Na última semana de votações no Congresso Nacional antes das eleições, as manobras deliberadas de senadores da ultradireita foram capazes de conter, temporariamente, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que encerra a escala 6×1 e permite que todo trabalhador tenha mais um dia de descanso para ficar com a família. A luta política pela redução da jornada de trabalho, no entanto, permanece como prioridade para o Governo Federal e para o Partido dos Trabalhadores (PT). Isso quem garante é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em publicação nas redes sociais, nesta sexta-feira, 4, Lula elogiou os avanços no debate legislativo e listou algumas das vitórias recentes conquistadas no Congresso, a exemplo da aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e o fim da chamada “taxa das blusinhas”. O próximo passo, escreveu o presidente, é passar as PECs da Segurança Pública e da redução da jornada de trabalho.
“Seguimos mobilizados, em especial em torno do fim da escala 6×1, que ainda precisa vencer a batalha contra aqueles que se opõem a um dia a mais de descanso para os trabalhadores e trabalhadoras brasileiros”, apontou Lula.
Compromisso assumido e cumprido!
O fim da taxa das blusinhas foi aprovado pelo Congresso.
A Medida Provisória foi enviada pelo nosso Governo ao parlamento em maio, e permite zerar a cobrança de impostos federais sobre compras internacionais online de até 50 dólares.
Essa foi…
— Lula (@LulaOficial) September 4, 2026
Apesar da aversão da extrema direita ao tema, o fim da escala 6×1 é apoiado por mais de 70% da população do país, segundo pesquisa do Instituto DataFolha.
Votação ainda neste ano
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), indicou que a PEC será votada após as eleições desse ano, em outubro. A afirmação foi feita em resposta ao senador Paulo Paim (PT-RS), que discursou em tom de despedida, já que não concorrerá mais a cargos públicos.
“Aproveito essa oportunidade que o senador Paulo Paim está na mesa, veio me dar um abraço, para dizer para vossa Excelência e para o Brasil, que a vossa excelência estará aqui votando, após as eleições, o fim da escala 6×1 no plenário Senado Federal”, sinalizou Alcolumbre.
A líder do Governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou à Rede PT de Comunicação que as articulações seguem para fazer a pauta avançar. Ela está empenhada na aprovação da PEC antes do segundo turno das eleições, previsto para 25 de outubro.
“Há o rito de tramitação de PEC que precisará ser cumprido. É importante ressaltar que essa é uma agenda que diz respeito a todos nós e que, mesmo em uma sociedade tão polarizada como a nossa, conseguiu superar divisões políticas e conquistar o apoio de uma ampla maioria da população: 72% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. Esse é um dado que não pode ser ignorado”, defendeu Teresa.
Nome aos bois
O líder do Governo Lula no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), atribuiu o esvaziamento da votação da PEC que acabava com a jornada 6×1 à ultradireita. A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), mesmo com toda a manobra do grupo político ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
“Houve um movimento bem-sucedido da oposição que impediu que a votação da PEC ocorresse neste momento. (…) Foi uma articulação feita pelo senador Flávio Bolsonaro [PL-RJ] e pelo líder da oposição na Casa, senador Rogério Marinho [PL-RN]”, nomeou Randolfe.
Na mesma entrevista a jornalistas, o petista assegurou que a PEC será apreciada pelo plenário do Senado antes de novembro. “Posso garantir que votaremos essa PEC até o final de outubro”, declarou.