Lula: ‘Precisamos mostrar para o menino que ele não é melhor que a mulher’

Presidente participou da cerimônia de inauguração de obras da educação, com investimentos de R$ 413 mi em escolas e creches, e voltou a condenar feminicídio

Ricardo Stuckert/PR

Lula com Camilo Santana, que deixou cargo de ministro da Educação para disputar eleição.

Ao lado de ministros e aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, 30, da cerimônia de inauguração simultânea de 107 obras de educação em todo o Brasil. Com recursos destinados ao Novo PAC e de aportes do próprio Ministério da Educação (MEC), o Governo Federal investiu mais de R$ 413 milhões para entregar creches e escolas, além de ter promovido reformas. Lula reafirmou, ao discursar, seu compromisso contra o feminicídio – a morte de meninas e mulheres – e reforçou que é preciso iniciar essa luta nas escolas, com a formação e conscientização das crianças.

“Esse resultado do feminicídio nesse país significa que o ser humano fracassou em educar a espécie animal chamada macho, porque é ele que é violento, é ele que é incompreensível, é ele que acha que é dono da verdade. E nós vamos precisar a começar, meus amigos, a ensinar isso nas escolas, com muito cuidado (…) Nós precisamos começar a mostrar para o menino que ele não é melhor que a mulher, que ele não é dono dela, que ele não pode mais do que ela”, disse Lula.

O presidente também aproveitou o discurso para anunciar o novo ministro da Educação, Leonardo Barchini. Ele vai substituir Camilo Santana, que deixa a pasta para disputar as eleições de outubro. Lula pediu diretamente a Barchini que mantenha os investimentos do MEC.

Durante o evento, Camilo comemorou a marca histórica de 99 mil escolas públicas com conectividade adequada, cerca de 71,7% do total, o que beneficia 24 milhões de estudantes. Em 2023, esse percentual era de 45,4%.

O presidente Lula também destacou a importância da conectividade nas escolas para a formação das futuras gerações. “Vamos aproveitar o Escolas Conectadas para fazer com que as coisas aconteçam bem e para que a gente consiga usar a internet na formação de cidadãos mais conscientes, mais preparados e mais humanos”, disse.

Investimentos federais

Atualmente, o Brasil conta com um total de 9,7 mil obras de educação, sendo 7,1 mil em andamento e 2,6 mil concluídas. As entregas feitas por Lula nesta segunda, 30, abrangem desde creches, escolas da educação básica e campi de institutos federais, até reformas em universidades e hospitais universitários.

São 44 novas estruturas: 18 creches, 23 escolas e três novos campi de institutos federais. As demais 63 obras correspondem a ampliações e melhorias em unidades já existentes, como restaurantes estudantis, bibliotecas, laboratórios, residências universitárias e blocos de salas de aula.

Educação básica

Na educação básica, o Governo entregou 41 novas unidades, sendo 18 creches e 23 escolas de tempo integral distribuídas em 16 estados e quatro regiões do país.

Na Região Norte, foram inauguradas nove unidades escolares nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Tocantins. Já o Nordeste concentra 22 entregas, com obras em Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

No Sudeste, três escolas foram entregues em Minas Gerais. A Região Sul receberá sete novas unidades, distribuídas entre Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os investimentos nessa etapa somam R$ 111,8 milhões, com R$ 12,7 milhões de recursos provenientes do Novo PAC.

Educação Profissional e Tecnológica

Para a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) foram entregues 43 obras em 12 institutos federais, distribuídas em 12 estados do país. Entre elas, três novos campi do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), localizados em Umarizal, Touros e São Miguel, que integram a política do Governo de expansão dos mais de 100 novos campi de institutos federais.

Ademais, foram concluídas entregas de 27 restaurantes estudantis, duas sedes próprias de Reitoria e uma sede própria de campus, além de bibliotecas, blocos pedagógicos e administrativos, quadra esportiva e clínica veterinária, todas contempladas na ação de consolidação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que prevê investimento de R$ 1,4 bilhão para melhoria e ampliação da infraestrutura das unidades existentes.

As obras em EPT são fruto de investimentos na ordem de R$ 256,4 milhões.

Ensino superior

Na educação superior, o Governo inaugurou 10 obras em nove universidades federais, distribuídas em nove estados das cinco regiões brasileiras. As entregas incluem blocos acadêmicos e administrativos, laboratórios, residências estudantis, restaurante universitário e obras de urbanização de campus, ampliando a capacidade de ensino, pesquisa, extensão e inovação nas instituições federais.

O investimento nessa etapa totaliza R$ 95 milhões, sendo R$ 32,4 milhões oriundos do Novo PAC.

Hospitais universitários

Os hospitais universitários também receberam investimentos federais: foram inauguradas 13 obras em 10 deles. As intervenções incluem novos leitos de UTI neonatal, enfermarias, ampliação de serviços obstétricos, modernização de infraestrutura elétrica e adequações para instalação de equipamentos de radioterapia, fundamentais para o tratamento do câncer.

As obras estão distribuídas em oito estados e quatro regiões do país, com investimento de R$ 76,7 milhões, sendo R$ 23,6 milhões provenientes do Novo PAC e R$ 37,5 milhões de orçamento conjunto ao Ministério da Saúde (MS).

Estratégia Nacional de Escolas Conectadas

Os avanços na Estratégia Nacional de Escolas Conectadas incluem melhorias em três dimensões estruturantes: energia elétrica (136.525 escolas com infraestrutura adequada, 98,9% do total); velocidade de internet (102.338 escolas com conexão adequada, 74,1% do total); Wi-Fi nas escolas (101.559 unidades com cobertura adequada para uso pedagógico, 73,5% do total).

Os resultados são significativos em territórios historicamente desafiadores. Na Região Norte, o número de escolas com conectividade adequada passou de 4.803, em 2023, para 12.714, atualmente (62,5%). Nas escolas rurais, o total saltou de 17.367 para 34.913 unidades (69,7%). A política também ampliou o acesso em comunidades tradicionais: em 2026, 1.815 escolas indígenas e 1.971 escolas quilombolas atendem aos parâmetros de conectividade definidos nacionalmente, representando 72,5% das escolas localizadas em comunidades quilombolas.

A estratégia é coordenada pelo MEC com participação de diversos órgãos do Governo e prevê R$ 8,8 bilhões de aportes, sendo R$ 6,5 bilhões provenientes do Novo PAC, dos quais R$ 2,6 bilhões já foram executados. Lançada em 2023 para universalizar a conectividade de internet nas escolas públicas, a partir de critérios de qualidade monitorados permanente pelo Indicador Nacional de Escolas Conectadas (INEC), a política tem como dimensão estrutural o desenvolvimento de competências digitais de toda a comunidade escolar.

Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Gov e do MEC.

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