Lula reconstrói o que Temer e Bolsonaro desmontaram
O presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Indústria Naval Brasileira explica, neste artigo, as políticas que estão sendo retomadas para o setor
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(*) Por Alexandre Lindenmeyer
“Quando o Estado volta a planejar, o Brasil volta a construir. Os anúncios feitos pelo presidente Lula em Rio Grande (RS), agora em janeiro, não são fatos isolados: integram um movimento nacional consistente de reconstrução das políticas de conteúdo local e de retomada da indústria naval brasileira. O governo recoloca a política industrial no centro da estratégia de desenvolvimento, apostando na engenharia nacional, na reativação de estaleiros e na geração de empregos qualificados em todo o país.
Essa virada tem base concreta. Nos governos Lula e Dilma, a indústria naval brasileira viveu seu maior ciclo histórico, saltando de pouco mais de 3 mil para mais de 82 mil empregos diretos e ultrapassando 200 mil postos indiretos, segundo o Sinaval. Foi nesse período que o Brasil estruturou uma cadeia produtiva robusta, ancorada em encomendas da Petrobras e da Transpetro, capazes de integrar estaleiros, fornecedores, universidades e centros de engenharia.
No Rio Grande do Sul, esse ciclo se materializou na construção total, parcial ou de módulos de plataformas como P-53, P-54, P-55, P-58, P-63, P-66, P-68, P-74, P-75, P-77 e P-79, nos estaleiros Rio Grande (ERG), QGI e EBR, consolidando o polo naval gaúcho como referência nacional.
Esse projeto foi deliberadamente desmontado nos governos Temer e Bolsonaro. O enfraquecimento da política de conteúdo local, a paralisação de encomendas estratégicas e o desmonte da Petrobras provocaram a migração de contratos para estaleiros da China, Coreia do Sul e Singapura. O resultado foi devastador: estaleiros ociosos, milhares de empregos perdidos e a desestruturação da engenharia naval brasileira.
Com Lula, o país retoma o rumo. A atual gestão restabelece instrumentos de política industrial, reativa o Fundo da Marinha Mercante e recoloca a Petrobras e a Transpetro como indutoras do desenvolvimento. Em Rio Grande, já estão contratados quatro navios da classe Handy, a serem construídos pelo consórcio Estaleiro Rio Grande–Mac Laren, com investimento de US$ 69,5 milhões por embarcação. A iniciativa integra o programa de renovação da frota da Transpetro, que prevê investimentos totais de R$ 23 bilhões e impacto direto na geração de empregos e renda em diversas regiões do país.
O polo naval gaúcho também foi selecionado para construir cinco dos oito navios gaseiros da nova licitação da Transpetro, ampliando a carteira de projetos e consolidando Rio Grande como um dos principais centros de construção naval do Brasil. A estatal projeta ainda novas licitações para 16 embarcações — 4 da classe Handy, 8 gaseiros e 4 navios MR1 — além de processos para cerca de 18 barcaças e 18 empurradores, reforçando uma retomada com escala nacional.
A reativação de estaleiros em diferentes estados, incluindo o Estaleiro Brasil e os estaleiros do polo de Charqueada, representa mais do que a volta da produção: simboliza a reconstrução de uma estratégia de desenvolvimento baseada em conteúdo local, inovação e soberania industrial. Em Rio Grande e no Brasil, os empregos voltam, a cadeia de fornecedores se recompõe e a engenharia nacional recupera protagonismo. Com a retomada da indústria naval, o Brasil deixa de importar abandono e volta a produzir futuro.”
(*) Deputado Federal pelo PT do Rio Grande do Sul, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Indústria Naval Brasileira
