O governador do Ceará e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT), afirmou, durante sabatina Folha/UOL nessa quarta-feira, 26, que seu principal adversário, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), traiu o campo progressista e aderiu ao bolsonarismo, embora tente esconder isso do eleitorado.
Elmano respondeu a questionamentos sobre temas relevantes para os eleitores cearenses, como segurança pública, educação e meio ambiente. Tratou também da disputa pelo governo do estado e da rivalidade acirrada com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), que se aliou ao bolsonarismo e lidera as pesquisas de intenção de voto no momento.
O governador lamentou a guinada à direita de Ciro e ponderou que o cenário eleitoral se deve ao fato de que parte do povo cearense ainda não compreendeu que seu adversário mudou de lado e aderiu ao bolsonarismo. Para o petista, a posição política de Ciro Gomes vai ficar cara ao longo da campanha e dos debates.
“A disputa que realizamos é com um candidato que decidiu tomar outro rumo na vida política, tem uma trajetória no campo progressista e, já em 2024, resolveu trair o campo democrático e apoiar a candidatura bolsonarista na disputa da prefeitura de Fortaleza. Nós tivemos uma disputa muito acirrada em Fortaleza entre o PT e o candidato do PL, um deputado federal claramente bolsonarista”, resumiu Elmano, ao lembrar que o nome preferido de Ciro à época, José Sarto (PDT), então prefeito de Fortaleza, não foi ao segundo turno por conta de uma administração fracassada na capital.
O governador do Ceará prosseguiu descrevendo as últimas coligações articuladas pelo ex-ministro para se eleger. “Agora na eleição para o governo do estado, ele faz uma aliança em que o senador da chapa dele é alguém que se diz pastor e falou que rezou para o Lula morrer. O outro era o candidato do Bolsonaro nas eleições para o governo com quem eu disputei em 2022”, observou Elmano.
“Hoje, o Ciro Gomes é um ‘quinta coluna’ do bolsonarismo no Brasil. A candidatura dele tem como objetivo, basicamente, tentar reduzir a força política do Lula no Ceará. Não vai conseguir, nós vamos ter a amplíssima maioria em favor do Lula no Ceará”, rebateu o petista, referindo-se à expressão utilizada na política, desde a Guerra Civil Espanhola, para descrever um grupo ou pessoa que atua secretamente para minar ou trair seu próprio país a favor de um inimigo.
Lei Antifacção
Ao ser questionado sobre a questão da segurança pública, Elmano disse que essa é uma preocupação tanto da esquerda quanto da direita. Ele defendeu maior envolvimento do Poder Judiciário e pediu avanço na implementação da Lei Antifacção, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março desse ano, para fortalecer o combate às organizações criminosas transnacionais.
“Esse país ganhou uma lei muito importante: nós ganhamos uma lei que nos permite agora combater as ameaças que o crime organizado faz nos territórios. Antes, o crime de ameaça do crime organizado era crime de ação privada, ou condicionada. Isso quer dizer que a vítima tinha que ir lá na delegacia assinar um papel dizendo que estava ameaçando”, argumentou o governador.
Segundo o governador, “a nova lei diz que a polícia, ao saber da ameaça, ela pode e deve agir. E a pena passou a ser de 20 a 40 anos para quem ameaçou. E de 40 a 80 para quem mandou”.
O candidato do PT disse na sabatina que o Ceará não é controlado por facções criminosas. Para Elmano, “o maior problema de segurança nesse país está no Rio de Janeiro”, por causa de sucessivas administrações de direita. O governador relatou o caso de um dos chefes do Comando Vermelho (CV), Carlos Mateus da Silva Alencar, conhecido como “Skidum”, que está na capital fluminense, mas as autoridades locais não são capazes de detê-lo.
“Grande parte dos chefes de facção do Ceará estão escondidos no Rio de Janeiro, que a Polícia Militar do Rio não chega, que a Polícia Civil do Rio de Janeiro não é capaz de prender. Eu estou dizendo, como governador, que eu tenho chefe de facção do Ceará que a nossa inteligência sabe onde ele está, em qual bairro, em qual rua e em qual casa”, enfatizou.
Investimentos na segurança pública
Elmano reconheceu o avanço do crime organizado no país e mencionou investimentos feitos por seu governo e os resultados alcançados nos últimos três anos e meio. “Aqui no Ceará, nós bloqueamos, retomamos do crime organizado, R$ 3,3 bilhões. E colocamos na cadeia 5 mil faccionados”, contabilizou. “Portanto, nós estamos fazendo um trabalho intenso no enfrentamento ao crime organizado. Mas precisamos ter uma ação nacional.”
O petista destacou a ampliação da capacidade de inteligência das forças de segurança no estado por meio da contratação de novos policiais, o que permitiu mapear a atuação dos criminosos. “O Ceará tinha cento e poucos profissionais da área de inteligência. Eu aumentei isso para 800: é mais de 700% de aumento na área da inteligência. E eu saltei a Polícia Civil de 3 mil e poucos homens para 5 mil homens e mulheres. Então agora nós temos um conjunto de informações”, afirmou.
O Ceará, concluiu o governador, caiu para a décima posição em termos de violência, depois de ter ocupado o segundo posto. Fortaleza, antes a quarta capital mais violenta do país, hoje está na vigésima posição no ranking.
A educação no Ceará
Por fim, Elmano enumerou algumas das ações de seu governo, a exemplo das escolas profissionalizantes, para continuar impulsionando a educação pública no Ceará, uma das melhores do Brasil, de acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). “Nós estamos agora construindo 138 escolas novas: R$ 1,6 bilhão para ter a escola adequada para os novos alunos, para que a gente possa, assim, garantir 100% dos nossos jovens”, expôs.
“E qual é a próxima etapa? É virar tudo profissionalizante. Porque as evidências estão a dizer: essa nota de 4.8 [do Ceará no Ideb], quando chega na escola profissionalizante, ela pula para 5.7 ou 5.8, é um [ponto] a mais. Por que isso acontece, na nossa opinião? Porque, quando a escola é profissionalizante, o jovem começa a pensar seu projeto de vida e o estudo na escola começa a ter mais sentido”, explicou Elmano.
Outra medida do governador é dar continuidade à universalização das escolas em tempo integral no Ceará, algo que já vinha sendo feito por administrações progressistas anteriores. “Governador Cid [Gomes, irmão de Ciro] governou por oito anos. Governador Camilo [Santana] governou por oito anos, junto com a governadora Izolda [Cela]. E nós, nesses 16 anos, garantimos 42% da matrícula em tempo integral”, nomeou, em sinal de reconhecimento ao trabalho dos antecessores.
“Eu estou fazendo a escola pública cearense, em quatro anos, 58% da matrícula passar a ser tempo integral”, orgulhou-se Elmano.