‘Não existiria o PT sem as mulheres’
Ministra Márcia Lopes destaca que sem a participação feminina a política não é inteira. Ela reivindica que o partido assegure às mulheres espaços de poder nas direções
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Filiada ao Partido dos Trabalhadores desde 1982, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, carrega em sua trajetória a construção do PT. Assistente social, Márcia foi ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em 2010, durante o segundo mandato do presidente Lula. Também foi secretária-executiva da pasta e secretária nacional de Assistência Social entre 2004 e 2007. Vereadora por duas vezes em sua cidade natal, Londrina (PR), ela sempre pautou sua atuação política tendo como foco a luta pelos direitos sociais e pela igualdade de gênero no Brasil.
Em entrevista à Rede PT de Comunicação durante as celebrações do aniversário de 46 anos do PT, Márcia Lopes enfatizou que a história do PT não pode ser contada sem o protagonismo das mulheres. “Não existiria o partido sem as mulheres”, disse, destacando, em seguida, “o papel fundamental de Marisa Letícia na fundação do PT, ao lado do presidente Lula”. “Sem as mulheres na política, a política não é inteira”, acrescentou.
Neste ano eleitoral, a ministra disse que deve ser prioridade do PT trazer as mulheres para a roda da política, com “absoluta igualdade”. Ela elogiou a menção, na Resolução do Diretório Nacional do PT, em razão dos seus 46 anos, à necessidade de combate da violência contra as mulheres na esfera político-institucional. “A violência política de gênero tem se manifestado de forma explícita no Congresso Nacional, inclusive por meio da utilização de Conselhos de Ética para constranger e silenciar parlamentares mulheres. De forma ainda mais sistemática, essa perseguição ocorre nas Câmaras Municipais, onde vereadoras de esquerda são alvo de assédio institucional, tentativas de cassação e criminalização de sua atuação”, diz trecho da resolução.
Segundo Márcia Lopes, o PT precisa assegurar, “na prática, a ampliação da presença das mulheres em todos os níveis do partido”. “Isso é fundamental. Eu espero que em cada diretório municipal, diretórios estaduais, diretório nacional, em todas as esferas de participação e de poder do partido, as mulheres tenham vez, tenham voz e tenham absoluto respeito em relação à sua presença, à sua disposição de contribuir. Não tenho dúvida disso.”
O PT reúne cerca de 1,5 milhão de mulheres filiadas, pontua a ministra. O desafio, adverte, é ampliar ainda mais a mobilização e garantir que elas ocupem todos os espaços de decisão e poder. “Nenhuma violência política contra as mulheres. Vamos nos mobilizar cada vez mais para que assumam seus espaços.”
Márcia Lopes também faz um alerta: “Não podemos votar em homens machistas, que agridem ou ofendem mulheres. Precisamos eleger representantes comprometidos com a igualdade e o respeito. Queremos as mulheres trabalhadoras protagonistas de suas vidas, ocupando todos os espaços de poder. Esse é o Brasil do futuro que estamos construindo”.
Uma história pelo fim da desigualdade de gênero
“Eu me filiei em 1982 e participei de todos os processos de formação do partido. Fui secretária da primeira gestão do PT em Londrina, participei dos grandes encontros nacionais, dos congressos e dos debates das teses. O PT sempre construiu um projeto de nação com debate qualificado e compromisso com o povo brasileiro”, relembra.
A ministra sabe da importância de mudar o atual cenário. Segundo ela, não se trata apenas de garantir presença numérica para as mulheres, mas de assegurar que elas estejam no centro das políticas públicas. “Nenhuma ação pública deve ser realizada sem considerar a perspectiva da igualdade de gênero. Sem isso, não haverá desenvolvimento econômico, social nem sustentabilidade”, ressalta.
Em sua experiência partidária e política, a ministra reconhece a força e a importância do PT na construção democrática brasileira, classificando o partido como “o melhor partido popular e democrático do Brasil, referência inclusive para o mundo”. Contudo, faz uma ressalva: para diminuir as desigualdades é preciso colocar as mulheres no centro das decisões.
As notícias sobre a participação das mulheres brasileiras na política não são animadoras. O Brasil segue a tendência dos últimos anos e continua mal posicionado: o país ocupa a 133ª colocação no ranking global de representação parlamentar de mulheres e a 53ª posição no ranking de representação ministerial, de acordo com o Mapa Mulheres na Política, divulgado pela ONU Mulheres.
As mulheres representam 52% da população brasileira e do eleitorado. Contraditoriamente, ocupam pouco mais de 18% das cadeiras no legislativo brasileiro. A sub-representação evidencia um desafio estrutural da democracia brasileira: ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder e decisão.
Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio
À frente do Ministério das Mulheres desde maio de 2025, Márcia Lopes destaca a importância do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, com empenho direto do presidente Lula, por responsabilizar os homens e ampliar o debate social da violência contra as mulheres.
“Como ressalta o presidente Lula, quem agride as mulheres são os homens. Precisamos dialogar com eles e dizer: nenhum tipo de violência”.
O pacto articula os três poderes — Executivo, Legislativo e Judiciário — para fortalecer políticas públicas de enfrentamento às diversas formas de violência: feminicídio, estupro, violência doméstica, sexual, psicológica, patrimonial, digital e política de gênero.
“Infelizmente, os indicadores mostram que ainda vivemos as consequências do machismo, da misoginia e do patriarcado. O PT e a esquerda sempre tiveram coragem de enfrentar todo tipo de violência contra as mulheres, o racismo, a homofobia, a transfobia e qualquer forma de preconceito”.
Confira trecho da entrevista no Canal do PT no YouTube.
