.
“A força da experiência brasileira na luta contra a fome é histórica e conhecida mundialmente, graças ao trabalho do presidente Lula, que tirou nosso país novamente do mapa da fome. Um dos nossos maiores orgulhos é o Programa Nacional de Alimentação Escolar [Pnae], do qual tenho a honra de ser embaixadora”, elogiou Janja.
Da Rede PT de Comunicação, com informações da FAO.
