Quando o presidente Lula diz que a política apodreceu, ele não faz a crítica pela crítica, afirma Edinho Silva, presidente nacional do PT. O que Lula escancara em seus discursos recentes, analisa Edinho, em entrevista à Rede PT de Comunicação, é a total falta de sintonia do Congresso Nacional com as reais necessidades do povo brasileiro, como o debate da segurança pública, educação e saúde.
O programa de governo da chapa Lula-Alckmin, que apresenta as diretrizes para uma próxima gestão, aponta textualmente a necessidade urgente de “enfrentar uma grave distorção na elaboração da gestão do orçamento federal, o atual sistema das emendas parlamentares” e de uma “reforma político-eleitoral inadiável”. O único líder político de conduzir reformas estruturais no Brasil atualmente é Lula, afirma o presidente do PT.
“Nós precisamos de um Congresso em sintonia com aquilo que o povo precisa. Nós precisamos acabar com essa coisa: como que o Congresso pode executar R$ 62 bilhões em emendas? Está tirando dinheiro do Governo Federal, que poderia estar indo pra gente enfrentar mais a fila do SUS, pra gente ter mais celeridade na universalização da educação integral, pra gente ter um projeto de fato que universaliza o direito à creche”, afirma Edinho.
Assim como enfrentar o debate das emendas, um próximo governo precisa encarar a necessidade de reforma do Judiciário, diz Edinho. “É inegável que existe um distanciamento entre o Poder Judiciário, entre o Ministério Público, daquilo que o povo vive de verdade. Muitas vezes essa falta de proximidade leva a relações de privilégio. O povo sofre com a morosidade tanto do Ministério Público como do Poder Judiciário.”
No entanto, para enfrentar esse tema político tão espinhoso o Governo precisaria de uma composição menos hostil no próprio Congresso, com maior representatividade de bancadas progressistas e um menor peso político da extrema direita. Eleger senadores e deputados federais do campo democrático é uma das prioridades do PT e da Coligação O Brasil Pronto Pra Mais.
Mas é a recondução de Lula à Presidência, frisa Edinho Silva, que vai permitir uma pactuação política para fazer as reformas política e do sistema de Justiça. “É porque ele tem uma sensibilidade pra sentir a dor do povo, que é muito grande. Então ele sabe, para o bem da democracia, para o bem do futuro do Brasil, que nós precisamos fazer uma reforma política e eleitoral. Nós precisamos fazer uma reforma do Poder Judiciário. Como líder, ele pode chamar o Congresso para fazer essa reforma. Pode chamar as lideranças do Poder Judiciário também pra gente fazer essa reforma”, acredita o presidente nacional do PT.
Flávio Bolsonaro, o senador de extrema direita que é candidato à Presidência pelo PL, não tem estatura política e nem planos para uma articulação como essa, aponta Edinho Silva. A reeleição de Lula é crucial no atual contexto geopolítico, enfatiza o presidente do PT, “porque ele é um líder capaz de conduzir o Brasil pra superar os desafios que o Brasil tem hoje”. “Só um líder é capaz de fazer isso. Uma marionete não consegue fazer. Isso passa por essa conversa [com os Poderes], esse diálogo”, define Edinho.
Flávio Bolsonaro, marionete de Trump
Edinho Silva disse que é assustador saber que o candidato Flávio Bolsonaro “ofereceu o Brasil de graça a uma potência estrangeira, como se estivesse oferecendo para Brasil virar um puxadinho dos Estados Unidos”.
O mundo atual exige um líder capaz de conduzir o país, e não de uma marionete como Flávio, diz Edinho.
“Se o Brasil tem a segunda reserva de metais críticos do mundo, essa riqueza é nossa. Não pode a família Bolsonaro entregar isso para o Trump. Vai entregar a riqueza do nosso povo? O Trump vai fazer o Brasil virar colônia de novo, não exportar.”
O presidente do PT afirma que os minerais críticos são neste século o que o petróleo representou no século passado. “Não haverá desenvolvimento, não haverá perspectiva de um futuro promissor se nós não entendermos o quanto que os minerais críticos formam uma base de riqueza de um povo. Porque hoje tudo está chipado, o carro é chipado, a TV é chipada, a geladeira, o telefone, tudo. Sem os minerais críticos não se fabricam chips. E vai ser assim em absolutamente tudo.”
Essa riqueza permite ao Brasil, sustenta o petista, a construir um modelo de desenvolvimento de verdade, forte, rico e inclusivo. E marionetes, reiterou Edinho Silva, não tem tamanho para os desafios políticos que se avizinham.
