O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia virou munição para a extrema direita tentar emplacar, no mundo digital, a ideia de que o Brasil vive uma “quebradeira” de empresas sob o Governo Lula. Para o ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira, a narrativa não resiste aos fatos.
“Esse tipo de narrativa é contra tudo o que a gente tem visto nos dados econômicos, especialmente comparando com o desastre econômico da administração anterior, do governo Bolsonaro”, afirma.
Segundo o ministro, a oposição está “criando uma coisa fantasmagórica, se utilizando de alguns casos de recuperação judicial para criar uma imagem de que o Brasil está falindo”.
Recuperação judicial X falência
Pereira faz questão de separar os dois conceitos que a extrema direita mistura propositalmente, para criar a falsa sensação de que a economia do Brasil vai mal. “É natural da dinâmica econômica que empresas peçam recuperação judicial, que é diferente de falência”, explica o ministro.
A recuperação judicial é a situação na qual a empresa continua funcionando e tenta renegociar dívidas com credores, ao contrário da falência, que envolve o encerramento das atividades.
“As falências diminuíram no Brasil nos últimos anos. Então tem menos empresas quebrando”, esclarece o ministro. Os números batem com o que mostram os levantamentos do setor: as falências caíram de 1.749 processos (1.706 CNPJs) em 2014 para 686 processos (698 CNPJs) em 2025, com trajetória de queda desde 2016, segundo o Serasa Experian.

O ministro reconhece que há, sim, empresas recorrendo à recuperação judicial, mas atribui o fenômeno a uma combinação de fatores que pouco tem a ver com o governo. “A gente tem os juros que estão altos há bastante tempo, e não são controlados pelo governo”, diz. Ele também cita o aumento do endividamento das famílias, que tem a ver com os juros alongados, problemas relacionados a bets e arranjos do sistema financeiro para crédito consignado, por exemplo.
Há também um fator de transformação estrutural da economia, aponta ele: “Algumas empresas de varejo passam a enfrentar a concorrência internacional de grandes marketplaces mundiais que têm interesse no Brasil e que vêm ampliar suas operações no Brasil”.
O ministro recomenda a cautela antes de generalizar os casos. “É muito difícil fazer uma avaliação das empresas como se elas fossem representativas de um ambiente econômico mais geral”, afirma.
Ele cita alguns exemplos: “É difícil avaliar se a estratégia das Casas Bahia foi a melhor estratégia para lidar com o crescimento do e-commerce e com os novos atores internacionais. […] E quantas novas redes de alimentação apareceram no Brasil nos últimos anos?”. Segundo Pereira, “é muito difícil fazer essa avaliação no fulanismo da empresa específica”.
Emprego em alta e inflação em queda, números que a direita não mostra
O ministro lembra que o Brasil tem a menor inflação da série histórica, que a renda do trabalhador deve fechar o governo com alta de cerca de 18% e que o PIB deve crescer perto de 10% no acumulado de quatro anos do governo Lula. O Brasil voltou ao ranking das 10 maiores economias do mundo em 2026, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). A taxa de crescimento anual do PIB deve fechar em torno de 3%.
No mercado de trabalho, Pereira cita a geração de 10 milhões de empregos formais nos últimos quatro anos. No varejo, as vendas cresceram 1,9% no acumulado de janeiro a junho de 2026, o faturamento dos shoppings bateu recorde em 2025 e o país abriu 5,1 milhões de novas empresas no mesmo ano, alta de 18,6% sobre 2024 – o maior volume da série histórica.
O ministro também destaca políticas voltadas ao pequeno empreendedor. Cita o Contrata+Brasil, que facilita o acesso de MEIs à prestação de serviços ao setor público, e a proposta enviada por Lula para aumentar o teto do MEI, que deve beneficiar 17 milhões de brasileiros.
Para Pereira, o efeito em cadeia da valorização da renda é o que sustenta esse ambiente mais favorável ao empreendedorismo: “Quando a renda do trabalhador se valoriza, isso gera mais negócios, mais economia, mais bares, mais restaurantes, mais cultura, mais cinema, mais cursos, mais um monte de coisa”.
O ciclo de juros altos que pressiona parte dessas empresas, aliás, já dá sinais de reversão: o Copom cortou a Selic pela quarta vez consecutiva em 2026, levando a taxa a 14% ao ano em agosto, e o mercado projeta novos cortes até o fim do ano.
O ministro resume, com base nos dados e nas políticas efetivas do governo Lula: “Esse cenário catastrófico não existe”.