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Eleitor deve pensar qual Brasil quer, se democracia ou mentiras e negacionismo, diz Lula

No Ceará, presidente explica o que está em jogo nestas eleições. Ele celebrou avanço da transposição do São Francisco e reafirmou autonomia do país nas relações internacionais

Lula visitou trecho da transposição no Cariri, Ceará.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 4, que as brasileiras e brasileiros devem, antes de votar, pensar naquilo que querem para o futuro do Brasil, de seus filhos e de sua família, e depois disso procurar os candidatos que representam essas escolhas. “Aí você não vai ter dúvida, porque você vai votar em você”, declarou durante visita técnica a frentes de obra da implantação do trecho 1 do Cinturão de Águas do Ceará, na região do Cariri.

Antes da visita à obra no Cariri, Lula concedeu entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), e reforçou que as eleições de 2026 não são apenas uma disputa entre candidatos, pois há muitas coisas em jogo, sobretudo a democracia e a soberania do Brasil.

“Não é o candidato A contra o candidato B. É que tipo de Brasil a gente quer. Você quer um Brasil em que a democracia reine, em que as instituições funcionem e em que a gente possa prometer ao povo brasileiro que vale a pena acreditar na democracia ou não? Você vai querer um país da mentira? Vai querer um país das fake news? Você vai querer um país negacionista? Vai querer ter um presidente que não acredita em vacina, que não acredita na medicina, que não acredita na ciência? Vai querer ter como candidato alguém que está pedindo para os Estados Unidos interferirem na política brasileira, interferirem no comércio brasileiro, taxarem o Brasil? […] É isso que está em jogo”, afirmou.

Lula também destacou, durante a entrevista, a importância dos investimentos em educação e citou o programa Pé-de-Meia, que mantém os estudantes do ensino médio, em situação de vulnerabilidade, na escola, com uma bolsa. “Aqui em Juazeiro há 12.500 meninos e meninas recebendo”, citou o presidente. “Eu quero resolver o problema da educação. Sem ele, a gente não resolve mais nada”, afirmou o presidente, dizendo que seu foco é o futuro e que, num quarto mandato, quer incentivar na formação dos jovens em áreas conectadas com a agenda do século 21, tecnologia e inovação, e criação de empregos de qualidade.

“Eu quero fazer o Brasil chegar a ser um país com padrão de país desenvolvido. Eu quero emprego de qualidade para a nossa juventude. Quero cursos profissionais formando os jovens na mais alta tecnologia que o mundo precisa”, afirmou.

Um país de classe média alta

Lula afirmou na entrevista à Rádio Progresso que o Brasil deve se transformar  “em um país de classe média alta” e que está preparado para dar um “salto de qualidade” e se aproximar do padrão de bem-estar social da Europa. Esse, segund Lula, é seu objetivo para o quarto mandato, a partir de um forte investimento em educação, ciência e tecnologia.

Lula afirmou que tem uma tarefa a cumprir: “Eu quero fazer este país chegar a um padrão de país desenvolvido”. O presidente prometeu novamente que criará as bases para que os problemas educacionais do Brasil sejam resolvidos em até 10 anos. Falou em estabelecer uma nova dinâmica tecnológica “para que a gente seja vendedor de produtos de maior valor agregado”.

Votações no Congresso

Lula disse não ter entendido por que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resolveu deixar as votações das PECs do fim da escala 6×1 e da segurança pública somente para outubro.

Segundo o presidente, foi “uma pena” as votações não terem sido concluídas, mas que, ainda assim, é preciso celebrar que foram aprovadas coisas importantes, como a MP do fim da taxa das blusinhas.

“Não sei quais foram as razões que o presidente do Senado teve para fazer isso. Ele disse aos senadores que, assim que terminar o primeiro turno das eleições, vai colocar em votação. Agora estamos na expectativa de que ele coloque em votação. Foi uma pena, mas, de qualquer forma, foram aprovadas coisas importantes que a gente queria.”

Relações internacionais

“Se tem um brasileiro que pode ter orgulho de dizer que é abençoado por Deus sou eu”, declarou Lula, por se dar “muito bem” com Donald Trump, Xi Jinping, Emmanuel Macron e vários outros líderes mundiais.

Sobre a relação com os Estados Unidos, o presidente disse que a única guerra que quer vencer é a da narrativa, e que se qualquer outro país tentar intervir nas eleições brasileiras, “vai perder”. Também disse que não vai “ficar chorando”, se os EUA não quiserem fazer comércio com o Brasil, e sim “ir atrás de quem quer”.

Transposição, um orgulho

O empreendimento da transposição visitado por Lula capta água do Eixo Norte do a transposição do Rio São Francisco, totalizando 145 km de extensão. Com 93,2% de execução das obras, o projeto destina-se ao abastecimento humano, industrial e à irrigação da região, além de contribuir para a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.

O presidente afirmou que o projeto é uma demonstração de que, apesar de não ser possível “vencer o problema da natureza”, é possível enfrentar os seus obstáculos. “O fenômeno da falta de água é um fenômeno da natureza, mas a fome por causa da falta de água é um fenômeno da incapacidade de quem governou este país por muito tempo”, declarou. Segundo Lula, a transposição é a “mais importante obra hídrica feita no mundo nos dias de hoje”.

O presidente disse que sente orgulho de ter feito a obra da transposição, mesmo com a resistência inicial de muitos estados. Lula afirmou, ainda, que tem compromissos ambientais com o Rio São Francisco, para que permaneça um rio perene.

Presidente Lula deixa a sua marca na obra da transposição do São Francisco.Foto: Ricardo Stuckert