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Lula lembra os 716 mil mortos na pandemia com Bolsonaro e diz que Flávio engana o povo

Em Juazeiro do Norte, presidente critica fala antivacina sobre "virar jacaré" e deixa claro que seus candidatos no Ceará são Elmano no governo e Luizianne Lins e Cid Gomes no Senado

Em meio a uma multidão em Juazeiro do Norte, Lula pede voto em Elmano, Luizianne e Cid, reforçando importância do Senado.Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o negacionismo de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia e pediu votos para Elmano de Freitas ao Governo do Ceará e para os candidatos de seu campo político durante uma caminhada em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, na noite desta sexta-feira, 4. Diante da multidão, Lula também reforçou o apoio a Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede) para o Senado e convocou os cearenses a escolherem deputados estaduais e federais de seu time. A caminhada reuniu Lula, Elmano e aliados pelas ruas da cidade.

Ao falar da disputa presidencial, Lula relacionou a campanha de Flávio Bolsonaro ao comportamento do pai durante a crise sanitária e voltou a lembrar o preço pago pelo país com o negacionismo. “O adversário nosso nessa campanha é uma pessoa que se utiliza de fake news, da mentira, para tentar enganar a sociedade brasileira, como foi feito pelo seu pai, que negou a vacina”, afirmou. Lula lamentou as 716 mil vidas de brasileiros perdidas durante a pandemia e parte dessas mortes poderia ter sido evitada.

Na sequência, Lula foi direto ao pedir apoio à chapa que estará ao seu lado no Ceará. “Eu só tenho um candidato a governador no estado do Ceará: é o companheiro Elmano. Não tem dois candidatos”, afirmou. O presidente voltou ao estado pouco mais de um mês depois de participar da convenção que oficializou a candidatura de Elmano à reeleição. A chapa apoiada por Lula tem Gabriella Aguiar como candidata a vice e Cid Gomes e Luizianne Lins na disputa pelas duas vagas ao Senado.

“Negaram a vacina a nossos filhos”

A vacina foi usada por Lula para estabelecer um contraste entre seu projeto e o bolsonarismo. O presidente recordou as declarações feitas durante a pandemia para desacreditar a imunização e citou a conhecida fala de Bolsonaro sobre pessoas poderem “virar jacaré” após serem vacinadas.

“É importante lembrar que eles negaram a vacina para nossos filhos, dizendo que o povo ia vir a Jacaré, que o povo ia vir a gay”, disse.

O presidente pediu aos apoiadores que não entrassem em confronto com adversários, mas conversassem com familiares, amigos e conhecidos e relembrassem o que ocorreu nos anos anteriores. A orientação, afirmou, é responder à desinformação com memória sobre as decisões tomadas por cada governo.

“Eu queria que vocês não brigassem com os adversários. Eu queria que vocês tentassem convencer os adversários”, afirmou.

Lula pediu à população que se coloque contra a disseminação de fake news promovida pela extrema direita e reforçou que seu governo defende a soberania nacional.

“Não vamos acreditar em mentira da internet”, pediu.

Ao mencionar tentativas de interferência externa na política brasileira, Lula declarou: “Pode vir o americano que quiser, jamais ele ganhará de um pernambucano e de um cearense”.

E concluiu com uma defesa da soberania: “Quem decide o destino desse país é o povo brasileiro. Homens e mulheres, quem decide as coisas aqui somos nós. Portanto, o Brasil só tem um dono, e o dono se chama povo brasileiro”.

Candidatos do time de Lula e o presidente discursaram. No Ceará, só tem um candidato ao governo e é Elmano, frisa Lula.Foto: Ricardo Stuckert

“Eu só tenho um candidato: Elmano”

Lula também procurou eliminar qualquer dúvida sobre seu palanque na eleição cearense. Mais cedo, o presidente já havia afirmado ter visto material eleitoral que tentava associar sua imagem à candidatura de Ciro Gomes, hoje no PSDB e apoiado pelo PL. Lula reiterou que seu candidato é Elmano.

No discurso em Juazeiro, ele reforçou a mensagem ao citar nominalmente os nomes que integram seu campo político no estado.

“Eu só tenho dois senadores aqui e os dois estão aqui junto comigo, Cid e Luizianne. Eu só tenho um candidato a governador no estado do Ceará: é o companheiro Elmano. Não tem dois candidatos”, disse.

Lula ainda pediu voto para candidatos a deputado federal e estadual que apoiam sua candidatura e a de Elmano. Para o presidente, formar uma base aliada no Congresso e na Assembleia Legislativa é parte essencial para dar continuidade aos projetos dos governos federal e estadual.

SUS, salário mínimo e água para o Nordeste

Na caminhada, Lula também fez um breve balanço de políticas implementadas durante seus governos. Citou a expansão das universidades e dos institutos federais, o fortalecimento do SUS, o Samu, a Farmácia Popular, a valorização do salário mínimo e o Pé-de-Meia.

Ao falar ao público nordestino, lembrou ainda os investimentos em segurança hídrica e infraestrutura, citando a chegada das águas ao semiárido e as obras da ferrovia Transnordestina. Antes da caminhada, Lula cumpriu agenda no Crato relacionada ao Cinturão das Águas do Ceará.

“É importante lembrar quem fez mais universidade, quem fez mais institutos federais, quem fez mais hospitais universitários, quem melhorou a qualidade do atendimento do SUS, quem fez o Samu, quem fez Farmácia Popular”, enumerou.

O presidente também destacou a retomada da política de valorização real do salário mínimo e do crescimento econômico acima de 3% nos primeiros anos de seu atual mandato.