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‘Precisamos de um Estado reformado, democrático, com capacidade de investimento’

Presidente do PT, em artigo à Folha de S.Paulo, reforça que Brasil terá que escolher entre a democracia e a barbárie nas eleições

Presidente nacional do PT, Edinho Silva, analisa ascensão da extrema direita e falta de respostas da direita neoliberal para dilemas do mundo.Foto: Divulgação
A ascensão da extrema direita no mundo está diretamente ligada ao empobrecimento das pessoas, agravamento da insegurança social, medo do futuro e descrença nas instituições, reflete o presidente nacional do PT, Edinho Silva, em artigo publicado nesta quinta-feira, 11, no jornal Folha de S.Paulo, intitulado “Democracia ou barbárie é a escolha do nosso tempo”.
Segundo Edinho Silva, o avanço autoritário está ancorado num “sentimento antissistema capturado pela direita populista”. “A origem desse sentimento está na crise econômica iniciada em 2008 e nunca plenamente superada, quando o mundo que crescia em ritmo acelerado no início desse século, perdeu dinamismo, demonstrando a insustentabilidade do padrão de crescimento que vinha sendo sustentado nas economias centrais”, diz.
Esse modelo de superendividamento e liberalização financeira está superado e não apresentou as respostas necessárias para superar as angústias do mundo: o baixo crescimento e as desigualdades, sustenta o presidente do PT. Ao mesmo tempo, acrescenta ele, “a riqueza financeira se multiplica em velocidade muito superior à renda do trabalho”.”Com a incapacidade da direita neoliberal apresentar propostas, em momentos de transformação histórica, é o Estado democrático e planejador que pode induzir crescimento, proteger a sociedade e combater desigualdades.”

Edinho Silva analisa também a disseminação da desinformação nas redes como o alimento do fascismo, a apresentação de respostas simplistas para problemas complexos, a negação do outro e a perseguição aos mais vulneráveis. “Donald Trump é o maior representante do fascismo do século”, reitera, ao avaliar o cenário eleitoral em várias partes do mundo.

“A disputa por territórios estratégicos, reservas naturais, energia, tecnologia e cadeias produtivas anuncia uma nova geografia mundial em disputa, de um lado a ideologia fascista, do outro, um mundo que pode ser organizado pela cooperação entre povos soberanos, valorização das instalações que zelam pela harmonia global, rompendo com a lógica da violência e do medo.”

Essa tempestade perfeita global, diz Edinho Silva, com baixo crescimento econômico, concentração brutal da renda, crise climática e guerras, somada à crise de superprodução marcada pelo avanço tecnológico, amplia cada vez mais “o sentimento antissistema e joga sobre a democracia representativa uma nuvem de descrença”.

“Para milhões de pessoas, o próprio conceito de democracia parece distante, algo abstrato, incapaz de responder à vida real. Quando o salário não chega ao fim do mês, o transporte é caro, a moradia é precária e a juventude não enxerga futuro, a extrema direita encontra terreno fértil para vender ódio e intolerância como se fosse o caminho da mudança”, analisa.

É neste contexto conturbado que o Brasil precisa repensar o papel do Estado, diz Edinho Silva. “O mercado sozinho não organizou e nem organizará a transição energética e ecológica, não democratizará as novas tecnologias, não protegerá a soberania nacional e não reduzirá desigualdades. Não salvará a democracia. Precisamos de um Estado reformado, eficiente, democrático, com capacidade de investimento, de pesquisa e inovação para indução de um novo modelo de desenvolvimento.”

O presidente do PT cita as reflexões do partido durante o 8º Congresso Nacional, em que apontou a urgência de reformas estruturais, entre elas a reforma política, que possam fortalecer as instituições.

No processo eleitoral, finaliza, a sociedade terá que “distinguir quem representa a manutenção do sistema e quem quer sua transformação; quem defende concentração da renda, precarização do trabalho, o negacionismo, a submissão nacional, a política como espetáculo do ódio; quem representa o velho sistema, ainda que venha, ironicamente, se apresentar como novidade”. E, do outro lado, “quem defende a democracia, a distribuição da renda, a soberania nacional, a participação popular, a educação como instrumento de construção de oportunidades, a transição energética e a dignidade do trabalho; quem representa a mudança real”.