‘Tenho compromisso ético de não permitir que um fascista volte a governar o país’

Lula critica mentiras sucessivas de Flávio Bolsonaro e diz que eleição exige seriedade, ética e compromisso com a verdade

Ricardo Stuckert/PR

Lula deu entrevista a três veículos de comunicação e disse que quem mente será pego de calças curtas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a construção de um projeto eleitoral em cima de falácias, desinformação e inverdades sucessivas, como tem sido a estratégia do senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao Brasil247, Revista Fórum e DCM, Lula ressaltou que o momento eleitoral exige um debate feito com seriedade e reagiu a mais uma publicação falsa do filho de Bolsonaro, desta vez sobre a fome

O conteúdo, publicado no sábado, 12, utilizava imagens de pessoas buscando alimento em um caminhão de lixo em Fortaleza (CE) ao atual governo, associando o cenário à imagem de Lula. As imagens, porém, foram registradas em 18 de outubro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Lula destacou, mais uma vez, que 2026 será o ano da verdade: “Quem mentir daqui pra frente será pego de calças curtas. Como o Flávio”, disse o presidente. 

Lula enfatizou o lado extremista de Flávio Bolsonaro, que repete o mesmo caminho e a mesma tática política do pai, que está em prisão domiciliar e foi condenado a mais de 27 anos de reclusão pelos seguintes crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. “Tenho o compromisso moral e ético de não permitir que um fascista volte a governar o país”, afirmou.

“Precisamos levar a sociedade brasileira ao momento eleitoral discutindo com seriedade o que precisamos discutir para escolher um chefe de Estado. Se ela for na base da mentira, o resultado pode ser um desastre para a democracia e para a sociedade brasileira”, refletiu Lula.

Energia para ser presidente

O presidente reafirmou sua disposição para uma disputa eleitoral ética. “Nunca tive tanta energia para ser presidente da República como agora.”

Lula destacou o seu desejo de reeleição para continuar os seus trabalhos em busca do desenvolvimento social e tecnológico do Brasil. “Eu tenho muita coisa para fazer nesse país. Tem muita coisa. Nós apenas começamos a alicerçar. Foi mais difícil recuperar os anos de desastre do governo anterior do que começar em 2003”  

“O meu compromisso no quarto mandato é para fazer o país dar um salto definitivo para se transformar num país desenvolvido”, disse.

Intervenção de Trump e briga com o Papa

Questionado se tem receio da influência do governo norte-americano nas eleições de 2026, o presidente disse não temer com a possibilidade. Lula pontuou que os últimos candidatos apoiados por Donald Trump no mundo foram derrotados – como Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, que perdeu as eleições no último fim de semana após 16 anos. 

“Tenho visto o Trump dando palpite na eleição de Honduras e da Costa Rica. É um absurdo, uma intromissão sem precedentes na soberania de um país. Aqui ele ainda não fez, mas meus adversários tem um filho lá, tem filho pedindo intervenção americana no Brasil. Acho isso um erro de comportamento, tanto deles pedindo quanto do Trump fazendo”, ressaltou o presidente.

Lula também classificou a guerra dos Estados Unidos contra o Irã como “inconsequente” e disse que Trump não precisa “ameaçar o mundo”. Ele também demonstrou solidariedade ao Papa Leão XIV, que foi criticado pelo presidente dos EUA no final de semana por não concordar com as políticas externas do estadounidense. 

Ramagem: um golpista que está condenado

Ao comentar sobre a prisão do ex-chefe da Abin e ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, Lula disse que o condenado deve retornar ao Brasil para “cumprir sua pena”. 

“O Ramagem eu acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso numa multa de trânsito. Não, ele foi pego porque foi condenado a 16 anos de prisão. É um golpista que está condenado”, ressaltou o presidente. 

Melhorias na vida do povo 

O presidente destacou, também, avanços da economia durante o seu mandato. Trazendo como exemplos o valor do dólar abaixo de R$ 5, o aumento da massa salarial e da alta da bolsa de valores,  Lula relembrou o quadro negativo herdado do governo Bolsonaro e o processo de reorganização estatal. 

“Quando você encontra uma economia destruída, você não pode começar a administrar sem levar em conta que ela está destruída e que você tem que consertá-la.”

Contudo, o governante defendeu que os sinais positivos da economia precisam ser traduzidos em melhorias concretas no bolso dos brasileiros. Nesse sentido, Lula mencionou a elaboração de um programa para a renegociação de dívidas, ainda em discussão no Governo Federal, e de políticas públicas para o combate da expansão das plataformas de apostas digitais. O presidente afirmou que “os cassinos estão dentro das casas das pessoas, em seus celulares”, defendendo o enfrentamento da chamada “guerra da jogatina”.

Em relação aos debates congressuais sobre o  fim da escala 6×1 e a regulamentação dos motoristas e entregadores de aplicativo, o presidente valorizou a mobilização pública para a defesa dos direitos dos trabalhadores e disse que o governo busca articular com o Congresso a partir da opinião da sociedade. 

“Estamos trabalhando com muito afinco para, quando mandarmos os projetos do governo, eles possam atender ao máximo as demandas das pessoas”, afirmou. 

Rede PT de Comunicação.

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